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O Primeiro Rádio em Casa

Mafalda Orlandini

16.09.2013

O Primeiro Rádio em Casa

Ao longo de 1996 ocorreu o boom da internet. Graças aos bons serviços da EMBRATEL, multiplicaram-se tanto os usuários quanto os provedores e os serviços prestadores da rede. O celular tornou-se o sonho de consumo, era obrigatório ter um celular. Meus filhos me presentearam com meu primeiro celular, um monstrengo, se comparado aos de hoje.

Zero Hora de domingo, dia 30 e agosto, publicou uma reportagem especial – “Os Nativos Digitais”, de Marcelo Sarkis. Vi ali o que podemos considerar como retrato da minha família. Lembrei-me então do que aconteceu, quando meu pai trouxe, em1936, o primeiro rádio para casa. Foi uma festa. Todos sentavam na sala para ouvir as músicas e as pessoas falando. Eu tinha seis anos, viera do interior e ainda não fora à escola. Só comecei a estudar aos oito anos. O rádio era uma caixa grande, mais ou menos de 40 por 60 centímetros e a parte superior em forma de abóbada. Eu esperava que todos saíssem da sala para olhar atrás do rádio e ver se surpreendia os homenzinhos que acreditava estarem escondidos dentro, cantando e falando. Guardava meu segredo até que não aguentei e perguntei ao papai. Ele deu boas risadas e me explicou direitinho e com paciência. Acho que meus filhos nem acreditaram quando eu contei essa história.

Em 1996, eu trabalhava no Universitário e no Colégio Santos Dumont. Comentávamos, eu e as professoras, sobre os analfabetos digitais. Já tinha sessenta e quis um computador. Um filho me questionou se eu saberia usá-lo. Disse que contrataria uma professora de informática. Ele me deu um computador usado de sua empresa. Dois anos depois, entusiasmada, comprei outro. Hoje escrevo meus textos com facilidade, recebo e mando e-mails, brinco no “face”, pesquiso sobre assuntos do meu interesse. A internet faz parte da minha vida. Apesar de ter nascido antes da ll Guerra Mundial, pela maneira de usar a tecnologia digital, pelo meu esforço, acho que posso me incluir na geração BB os chamados Baby Boomers. Não pintei a cara e não fui às ruas na revolução paz e amor, mas acompanhei e rezei por ela.

Voltemos a Zero Hora que classifica os nativos digitais em quatro gerações. Para não ficar fora, eu me incluí na BB. Os meus filhos, pela época em que nasceram e pelas características que lhes são atribuídas pelo autor da reportagem, são da geração X. São independentes, vivem em busca do sucesso pessoal, dão grande importância à carreira, à tecnologia ligada ao próprio trabalho. Os meus netos fazem parte da geração Y, sem dúvida. São muito ligados à tecnologia e informática, têm muitas atividades, compartilham com os amigos nas redes sociais. Usam o computador no trabalho diário: Jornalismo, Pedagogia da Informática, Administração de Empresas e Ciência da Computação.

No entanto o que mais me impressiona são os três últimos meninos da família que nasceram a partir de 2004. O neto Luan, que tem oito anos, já nasceu dominando a TV, seus desenhos, canais, jogos. Tem um tablet, um celular e perfil no facebook. Tem a maior facilidade em aprender tudo. Meu bisneto Pedro, com seis anos é um apaixonado pelo jogo de xadrez. Joga com o computador e aprendeu como dar um cheque mate. Quem se atreve a jogar com ele cai nas armadilhas e perde. Ele conhece todos os jogos e desenhos pertinentes à sua idade.


Luan, meu neto.


Pedro, meu bisneto.

O outro bisneto, o João, que tem 15 meses, pega o tablet com curiosidade, olha desenhos na TV, procura apertar tudo que é botão que vê e tem seu nome e sua vida registrada desde o útero de sua mãe. Entre mim e João há oitenta anos. Não sei quais as modernidades e invenções que o esperam, mas sei que ele não vai procurar homenzinhos na TV, no tablet e no computador, ou seja, qual for a invenção. Qualquer ficção científica, por mais ousada que seja, pode-se torar realidade amanhã ou depois Só espero que ele viva feliz num mundo em que a tecnologia só sirva para o bem, para um mundo de paz.


João, meu bisneto.


Tags: Mafalda Orlandini, crônicas


Mafalda Orlandini é professora de português e literatura aposentada. Lecionou nos colégios: Nossa Senhora do Rosário (Porto Alegre), Vera Cruz (Porto Alegre), Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), E.E. Presidente Kennedy (Cachoeirinha), E.E. Santos Dumont (Porto Alegre) e no Curso Pré-Universitário (Porto Alegre) onde ministrava aulas sobre redação.

Durante muitos anos fez parte da banca de correções de redação nos vestibulares da PUC-RS.

E-mail: mafalda.orlandini@hotmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/mafalda.orlandini

 




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