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Um Balneário Diferenciado

Mafalda Orlandini

03.02.2014

Um Balneário Diferenciado

O Imbé nasceu junto a embocadura do Rio Tramandaí, do lado oposto à Tramandaí, a praia mais antiga do litoral norte. Sua posição geográfica é excepcional. Faz divisa com o canal da Barra a sudoeste, e a noroeste com a Lagoa. E como se não bastasse, é banhado a leste pelo Oceano Atlântico.


Vista aérea do Imbé-RS.

A parte mais antiga do balneário foi planejada para ser loteada. É uma avenida principal, larga, reta, duas pistas, com uma igreja muito bonita na parte central. Dos lados opostos, os terrenos foram projetados de modo curvilíneo, formando uma espécie de leque para cada lado. Anos mais tarde, começaram a lotear a parte nova do Imbé. Os terrenos são maiores e permitiram a construção de casas mais luxuosas. Não sei se ainda é, mas era proibido fazer prédio de mais de dois andares. Na rua em que eu morava, a Novo Hamburgo, existia o único prédio que, me parece, tinha três andares.


Antiga Ponte do Imbé com o pessoal pescando.

O que realmente sempre destacou o Imbé foram seus recursos naturais. Nenhum turista podia perder a beleza dos botos perseguindo as tainhas que, por sua vez, queriam pegar as sardinhas na entrada do canal. Sempre quando isso acontecia, lá pelos idos dos anos sessenta e setenta, a notícia corria de boca em boca e os veranistas pegavam o caniço e iam pescar. Havia uma ponte de madeira que ligava ao outro lado dos molhes e ficava lotada de pescadores amadores. O que me impressionava era a pesca sem iscas. As sardinhas prendiam-se ou abocanhavam os anzóis ao natural. Era só puxar e lá vinha uma sardinha prateando ao sol. A molecada ficava feliz, quando trazia meio balde de sardinhas para fritar.


Os pescadores e "O Boto".

Diziam que, naquele tempo eram dez botos, amados e aguardados pelos pescadores. Até nome receberam, porque eram conhecidos pelos sinais ou machucaduras que os diferenciavam. No bendito dia em que apareciam fazendo piruetas atrás das tainhas, a pesca era farta. Os botos são considerados patrimônios culturais da cidade. Tanto é que o símbolo da cidade é um boto.


Monumento ao Boto (Imbé-RS)

Nós precisávamos atravessar uma precária ponte de madeira porque a praia, frequentada era do outro lado, junto a vila dos pescadores. Essa ponte ficava na frente da casa das minhas sobrinhas, Fernanda e Flávia, mas era longe da minha casa. Nos primeiros dias, meu marido levava o nosso guarda-sol e as cadeiras e deixava na praia até o fim do veraneio. É que um pescador construíra uma cabana, guardava nossos pertences e de outros veranistas por uma módica quantia durante a temporada. Então eu podia ir todas as manhãs bater papo com minhas amigas e levar só uma bolsa com toalhas e lanches. Essa ponte foi depois interditada o que causou muita discussão. Fomos obrigados a mudar o local para o banho.

À tarde já era diferente. A praia era frequentada só pelas domésticas. Que gostavam de paquerar os salva-vidas. As senhoras se ocupavam com jogos, leituras, bordados, ou descansavam. Para as crianças não faltavam brincadeiras, jogos, futebol: Eu me lembro que meus filhos, os Orlandini Pereira, confraternizavam com as famílias Rossi, Martinewski, Thomaz, Endler, Figueras, Azambuja e outras que apareciam em alguns veraneios. Eram quinze ou vinte crianças, e pré-adolescentes.


A turminha do Imbé Norte (1969)..

Havia outro espetáculo a parte: o movimento dos barcos dos pescadores que entravam e saíam com frequência pelo canal. Às vezes o tempo mudava e eles tinham dificuldade em retornar à terra e ficávamos torcendo pela vida deles. Então foram feitos os molhes para ajudar na movimentação da barra. Todo esse encanto natural fez do Imbé “nossa” praia. No início ainda não havia a paixão pelo Braço Morto. Entretanto essa é outra história.


Tags: Mafalda Orlandini, crônicas


Mafalda Orlandini é professora de português e literatura aposentada. Lecionou nos colégios: Nossa Senhora do Rosário (Porto Alegre), Vera Cruz (Porto Alegre), Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), E.E. Presidente Kennedy (Cachoeirinha), E.E. Santos Dumont (Porto Alegre) e no Curso Pré-Universitário (Porto Alegre) onde ministrava aulas sobre redação.

Durante muitos anos fez parte da banca de correções de redação nos vestibulares da PUC-RS.

E-mail: mafalda.orlandini@hotmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/mafalda.orlandini

 




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