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Rumo a São Paulo

Mafalda Orlandini

07.10.2013

Rumo a São Paulo

A vida corria tranquila em 1958, quando nasceu meu segundo filho. Veio então uma proposta da Empresa em que meu marido trabalhava: uma promoção para a matriz com o dobro do salário e mudança com as despesas pagas. Parecia muito bom, e não contabilizamos as mordomias de Porto Alegre, e a diferença do custo de vida na capital paulista. Meu marido foi antes e alugou uma casa, uma bela casa, por sinal. Esperei meu bebê fazer quarenta dias e lá fui eu de malas e bagagens.


Casa no bairro Indianópolis com os dois amigos já adolescentes, Oscar e Renato em um reencontro.

Comprei as passagens: minha, do filho mais velho e da babá. Antes de o avião levantar voo, para minha surpresa, vieram me dizer que o avião não poderia partir por causa do bebê. Eu deveria ter pago um seguro de vida e não sabia. Resolvido o primeiro contratempo, mais tarde, surgiu outro: a comissária comunicou que, por ter um recém-nascido a  bordo, não poderíamos atravessar uma forte turbulência e desceríamos em Curitiba. É claro que o voo atrasou e meu marido entendeu que houvera “pânico” no avião e uma aterrissagem forçada. Ele tinha fobia de viajar de avião e, nervoso, ouviu mal e fantasiou em cima do fato.

A casa era nova, ficava num bairro muito bom e logo fizemos boas amizades com os vizinhos Na outra esquina, morava um casal com dois filhos de idade aproximada do Oscar, seis anos. Tornamo-nos inseparáveis companheiros de churrascadas. Isso ocorria aos sábados ou domingos porque o Ney saía pela manhã, quando as crianças estavam dormindo e voltava quando já não estavam mais acordados. O escritório era no centro da cidade e o bairro em que morávamos era muito distante para vir em casa no meio do dia. Resultou que eu sentia muitas saudades e foi difícil a adaptação.

Entretanto ficou uma lembrança preciosa daquele período: a amizade com a família Gennari. (Nancy ,Ronald, Ricardo e Renato). Ronald e Nancy formavam um casal lindo. Irradiavam simpatia. Nancy era uma pessoa especial. Naquele tempo, lutava contra uma doença grave que acabou por levá-la à morte antes dos quarenta anos. Encarava com coragem e serenidade o dia a dia. Eles vieram nos visitar em POA e nós retornamos outras vezes a São Paulo. Vivemos alegres momentos na casa do Imbé e na Fazenda. Pena que nada é para sempre. Ney e Nancy nos deixaram em1968. Anos depois, foi o Ronald. Hoje só resta a amizade do Renato por quem temos muito carinho e continuamos a manter contatos em datas especiais.

Era bonito de ver como se davam bem nossos filhos: o Oscar, o Ricardo e o Renato. Só o bebê não podia acompanhar. Começaram a ir à pré-escola juntos. Quando um fazia uma travessura, os outros acompanhavam. Iam de Kombi e o motorista veio queixar-se de que não poderia mais levá-los porque faziam xixi pela janela.

Um dia, desapareceram durante a tarde. Aflitas perguntávamos por eles. Ao anoitecer, descobrimos que estavam trabalhando de gandulas, recolhendo as bolas dos tenistas num clube próximo. A última vez em que os irmãos vieram ao Sul, foi para passar as férias de verão no Imbé. Já adolescentes, usavam meu carro para dar cavalos de pau, nas areias do Braço Morto. Essa última travessura eu só fiquei sabendo anos depois.


Renato e Ricardo Gennari com o pequeno Ricardo Orlandini.


Ronald Gennari com o pequeno Ricardo e um cãozinho numa das visitas à Lindóia no interior de São Paulo.

Ficamos um ano e meio em São Paulo .Tanto o Ney como eu éramos gaúchos apegados ao nosso chão e optamos por voltar a Porto Alegre. Aquele pouco tempo em São Paulo foi marcado por essa amizade inesquecível que emociona até hoje. De vez em quando, trocamos mensagens com o Renato e promessas de um dia nos reencontrarmos. Há pessoas que marcam nossas vidas e, mesmo que tenham passado como um corisco no céu, deixam profundas marcas e saudades em nossos corações.


Tags: Mafalda Orlandini, crônicas


Mafalda Orlandini é professora de português e literatura aposentada. Lecionou nos colégios: Nossa Senhora do Rosário (Porto Alegre), Vera Cruz (Porto Alegre), Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), E.E. Presidente Kennedy (Cachoeirinha), E.E. Santos Dumont (Porto Alegre) e no Curso Pré-Universitário (Porto Alegre) onde ministrava aulas sobre redação.

Durante muitos anos fez parte da banca de correções de redação nos vestibulares da PUC-RS.

E-mail: mafalda.orlandini@hotmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/mafalda.orlandini

 




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