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Pescando lambaris e jundiás.

Mafalda Orlandini

02.12.2013

Pescando lambaris e jundiás.

Costumávamos fazer, periodicamente, piqueniques e pescarias em Belém Novo. Às vezes, ficávamos em uma parte arborizada com muitas outras pessoas, próximo ao restaurante. Outras vezes, íamos mais adiante, sobre umas rochas, junto à praia. Esses passeios que tanto curtíamos devem ter ido até quase 1950 porque eu tenho uma foto do meu irmão Lourenço na garupa do meu futuro marido e eu já tinha uns dezessete anos.


Meu futuro marido Ney com o meu irmão Lourenço na garupa.


Meu futuro marido Ney nas rochas

A festa começava no dia anterior com a preparação da tradicional cesta para piquenique cheinha de inúmeras gostosuras. Um dia, mamãe esqueceu-se de trazer o sal para os ovos duros. Mandou-nos pedir nas casas próximas. Incrível: naquele tempo, ninguém gostava de dar sal, pois diziam que dava azar. Mamãe nos deu umas moedas e orientou-nos a dizer que queríamos “comprar” o sal.

Também preparávamos os caniços, os anzóis, as iscas. Era uma alegria quando se pegava um lambari, um jundiá. As pescarias, sempre foram fracas, não me lembro de alguma grande fritada. Mas cada um que conseguia um peixinho se achava o máximo. O Benito era o que mais se esforçava para ser um grande pescador. O que valia mesmo era o passeio.


A minhã mãe Alzira sempre chique e meu pai José Guido.
Era assim que ela se vestia e se penteava para as pescarias.
Eu gosto muito dessa foto.

As pescarias são lembradas com saudades, como aventuras, mas também havia outros divertimentos. Não era hábito ir aos clubes dos quais éramos sócios (Leopoldina Juvenil ou Clube do Comércio). Também não costumávamos ir a parques de diversões. Passeávamos muito de carro pela cidade, e podíamos ir às matinés dos cinemas Colombo e Ipiranga e tínhamos sempre a casa aberta aos amigos. Aliás, a moça que fosse a um daqueles cinemas no domingo ganhava uma cortesia para segunda-feira. E, naquele dia, as moças voltavam ao cinema e os “guris“ também. Só para ver mais um pouco os namorados ou as namoradas.

Assim foi que vivemos aquela época até nos mudarmos para o casarão da 24 de Outubro e papai comprar o Haras Realce. Dizem que a gente fantasia a infância ou a adolescência. No entanto, seguidamente, aparecem alguns amigos, remanescentes daquele período de ouro, e servem como testemunhas oculares de que era assim mesmo que o lazer funcionava entre a classe média. Então, chegou a hora de começarem os casamentos da família. Havia outros interesses. Os lares recém-formados foram enchendo-se da alegria de muitas crianças lindas e saudáveis.


Tags: Mafalda Orlandini, crônicas


Mafalda Orlandini é professora de português e literatura aposentada. Lecionou nos colégios: Nossa Senhora do Rosário (Porto Alegre), Vera Cruz (Porto Alegre), Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), E.E. Presidente Kennedy (Cachoeirinha), E.E. Santos Dumont (Porto Alegre) e no Curso Pré-Universitário (Porto Alegre) onde ministrava aulas sobre redação.

Durante muitos anos fez parte da banca de correções de redação nos vestibulares da PUC-RS.

E-mail: mafalda.orlandini@hotmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/mafalda.orlandini

 




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