RicardoOrlandini.net - Informa e faz pensar - Colunista - Outras do Xiru

Últimas notícias

Colunistas

RSS
Outras do Xiru

Mafalda Orlandini

20.05.2013

Outras do Xiru

Esta é para aqueles que ainda estão em dúvida se o Xiru existiu mesmo. Pois é. Apareceu uma “testemunha ocular” da existência desse personagem. Foi nosso companheiro assíduo no Clubinho. É nada mais nada menos que o advogado Luiz Alberto Rossi. Mandou-me um e-mail detalhado de um episódio hilário da biografia do vira-latas .Eu até já contei da carrocinha, mas faltavam detalhes e dados mais precisos sobre a captura em questão. Essas informações vieram e eu pedi autorização para publicá-las. Só são citados os nomes da ala mais emotiva, a feminina, mas eu sei quem eram os heróis: ele, o Luiz, Ênio, Benito, Lourenço, Bacalhau e outros cujos nomes não me ocorrem. Segue na íntegra o e-mail “Mobilização Resgate”.

MOBILIZAÇÃO DE RESGATE

Xiru, o mascote do Clubinho da Visconde, não suportava os lixeiros. Embora nunca lhe faltasse boia nas diversas residências da quadra por ele assiduamente frequentadas, não admitia que os garis levassem os restos de seus pratos jogados nas latas de lixo. Atacava-os sempre, impiedosamente. Não deu outra: os lixeiros denunciaram-no aos homens da carrocinha que, é bem verdade, nunca conseguiram laçá-lo, na longa luta entre suas habilidades e as ágeis escapadas da pretendida presa. Vibrávamos com os malabarismos escapistas do bichinho. Constava no imaginário da gurizada que teria havido reuniões em vários departamentos da Prefeitura, especialmente convocados, para estudar estratégias objetivando o sucesso nas caçadas, sempre antes mal sucedidas. Como ele sempre atacasse os lixeiros, ficou resolvido que estes levassem consigo, camuflado, um homem da carrocinha, enquanto esta ficava escondida na esquina da Cristóvão. Foi assim que o Xiru, cumprindo a rotina de ataque aos lixeiros, sucumbiu ante a investida covarde dos detratores. Comoção geral, lágrimas, revolta. Fomos em oito, no Opel do Cesar Orsini, um dos tantos “donos” do presidiário, executar uma bem sucedida operação de resgate, para a qual naturalmente estávamos todos dispostos à prática de atos tão corajosos como quixotescos. Cena das mais emocionantes o nosso retorno à Visconde com o Xirú, faminto, mas faceiro, a tiracolo. Uma apoteose. Mafalda, Nice, Leda, Nanci, Deise, Maria Aparecida, Dolores, todos aplaudiam. Também, ataque aos lixeiros, nunca mais.


Da esquerda para a direita
Benito Orlandini, Décio Rossi, Luiz Alberto Rossi, Enio Costi e Enio Rossi
no destaque o vira-latas Xiru

Outro dia, ele me contou que o nome Xiru foi escolhido pelo seu irmão Ênio. Penso que agora ninguém mais duvida de que um cãozinho, que viveu há mais de setenta anos, seja verdadeiro e lembrado como se fosse uma pessoa integrante de um grupo de amigos. Hoje são poucos que ainda podem ser “testemunhas oculares”. Só quem chegou a alta quilometragem (oitenta anos) como eu, a Lilian Wild, a Leda, minha irmã , e o Luiz. Será que existe mais alguém para testemunhar?


Tags: Mafalda Orlandini, crônicas


Mafalda Orlandini é professora de português e literatura aposentada. Lecionou nos colégios: Nossa Senhora do Rosário (Porto Alegre), Vera Cruz (Porto Alegre), Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), E.E. Presidente Kennedy (Cachoeirinha), E.E. Santos Dumont (Porto Alegre) e no Curso Pré-Universitário (Porto Alegre) onde ministrava aulas sobre redação.

Durante muitos anos fez parte da banca de correções de redação nos vestibulares da PUC-RS.

E-mail: mafalda.orlandini@hotmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/mafalda.orlandini

 




Opinião do internauta

Deixe sua opinião

Comemoramos hoje - 21.08

  • Dia da Habitação
  • Dia do Haziel
  • Dia do São Pio X