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Um Amor de Carnaval dezoito anos depois

Mafalda Orlandini

10.03.2014

Um Amor de Carnaval dezoito anos depois

É voz corrente dizerem que amor de Carnaval não dura, mas eu conheço um que perdura até hoje. Começou num Carnaval de um clube em Atlântida, o Ibisa, continuou na minha casa no Imbé e veio para Porto Alegre.

Eu havia feito uma casa maior e mais confortável na Rua Novo Hamburgo. Meus netos, desde os cinco meses de idade, passavam o verão comigo. Todos os anos, tinham os mesmos amigos que cresciam e se divertiam juntos. Com o passar dos anos, criaram um bloco para brincar no Carnaval com os vizinhos, parentes e amigos. Confeccionavam camisetas com um logotipo e alugavam um ônibus para levá-los a outras praias e a clubes mais animados. Era ótimo porque nenhum folião iria dirigir alcoolizado. Esse hábito de curtir o Carnaval durou muitos anos.

Minha casa era em frente à casa dos Lemos. Tanto uma casa como a outra eram circuladas por amplos gramados. Não havia cerca entre as residências e os jardins. A preparação para a folia funcionava durante todo o mês. Lá pelas dez horas da noite em que saíam para brincar, as caixas de isopor com latinas de cerveja já estavam bem geladinhas e espalhadas pelos dois gramados. Era tudo bem organizado e os foliões cuidavam de tudo, não davam o menor trabalho para os pais. Era uma festa alegre, sadia, sem atropelos sem a menor confusão. Até como eliminar a “ceva filtrada” era planejado. Os rapazes usavam os banheiros da casa dos Lemos e as meninas da minha casa. Meus filhos brincavam que, naquelas noites, havia fila de lindas garotas para o “xixi” lá em casa.

Quando já estavam bem alegres, chegava o ônibus e saíam na maior farra, cantando, dando risadas. Costumavam ir à Atlântida, e a outras praias. E foi ali, no Ibisa, entre confetes, serpentina, espumas e grito carnavalesco que minha neta Milena conheceu o amor da vida dela. No dia seguinte, me disse que havia dado o número do meu celular para um rapaz, pois ainda não tinha um. Não sabia se ele iria telefonar porque não o vira anotar nada. Estava ansiosa e, se telefonasse...era para...

Dias depois, quando veio pela primeira vez na minha casa, pegou a mão dele e foi direto para o quarto onde já estavam algumas amigas. Até hoje brinco com ela que, no meu tempo, não se levava o futuro namorado para o quarto no primeiro dia. Ela rebate rindo que não poderia ficar namorando e conversando com as amigas na minha frente. Ia ficar sem jeito.


Milena, Ricardo e esta vovó em 1997.

O melhor é que o Ricardo era um moço bonito, educado e logo conquistou a todos. Tinha um quê que as pessoas especiais têm. Passou a fazer parte do bloco do Imbé e da nossa família. Depois o namoro continuou na minha casa em Porto Alegre porque ela resolvera me fazer companhia e morava comigo. Levou algum tempo até poderem casar. Curtiram em ordem cronológica um namoro tradicional, um noivado sem pressa, montaram um apartamento perto da casa da vovó, casaram no civil e religioso e fizeram a badalada festa num clube. Sem pressa chegou o Pedro e depois o João... O Ricardo costuma brincar comigo hoje, dizendo que é um homem à moda antiga, por isso agiu como os homens de respeito faziam antigamente, seguindo o protocolo do bom moço.

O resultado daquele Carnaval (1997) está aqui, dezoito anos depois: o casal e meus dois bisnetos na sua casa lá na Vila Hípica.


Ricardo, João, Pedro e Milena.

Brincadeiras a parte, que saudades!!! Tenho certeza de que aquelas pessoas também guardam lembranças muito queridas daqueles carnavais. Era uma diversão segura, descontraída, com um grupo de amigos confiáveis cujos pais podiam dormir tranquilos enquanto os filhos se divertiam moderadamente. O melhor de tudo é que o Rei Momo me trouxe um neto que amo como filho. É aquele que eu pedi a Deus para minha única neta e para me dar bisnetos.


Tags: Mafalda Orlandini. crônicas, textos


Mafalda Orlandini é professora de português e literatura aposentada. Lecionou nos colégios: Nossa Senhora do Rosário (Porto Alegre), Vera Cruz (Porto Alegre), Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), E.E. Presidente Kennedy (Cachoeirinha), E.E. Santos Dumont (Porto Alegre) e no Curso Pré-Universitário (Porto Alegre) onde ministrava aulas sobre redação.

Durante muitos anos fez parte da banca de correções de redação nos vestibulares da PUC-RS.

E-mail: mafalda.orlandini@hotmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/mafalda.orlandini

 




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