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Braço-Morto, Imbé

Mafalda Orlandini

10.02.2014

Braço-Morto, Imbé

Além das muitas atrações naturais do Imbé, começou a se destacar, na metade da década de sessenta, outra “coqueluche” dos veranistas. Muitas pessoas, principalmente jovens e crianças, procuravam o que se convencionou chamar Lago Braço-Morto. Era uma extensão da barra do Rio Tramandaí que foi fechada para facilitar a entrada dos pesqueiros Ao lado restou uma extensão de areia que, dizem, a prefeitura mandava aplainar nos fins de semana, para facilitar as brincadeiras dos veranistas.


Hoje o Braço-Morto é assim, cercado de belas residências e com uma área bem menor.

Uma turminha adorava passar a tarde todinha lá, onde podiam nadar com segurança, pescar, usar boias e brinquedos daquele tempo , jogar vôlei, futebol Mas o que meus filhos mais curtiam era andar em um carrinho que era puxado por um automóvel. O carrinho que era muito disputado, fora feito por um tio dos Martinewski que os acompanhava nas aventuras. Claro, meus filhos falam que foi inesquecível aquele tempo porque era um grupo o de amigos inseparáveis que se divertiam todos os anos juntos.

O local enchia-se de carros: Fuscas, Gordinis, Simcas, Bugs, DKVs. Contavam que até faziam competições, piruetas e pequenas corridas. Meu filho mais velho, que ainda não tinha dezoito anos, aprendeu a dirigir com minha caminhonete DKW azulzinha indo diariamente até lá. Naquele tempo, era permitido dar aulas de direção e aproveitar para ensiná-lo era um bom momento. Quando ele estava chegando aos dezoito e ansioso para tirar a CNH, atreveu-se a ir a Tramandaí às escondidas Ao voltar, na ponte que liga Tramandaí ao Imbé, um ciclista começou a trancá-lo. Irritou-se e deu uma batidinha no rapaz, derrubando-o. Azar o dele porque, na porta da Delegacia, estava um PM, tio do garoto, que foi procura-lo no Imbé para recolher o carro e prendê-lo. Foi aquela revolta na vizinhança quando viram os PMS levando-o preso. Eu não quis deixá-lo ir. Imagine, meu filho amado em um camburão. Por sorte, um vizinho muito solícito (que, por coincidência, se chamava José Oscar) veio em meu socorro e foi comigo à Delegacia e acalmou os PMS. Costumo relacionar essa travessura do Oscar ao Braço-Morto porque foi o único susto que passamos com policiais.


Turminha do Imbé Norte. Ao fundo a "possante" caminhonete DKW azulzinha, mais conhecida como "Deka".

O Imbé expandiu-se, cresceu, se emancipou. Surgiram supermercados, restaurantes, pousadas, hotéis. Já não precisávamos atravessar a ponte para adquirir todas as coisas. Fizeram 1200 metros de Calçadão e uma avenida que vai dos molhes até a Av. Garibaldi. Construíram modernas residências nessa avenida junto ao mar e a praia ganhou um ar mais cosmopolita. Até um hotel, o Samburá, considerado luxuoso para a época, surgiu no início do Calçadão, junto à barra. Do rio Tramandaí não saem só os barcos pesqueiros que se aventuravam quando o mar estava favorável. Hoje são velozes lanchas da Petrobrás que movimentam a paisagem todos os dias desde a madrugada.


Antiga ponte que ligava Tramandaí ao Imbé.


Tags: Mafalda Orlandini, crônicas


Mafalda Orlandini é professora de português e literatura aposentada. Lecionou nos colégios: Nossa Senhora do Rosário (Porto Alegre), Vera Cruz (Porto Alegre), Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), E.E. Presidente Kennedy (Cachoeirinha), E.E. Santos Dumont (Porto Alegre) e no Curso Pré-Universitário (Porto Alegre) onde ministrava aulas sobre redação.

Durante muitos anos fez parte da banca de correções de redação nos vestibulares da PUC-RS.

E-mail: mafalda.orlandini@hotmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/mafalda.orlandini

 




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