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Apostando na Diversificação

Mafalda Orlandini

30.09.2013

Apostando na Diversificação

Meu pai era um homem ativo e empreendedor. Quando não acertava nos negócios, não comentava com os familiares, não se lamentava. Assim, a Fazenda, para nós, era só para o lazer dos fins de semana, eram alegres reencontros familiares. Foi um período inesquecível e feliz.


Foto de 1961: turminha dos cinco netos mais velhos e de uma prima.
À frente: Ana Virgínia, Oscar, Alzira e Liane. Atrás: Loni Maria e Ricardo.

O Haras, que já era chamado de Fazenda pelas crianças, tinha muito espaço para pequenos empreendimentos e papai se aventurou em muitas novidades que encontravam um mercado lucrativo na época. A partir da década de cinquenta, certas especialidades como champignon, ovos de codorna, variedade de peixes exóticos etc..., foram acrescentados à mesa do gaúcho por imigrantes chineses e japoneses. Meu pai fez tentativas de produzir champignon, ovos de codorna e criar tilápias.

A pessoa que meu pai contratou para cultivar champignon, deve ter sido inexperiente, descuidado. Quando perguntei, depois de um tempo, se já estava na hora de colher, meu pai disse que as ratazanas haviam invadido o espaço e comido tudo. Nunca consegui comer um ovo de codorna, porque não deu certo também. Agora sei que é um negócio que precisa de muitos cuidados: ração especial, climatização cuidadosa, higienização, atenção de muitos funcionários. Acho que não houve acerto do empreendedor e planejamento indispensáveis.

A criação de tilápias, um peixe considerado exótico, é outra história. Os ambientalistas odeiam as tilápias e não aprovam a produção junto aos rios. Afirmam que elas agridem a natureza, prejudicam a fauna. São alimentadas com rações e farelos que, após a digestão, são expelidos, deixam as águas turvas e provocam a proliferação de algas. Os tanques-rede junto ao Guaíba foram interditados pela fiscalização e as tilápias sacrificadas. Hoje sei que criam tilápias por todo o mundo, que é um peixe de carne branca, macia e gostosa, e de grande aceitação. Isso foi em 1970 e hoje acredito que a criação de tilápias segue literalmente as regras de proteção ao meio ambiente.

Meu pai sempre buscou outras formas de produzir e aproveitar suas terras. Foi escolhida uma área para o plantio de acácia negra. Os pequenos produtores costumavam plantar acácia porque, em dois anos e meio, já podiam usar a casca para produzir tanino e energia. E o corte pode ser feito em menos tempo que outras espécies, apenas cinco a dez anos. Era uma renda não desprezível entretanto, após dois anos, meu pai negociou aqueles 20 hectares com um credor.

Vendeu também outra área para os irmãos Maristas do Colégio Rosário que fizeram um sítio para lazer deles mesmos. Não sei se meus irmãos sabiam desses fatos, mas meu pai conversava muito comigo porque eu me interessava, fazia perguntas, e eu gostava de ouvi-lo comentar.


Vó Alzira no seu jardim.


Os netos Liane, Alzira e Ricardo, com as flores.

As lembranças da Fazenda são de festa, de dias na cabana da beira do rio, de brincadeiras no Guaíba, de churrascadas, de fartura. Nos fins de semana, era comum enchermos cestas com os produtos de produção familiar: frangos, ovos, pedaços de cordeiro, legumes, verduras, leite, frutas. Houve um tempo em que, além do “rancho”, levávamos cestas de flores para enfeitar a casa na cidade. Tudo oferecido com o maior carinho e orgulho pelos nossos queridos pais “fazendeiros”.


Tags: Mafalda Orlandini, crônicas


Mafalda Orlandini é professora de português e literatura aposentada. Lecionou nos colégios: Nossa Senhora do Rosário (Porto Alegre), Vera Cruz (Porto Alegre), Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), E.E. Presidente Kennedy (Cachoeirinha), E.E. Santos Dumont (Porto Alegre) e no Curso Pré-Universitário (Porto Alegre) onde ministrava aulas sobre redação.

Durante muitos anos fez parte da banca de correções de redação nos vestibulares da PUC-RS.

E-mail: mafalda.orlandini@hotmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/mafalda.orlandini

 




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