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Haras ou Granja

Mafalda Orlandini

02.09.2013

Haras ou Granja

Para papai, era o Haras. Para nós, era a granja ou o sítio onde podíamos passar os fins de semana com nossa família e curtir a vida. Não demorou muito e começaram a chegar outros netos para fazer companhia ao primeiro que era o Oscar. Foi um tempo em que se festejou a alegria de novos membros chegando e aumentando a família. Vieram compartilhar conosco muitos amigos da adolescência que degustavam os deliciosos churrasquinhos de ovelha que o Benito fazia.


Amigos e parentes em visitas a Granja.

O único neto que já tinha idade para andar a cavalo era o Oscar. Ganhou um petiço que foi domado e amansado por um tratador muito competente. O Oscar aprendeu a andar por toda a granja apesar da pouca idade. Era bonito de se ver quando ele chegava nos fins de semana. O petiço ficava no campo e não deixava ninguém pegá-lo. Bastava o pequeno dono chegar junto à cerca e chamar que ele vinha relinchando feliz.

Quando a granja foi comprada, havia um tambo com ordenha mecanizada e o leite era recolhido por empresas para ser beneficiado. Durante um tempo foi explorada a sua venda, mas não era a vocação do novo proprietário. Dava mais problema do que lucro e as vacas holandesas foram vendidas. Meu pai era um homem ativo e curioso, gostava de criar e dar trabalho a quem viesse com uma boa proposta de lucro. Assim experimentou de tudo naquelas terras.

Durante anos plantou arroz, aproveitando a irrigação do Guaíba. Comprou uma colheitadeira para colher o arroz que era armazenado em um enorme galpão. Não deixávamos as crianças entrarem ali porque era perigoso. Tentou o sistema do transplantio do arroz em que as plântulas são criadas em viveiros ou sementeiras antes de irem para o local definitivo. Não tenho certeza, mas acho que até houve uma tentativa de beneficiar o arroz antes de vendê-lo.

Em outra oportunidade arriscou  criar porcos em pocilgas limpas. Fez até uma construção especial, quase luxuosa, e uma casa próximo para o Alemão, o criador entusiasmado, e a mulher. Não foi nada fácil, pois os chiqueiros eram lavados diariamente. Não sei quanto tempo durou, mas não vingou por muito tempo.

Se bem me lembro, quando o Haras foi vendido, o que ainda existia era o aviário, com a criação de frangas poedeiras e a venda de ovos. Quem cuidava era um homem sério e trabalhador, o Alcides, que já estava nas terras quando meu pai as comprou. Era, portanto, um agricultor experiente, dedicado. Realmente, o que penso é que meu pai contratou pessoas que não tinham experiência, curiosos, aventureiros. Também faltou a bendita EMATER para orientar.

O que se reproduziu melhor foi a família que se formou naquele tempo. Não costumávamos tirar muitas fotos, mas esta é memorável. Estão ainda faltando seis dos quinze netos que vão formar a equipe dos descendentes do vô Guido e da vó Alzira: dois filhos da Leda (Fábio e Cristiano) e quatro do Lourenço (Flávia, Lorena, Lísia e Lourenço).

Acima: Alzira, Liane, vô Guido e Oscar.
Centro: Ana Clarissa, Gustavo, vó Alzira com a Fernanda ao colo, Ricardo e Carlo Antônio.
De joelhos, Ana Virgínia.

Das travessuras e brincadeiras dessas crianças tenho muita coisa para contar e que virão em outras oportunidades. O que mais me diverte é a discussão entre meu filho Ricardo e minha afilhada Liane. Ela reclama que ele roubou o leite dela, pois mamou na mãe dela que tinha abundância de leite e eu não. Mas tudo termina sempre em paz, em risadas, porque se abraçam dizendo que são irmãos de leite.


Tags: Mafalda Orlandini, crônicas, mãe


Mafalda Orlandini é professora de português e literatura aposentada. Lecionou nos colégios: Nossa Senhora do Rosário (Porto Alegre), Vera Cruz (Porto Alegre), Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), E.E. Presidente Kennedy (Cachoeirinha), E.E. Santos Dumont (Porto Alegre) e no Curso Pré-Universitário (Porto Alegre) onde ministrava aulas sobre redação.

Durante muitos anos fez parte da banca de correções de redação nos vestibulares da PUC-RS.

E-mail: mafalda.orlandini@hotmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/mafalda.orlandini

 




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