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A Morte Pialando a Vida.

Erner Machado

12.05.2017

A Morte Pialando a Vida.

Na Pampa, quando uma tragédia atinge uma família, os homens se recolhem ao Galpão, fazem um grande fogo e repassam de mão em mão, o Chimarrão.

Durante dias e noites, se cobrem de fumaças que saem de algum pau verde queimando ou dos grandes palheiros que são devorados em tragadas que, junto com o mate, aquecem o peito e acalmam as dores.

O único som que se ouve são os choros das mulheres da casa, o uivar dos cachorros ou o berro de algum terneiro guacho que chora de saudade da mãe.

No demais tudo é silencio. Pesado silencio que somado a olhares trocados por cabeças baixas, sob os chapéus, dão a dimensão das dores e das mágoas de que são tomados aqueles homens rudes da minha terra.

Como um exilado da Pampa, eu queria ter um galpão, queria fumar palheiros e queria ter amigos para junto deles, ao redor  de um fogo de chão, tomando mate com agua  aquentada em cambonas pretas ,poder entrar nos mistérios da vida e entender, silenciosamente, a tragédia que se abateu sobre os alunos  da Faculdade de Direito da Unisc-Campus Capão da Canoa- pela partida inesperada de nosso colega Gustavo Daltoé.

Queria entender e ser solidário com a dor de sua família...

Mas como não tenho Galpão e, consequentemente, não tenho fogo de chão ao redor do qual  possa me  reunir com  meus colegas do Curso de Direito, não tenho cambonas pretas e não fumo palheiros... me encerro no mais profundo recanto de mim mesmo, e fico folhando livros e livros, na esperança de encontrar uma resposta que, não amenize a  nossa  dor mas , mas que dê um sentido para o fato dela doer tanto, diante da perda tão significativa para a família do Gustavo, para seus amigos, seus companheiros de farda, para seus professores e para nós seus colegas...

Encontro nos meus livros a sentença do Fernando Pessoa dizendo: “Que navegar preciso... viver, não é preciso” o verbo Precisar que o Gênio utilizou não tem o sentido de necessidade mas, acuracidade da ciência que é preciso empregar na arte de navegar em contraponto com a improvisação, com o sentido de inexatidão circunstancial da vida.

A navegação nos leva a certeza! A vida nos leva ao improviso e a portos desconhecidos. A vida é um jogo no qual só existe um resultado.

Ontem todos nós vimos o Gustavo, privamos do seu convívio, do seu sorriso e dos seus sonhos e, logo após a aula, o sabemos morto!

Inerte. Incapaz de continuar a navegar no mar da vida, surpreendido que foi por uma onda maior ou pelo manejo indevido de algum instrumento que fez naufragar seu barco tão frágil, embora tão novo e com tantos portos para conhecer, com tantas luas para contemplar e com tantos nascer de sol para se deslumbrar.

Mas “ viver não é preciso” e sabemos disto...

Assim Gustavo Daltoé, tenhas certeza que nós continuaremos a tua viagem, os teus sonhos, e que de igual forma, para a tua companheira e para tua família, tu sempre estarás presente.

Para os teus Guerreiros Colegas da Brigada Militar tu estarás de prontidão e acompanhando-os nas missões de cumprimento de deveres...

Para nós ficará em cada coração, a tua imagem jovem , os teus sonhos, a tua alegria ,o teu sorriso e  o teu cafezinho...

Tenhas certeza, absoluta certeza, que em galpões imaginários estaremos, silenciosamente, lamentando a tua partida...

Temos certeza, nós, que de algum lugar tu estarás rindo e nos incentivando a continuar a caminhada...!


Tags: Erner Machado, coluna, colunista, artigo


Erner Antonio Freitas Machado, é natural de Rosário do Sul, trabalhou no Banco da Província, no Banco da Amazônia e na CRT (Telefonica-BRT).

Escreveu O AZUL PROFUNDO, livro de poesias. Colabora com a FOLHA DO LITORAL, de Capão da Canoa e com diversas mídias eletrônicas, destacando LITORAL MANIA, de Xangri-lá e BLOG DO PAULO NUNES de Vitoria da Conquista -BA.

Está trabalhando na coletânea de Prosa e Poesias de sua autoria que vai publicar, com o nome de NOVOS TEXTOS.

e-mail: ernermachado@gmail.com




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