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Os Jacarandás de Porto Alegre

Mafalda Orlandini

04.11.2013

Os Jacarandás de Porto Alegre

Em São Paulo, éramos sempre apresentados como gaúchos e porto-alegrenses. Certa vez, conhecemos um casal carioca. A senhora logo foi dizendo que conhecia Porto Alegre, que era uma cidade belíssima, que os jacarandás lilases eram um encanto, deixavam as ruas alegres, coloridas Fiquei muda, envergonhada porque nunca prestara atenção aos jacarandás, e nem sabia qual era o nome daquelas árvores. Quando era menor, ao passear pelas ruas, o que eu fazia era juntar suas sementes, que eram duras, lenhosas. Costumávamos brincar com elas e chamá-las de orelhas de macaco.

Desde que voltei a Porto Alegre, passei a observar, a conferir o que a carioca havia dito. Apreendi, então, que há ipês, paineiras, flamboaiãs e espirradeiras que florescem todos os anos, nas mais diversas cores, espalhando-se pelos bairros. Aguardo a Primavera com ansiedade para deliciar-me com o espetáculo. Desde aquela ocasião, passei a ver a cidade com outros olhos. Acompanhei a polêmica dos túneis verdes, a luta dos ambientalistas pela sua preservação até a assinatura do Prefeito, em 2012, pela lei que que proíbe que essas árvores centenárias sejam abatidas. Realmente, como disse a carioca, é uma a cidade muito verde e colorida, dona de um patrimônio muito raro que deve ser protegido, conservado.

A Rua Doutor Barcelos vai até o estuário do Guaíba e é possível, quando chega a Primavera, admirar, aqui da parte mais alta da rua, uma paisagem deslumbrante e ainda enriquecida pelo pôr-do-sol mais belo do mundo. No entanto, neste ano, eu ando muito preocupada. Não consigo ver a paisagem dos anos anteriores se repetir. Só consigo avistar três jacarandás meio floridos pelas janelas dos fundos, mais acima da rua. As plantas não estão conseguindo florescer. Algumas outras espécies, mal abrem suas pétalas, esparramam-se pelo chão por causa do excesso de chuva. Nos frequentes temporais, ventanias, quedas de granizo e até furacões, quebram-se muitos galhos que caem em cima de carros e de casas.

Outro dia, a ventania arrancou uma árvore de um condomínio aqui na rua. Os bombeiros foram acionados para retirá-la. Isso tem acontecido com frequência pela cidade. Um episódio lamentável é aquele do parque Farroupilha em que um eucalipto caiu em cima de várias pessoas, tendo matado uma delas. Será que é apenas questão de ventania? Ou será a precipitação fora do comum das chuvas? Será que os cupins assassinos ou as pragas estão minando as raízes? Nossas árvores centenárias estão ficando fracas, doentes.

Minha maior preocupação é que a natureza agredida esteja respondendo à nossa falta de amor, de cuidados com ela. Com certeza, justifica-se a preocupação dos ambientalistas que questionam sobre o futuro que deixaremos para nossos filhos e netos. Infelizmente, pressinto uma luz vermelha de alerta que nem todos querem perceber.



Túnel verde da Rua Gonçalo de Carvalho


Avenida Ipiranga


Entrada do Centro de Porto Alegre pela Borges de Medeiros


Tags: Mafalda Orlandini, crônicas


Mafalda Orlandini é professora de português e literatura aposentada. Lecionou nos colégios: Nossa Senhora do Rosário (Porto Alegre), Vera Cruz (Porto Alegre), Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), E.E. Presidente Kennedy (Cachoeirinha), E.E. Santos Dumont (Porto Alegre) e no Curso Pré-Universitário (Porto Alegre) onde ministrava aulas sobre redação.

Durante muitos anos fez parte da banca de correções de redação nos vestibulares da PUC-RS.

E-mail: mafalda.orlandini@hotmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/mafalda.orlandini

 




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