Últimas notícias

Colunistas

RSS
Um cãozinho chamado Xiru

Mafalda Orlandini

25.02.2013

Um cãozinho chamado Xiru

Escrevendo sobre a importância do Boby e da Sandy na nossa história de vida, lembrei-me do Xiru. Era um “cusco” nosso e de toda a vizinhança. Nós morávamos na última quadra da rua Visconde do Rio Branco. Ela começa na Cristóvão e termina no Morro Ricaldone. Não havia movimento de carros. A gurizada toda se conhecia, brincava junto, não havia essa história de gangues rivais.

Pois é. Faz setenta anos, esse cachorrinho apareceu por lá. Foi imediatamente adotado. Conquistou todo mundo, até que um dia foi levado pela carrocinha dos cachorros. É, naquele tempo, existia uma caminhonete da Prefeitura que recolhia os cães vadios numa gaiola. Consternação geral, pois contaram para nós, crianças, que depois de três dias matavam os bichinhos. Ninguém podia acreditar que iam matar o Xiru com tamanha crueldade: com gás venenoso, com uma injeção letal ou com uma pancada na cabeça. Correria para fazer uma “vaquinha”, pagar uma multa e salvar o Xiru.

O nosso amiguinho foi salvo, mas não terminou aí a sua história. Ele estava sempre de uma casa para outra. Um dia, um homem resolveu implicar com ele. Rasgou a calça do estranho que se atreveu a maltratá-lo. O homem esperou meu pai (disseram que o cão era nosso) criou a maior confusão e meu pai teve que pagar a calça. Zangado, mandou um funcionário levar o Xiru para Guaíba. Naquele tempo, havia uma balsa que fazia o trajeto Porto Alegre/Guaíba. Todos ficaram ristes, mas ninguém assumiu o risco de ficar com ele. Passados alguns dias, apareceu o Xiru, meio estropiado. Desde então, após aquela demonstração de afeto, ficou definitivamente adotado.

Não sei como morreu o Xiru. Acho que não foi nada trágico, senão lembraria. Costumo ligar o Xiru a nossos meninos de rua. Eles têm muita semelhança com o Xiru. São abandonados à própria sorte, entretanto, sem ajuda, acabam exterminados pelo vício e pelo maldito tráfico.


Tags: Mafalda Orlandini, crônicas


Mafalda Orlandini é professora de português e literatura aposentada. Lecionou nos colégios: Nossa Senhora do Rosário (Porto Alegre), Vera Cruz (Porto Alegre), Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), E.E. Presidente Kennedy (Cachoeirinha), E.E. Santos Dumont (Porto Alegre) e no Curso Pré-Universitário (Porto Alegre) onde ministrava aulas sobre redação.

Durante muitos anos fez parte da banca de correções de redação nos vestibulares da PUC-RS.

E-mail: mafalda.orlandini@hotmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/mafalda.orlandini

 




Opinião do internauta

  • Lorena Orlandini (30.03.2013 | 13.29)
    O pai contava uma história parecida, mas tratava-se de uma cadela chamada Duquesa... Dizia que a levaram para muito longe (se não me engano, até Belém Novo) e ela voltou depois de alguns dias. Talvez ele tenha misturados os cachorros... ;)
  • Resposta do Colunista:
Deixe sua opinião

Comemoramos hoje - 19.02

  • Dia do Esporte e do Esportista
  • Dia de São Conrado de Placência
  • Dia de São Flaviano
  • Magha Puja (Festa Budista)