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Duas datas

Erner Machado

19.10.2016

Duas datas

Fui cobrado pelo editor de um dos Blogs para os quais escrevo que eu não enviei texto para o dia das crianças e que, também, não o fiz, para o dia dos Professores.

Mandei-lhe este bilhete, tentando me explicar.

Meu caro Editor,

Não fiz os textos por questões éticas, morais e sentimentais, como lhe explico, a seguir:

Peço-lhe que entenda as minhas razões e  compreenda que eu não poderia fazer um texto no dia das crianças que atingiria um  universo limitado  de pais que tem acesso a informação, que compra presentes caros, para seus filhos, que os leva ao cinema, ao zoológicos, aos parques e aos restaurantes e com isto os faz felizes e deixar de lado um grande número de pais que moram nos campos e nas cidades vivendo em condições de miserabilidade e sem acesso à comunicação,  ao saneamento básico, à saúde, à educação , à segurança, ao trabalho digno e regular   e que não podem comprar um presente, por mais barato que seja, para dar a seus filhos , os quais nem sabem que existe um dia da criança.

Seria muita injustiça fazer um texto enaltecendo o dia da criança quando sei que existem tantas crianças em cujos rostos, tão jovens, já existe o traço da tristeza, da dor, do abandono, do sofrimento e, para cujo futuro, não existe a menor possibilidade de dignidade, de amor, de felicidade e de paz.

Não fiz, também, um texto para o dia dos professores, embora carregue no meu coração e na minha alma a maior admiração por todos aqueles que abraçaram o caminho do magistério e, através dele, realizam a transferência de conhecimento e de cultura às crianças, aos jovens, aos adultos e ao idosos. Mas, de igual sorte, não poderia fazer um texto que atingisse a alguns e deixasse de atingir a grande maioria que no exercício de seus misteres vocacionais não recebem o devido reconhecimento do estado brasileiro que lhes paga mal, não lhes oferece condições dignas de trabalho, não lhes oferece segurança em Sala de Aula na qual possam expressar-se com respeito e com autoridade. Não poderia fazer um texto no dia dos professores porque tenho a consciência que estes abnegados profissionais não merecem textos elogiosos teóricos, merecerem, sim, respeito por parte da sociedade em geral e das autoridades que exercem a gestão dos municípios, dos estados e da União.

Espero, caro editor, que chegue o dia em que as crianças e os professores de meu país possam, realmente, comemorar os seus dias, tão próximos um do outro, como próximos são seus destinos e que algum escriba menor, igual a mim, possa fazer um texto enaltecendo as condições que as crianças, todas, merecem ter e o respeito, a valorização, a dignidade que os professores são Credores, pela nobreza e pelo alto valor de suas profissões.

Um abraço do Erner


Tags: Erner Machado, coluna, colunista, artigo


Erner Antonio Freitas Machado, é natural de Rosário do Sul, trabalhou no Banco da Província, no Banco da Amazônia e na CRT (Telefonica-BRT).

Escreveu O AZUL PROFUNDO, livro de poesias. Colabora com a FOLHA DO LITORAL, de Capão da Canoa e com diversas mídias eletrônicas, destacando LITORAL MANIA, de Xangri-lá e BLOG DO PAULO NUNES de Vitoria da Conquista -BA.

Está trabalhando na coletânea de Prosa e Poesias de sua autoria que vai publicar, com o nome de NOVOS TEXTOS.

e-mail: ernermachado@gmail.com




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