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Cartas do Pequeno Príncipe

Erner Machado

09.11.2017

Cartas do Pequeno Príncipe

Afastado há alguns meses da tarefa de escrever meus singelos textos, tenho me dedicado à leitura de velhos livros.

Estou relendo, Antoine de Saint-Exupéry... Já passei pelas páginas amarelas do Pequeno Príncipe e estou viajando agora, pelos desertos africanos, pela Cordilheira dos Andes, pelo oceano atlântico, por Paris, por Lisboa, embarcado em um avião monomotor que carrega o Correio Aéreo e, de carona, leva junto minha imaginação...

Os textos das Cartas do Pequeno Príncipe são um tesouro que contém todos os sentimentos, medos, paixões, alegrias, sonhos e sofrimentos de um homem inteligente e simples que descobriu, no avião, a razão de sua vida.

Causou-me estranha inquietude quando li um parágrafo em que ele fala da França, sua terra natal, durante a Ocupação Nazista: “ E eis que hoje, quando a França, após a ocupação total, entrou em bloco , no silencio , com sua carga, como um navio todo apagado e do qual ignoramos se sobrevive ou  não, aos perigos do mar, a sorte de cada um dos que amo me atormenta mais que uma doença instalada em mim. Sinto-me ameaçado em minha essência pela fragilidade deles”.

Foi impossível deixar de fazer um paralelo entre a França Ocupada pelos Nazistas e o Brasil, ocupado nos últimos trinta anos por uma classe política da pior espécie que roubou de seus filhos todos os sonhos de nação e de povo e que lhes  impôs um silencio igual ao imposto pelos alemães aos povo França de 1940 a 1944 sendo , portanto, muito mais cruel e destruidora que a imposta ao Pais de Saint-Exupery.

Larguei de lado as Cartas do Pequeno Príncipe e abri o meu computador para  fazer um pobre texto que diga aos meus amigos que é preciso termos consciência da ocupação que foi imposta ao nosso  país  e  que, hoje, se consolida por uma total dominação do povo, de suas aspirações, de seus desejos, de seus Direitos, de seu presente e de seu futuro, de sua capacidade de decidir e que esta dominação  não é feita por nenhum invasor inimigo mas, é perpetrada pelo Executivo, pelo Legislativo e pelo Judiciário que  unidos por interesses pessoais e corporativos administram a nação para proveito próprio ou dos grupos aos quais estão vinculados.

A Libertação da França começou em 06 de junho de 1944 com o desembarque dos aliados no dia D e a Batalha da Normandia.

E a Libertação do Povo Brasileiro, começará quando? Em que dia, em que data, que fato marcante deverá acontecer para nos vermos livres do silencio imposto, das algemas que aprisionam nossos braços e anulam, em nossas mentes, a capacidade de pensar e de encontramos uma solução?

Não podemos esperar que as eleições de 2018 tragam a libertação desejada pois, dela, estarão participando os mesmos personagens que nos aprisionam há tantos anos.

É necessário que algum milagre aconteça! E que se acontecer seja portador de algum farol misterioso que nos aponte os rumos de um Oásis escondido no Deserto de nosso mundo político e, a exemplo dos personagens das Cartas do Pequeno Príncipe, possamos matar nossa sede, não de água, mas de Justiça, de Honestidade de conduta e que voltemos a ser libertos para podermos construir em trilhos firmes a história que nossos netos irão contar...


Tags: Erner Machado, coluna, colunista, artigo


Erner Antonio Freitas Machado, é natural de Rosário do Sul, trabalhou no Banco da Província, no Banco da Amazônia e na CRT (Telefonica-BRT).

Escreveu O AZUL PROFUNDO, livro de poesias. Colabora com a FOLHA DO LITORAL, de Capão da Canoa e com diversas mídias eletrônicas, destacando LITORAL MANIA, de Xangri-lá e BLOG DO PAULO NUNES de Vitoria da Conquista -BA.

Está trabalhando na coletânea de Prosa e Poesias de sua autoria que vai publicar, com o nome de NOVOS TEXTOS.

e-mail: ernermachado@gmail.com




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