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O Chalé da Praça XV

Mafalda Orlandini

27.05.2013

O Chalé da Praça XV

Estava lendo Zero Hora e deparei com uma reportagem “A vez das obras na Praça XV”. Já perdi a conta de quantas vezes anunciaram reformas no Chalé da Praça XV. Se fizeram ou não fizeram as obras anunciadas, nunca pude constatar pessoalmente, porque não volto lá faz muitos anos .Pela reportagem, pude conferir que muito já foi feito e que agora será iniciada a última etapa do projeto de revitalização da Praça XV e seu entorno. O Chalé da minha lembrança é o da década de quarenta e tem um significado muito especial.

Nós quatro, Benito, Leda, Lourenço e eu aguardávamos com ansiedade o passeio de carro num dia de Carnaval. Cada um ganhava um pacote de serpentina, um de confete e um  lança-perfumes. Naquele tempo, esse último era liberado e ainda não faziam mau uso dele. A única recomendação era não abrir o vidro do carro para não nos jogarem nos olhos porque ardia muito. Desfilávamos de carro por entre os foliões, acho que na Borges de Medeiros, e íamos, depois, para o Chalé que, na época, era um local muito bem frequentado pelos porto-alegrenses.

Lá ficávamos um bom tempo. Papai, não raro, encontrava amigos, tomava chope, mamãe e nós tínhamos direito a guaraná e a uma guloseima qualquer. Ouvíamos sentadinhos as modinhas de Carnaval da época. Não me lembro de dançar ou cantar. Jogávamos lança-perfumes e confete nos outros. Gastávamos todo confete para não fazer sujeira em casa. Economizávamos a serpentina para fazer rolinhos coloridos e depois brincar de Carnaval. Era como curtíamos os festejos de Momo. Parece pouco, mas lembremos que éramos crianças de dois, quatro, seis e oito anos. É claro que já havia brincadeiras nos clubes, mas aquilo não era ainda para o nosso bico. E bastava aquele passeio inesquecível para nos deixarem muito felizes.

Não sei quando começaram os bailes infantis, mas faz um tempo que as crianças vão para os clubes e vestem fantasias lindíssimas e caras. Os pais levam os filhos e participam da folia. Eu já vi muito papai pulando com os filhos nos ombros nos bailes infantis, muitas mamães e vovós orgulhosas, acompanhando as crianças que se divertem como gente grande. Até levei meus netos, fiquei tomando uma cervejinha e me divertindo também. É outro tempo, outro século. Eu, no entanto, terei sempre o Chalé da Praça XV como sinônimo do melhor Carnaval do meu mundo infantil.

Desta vez anunciaram verba de R$ 2,8 milhões para a última etapa do projeto. Haverá mais lugar para estacionar, rampas e piso tátil, facilitando a acessibilidade de pessoas e de veículos. Daqui a um ano, poderei conferir se o Chalé da Praça XV ficou lindo como aparece em minhas lembranças e ver se ele conseguiu recuperar o brilho e a importância que representava para a cidade.


Tags: Mafalda Orlandini, crônicas


Mafalda Orlandini é professora de português e literatura aposentada. Lecionou nos colégios: Nossa Senhora do Rosário (Porto Alegre), Vera Cruz (Porto Alegre), Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), E.E. Presidente Kennedy (Cachoeirinha), E.E. Santos Dumont (Porto Alegre) e no Curso Pré-Universitário (Porto Alegre) onde ministrava aulas sobre redação.

Durante muitos anos fez parte da banca de correções de redação nos vestibulares da PUC-RS.

E-mail: mafalda.orlandini@hotmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/mafalda.orlandini

 




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