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O Haras Realce

Mafalda Orlandini

12.08.2013

O Haras Realce

Quando meu marido e eu voltamos de uma viagem a Buenos Aires, aguardava-nos uma surpresa: papai comprara umas terras no Beco do Cego, em Belém Novo. Iria, enfim, criar o tão sonhado Haras Realce à beira do Guaíba. Estava muito entusiasmado, feliz e logo iniciou as construções.


Pórtico de entrada

Meu pai mostrou logo seu lado empreendedor e seu sonho foi logo criando vida. Iniciou o que podemos considerar uma construção luxuosa para os cavalos puro sangue. Era um prédio enorme, com cocheiras amplas e uma parte central de dois pisos para o caminhão estacionar e os funcionários passarem os fardos de rações e alfafa diretamente para o andar de cima. Ao lado foi construído um lago para os cavalos fazerem exercícios de natação. No centro, havia uma ilhazinha em que ficava o treinador segurando o animal pela rédea para poder nadar com segurança. Espalhou gansos e patos pelo lago que ficou cheio de vida e beleza. Lembro-me de um macho que ficou sem fêmea e resolveu chocar uns pedaços de pedra como se fossem ovos. Tínhamos que ter cuidado, porque ele atacava as crianças.


Cocheiras

Importou um garanhão francês para cobrir as éguas. Meu cunhado veterinário, Carlo Schifino, encarregou-se da cobertura e inseminação das éguas, pois era um profissional grande conhecedor do assunto. Chegou a morar no Haras para cuidar melhor. Depois de um tempo, nasceram potros e potrancas lindíssimas, mas houve alguns contratempos. Um funcionário errou na dose do vermífugo e matou dois ou três de uma só vez. Ainda mais, o cavalo francês não era tão competente assim e não valeu o seu preço. Foram perdas razoáveis e sentidas.


Alzira e José Guido na frente da residência nova.

Mandou também construir uma residência nova mais perto do Guaíba. Era uma casa térrea, ampla com muitos dormitórios. Os filhos traziam os amigos e os namorados para passarem os fins de semana conosco. A casa vivia cheia e meu irmão Benito fazia um churrasco de cordeiro mamão que ficou famoso entre os amigos e os parentes. Havia horta, criação de galinhas, vacas leiteiras, árvores cheias de frutas. Não é preciso dizer que enchíamos cestos e nos abastecíamos para toda a  semana

Meu filho, no princípio, era o único neto e sobrinho, o reizinho mimado, mas, em seguida, chegaram os filhos dos meus irmãos para tirá-lo do trono. E foi nesse ambiente de alegria e de fartura que meus filhos e sobrinhos passaram a maior parte da infância. Eles têm muito boas lembranças e travessuras para recordar. Mas isso é matéria para outras histórias.


Tags: Mafalda Orlandini, crônicas


Mafalda Orlandini é professora de português e literatura aposentada. Lecionou nos colégios: Nossa Senhora do Rosário (Porto Alegre), Vera Cruz (Porto Alegre), Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), E.E. Presidente Kennedy (Cachoeirinha), E.E. Santos Dumont (Porto Alegre) e no Curso Pré-Universitário (Porto Alegre) onde ministrava aulas sobre redação.

Durante muitos anos fez parte da banca de correções de redação nos vestibulares da PUC-RS.

E-mail: mafalda.orlandini@hotmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/mafalda.orlandini

 




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