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Excursão de Formandos do Colégio Rosário em 1957

Mafalda Orlandini

28.04.2014

Excursão de Formandos do Colégio Rosário em 1957

Ney, meu marido, formou-se em Ciências Políticas e Econômicas na PUC que ainda funcionava no prédio do Colégio Nossa Senhora do Rosário, junto à Praça Dom Sebastião. Não existia ainda o Campus da Pontifícia Universidade Católica. Foi logo convidado para dar aulas na Escola Técnica de Comércio da Instituição. Era o lugar onde se sentia mais à vontade para trabalhar, pois tinha uma ótima relação de amizade com os Irmãos Maristas. Pela sua alegria, pelo seu entusiasmo, tornou-se também muito amigo de seus alunos, tanto é que, em 1957, foi gentilmente convidado por uma turma de formandos a excursionar junto com a sua esposa ( eu ) à Argentina. Haviam trabalhado e se esforçado muito, juntaram um bom dinheiro e agora iriam desfrutar vinte dias viajando.

Iríamos viajar no trem Minuano, mas não foi possível porque no dia 28 deflagrou uma greve dos ferroviários. Depois de novos esforços do grupo, foi fretado um ônibus da Empresa Santos Dumont e os 33 alegres excursionistas partiram na maior excitação. O Irmão Cirillo, nosso diretor, nos acompanhou até a Villa Assunção onde tomamos a balsa para Guaíba. O irmão Cirillo ficou em Guaíba, desejando-nos uma alegre e proveitosa excursão e nós seguimos até Santa Maria.


Balsa de Guaíba

A viagem seguia no dia seguinte com o pessoal fazendo o maior carnaval e alguns até revelando secretos dotes artísticos, quando o ônibus deu um forte solavanco, seguido de outros ainda mais fortes. Os passageiros foram arrancados dos lugares e alguns até bateram com a cabeça no teto. Eu senti apenas um forte solavanco, porque estava no primeiro banco, mas as pessoas dos bancos traseiros ficaram muito assustadas e algumas sofreram contusões. A causa do desastre foi logo esclarecida: o eixo “kardan” partiu-se, levantando, e deixando o ônibus cair com violência sobre ele mesmo, e, por último, jogando as rodas traseiras a dez metros de distância.

Passado o susto, um grupo caminhou até uma fazenda próxima cujo proprietário nos proporcionou uma condução para ir à cidade que não era muito distante. Lá chegando, os nervosos e os lesionados foram atendidos pelo médico da localidade. Foi constatado que o único ferido mesmo era o Zenor Grezzana que havia se cortado numa janela e quebrara duas ou três costelas. A excursão, pelo menos para ele, havia acabado. O médico aconselhou-o a voltar para casa

No entanto a nossa viagem não terminou ali. Conseguimos um caminhão “Mercedes Benz”, atravessamos o Rio Ibicuí numa balsa e fomos levados como “cargas” a São Francisco de Assis. Todos enfrentaram o contratempo e o vento gelado no rosto com o melhor bom humor e como se fosse uma brincadeira. Conseguimos um ônibus de uma empresa de lá que nos levou a Alegrete. No caminho, conhecemos um bar, Parada da Harmonia, cujo dono era um ex-rosariense. Apanhou sua gaita e improvisou-nos um arrasta-pé que se prolongou por uns vinte minutos. Passamos para outro ônibus e, às onze horas da noite, chegamos a Livramento e nos hospedamos no Hotel dos Viajantes. Tudo isso aconteceu nos dois primeiros dias da Excursão. Até que enfim chegara a hora de pegar uma providencial e abençoada cama.


Obelisco na divisa entre Santana do Livramento (Brasil) e Rivera (Uruguai)

Os acasos acontecem. Meu filho, Ricardo, quando trabalhávamos com uma imobiliária, atendeu a um cliente. Conversa vai, conversa vem, descobriram que ele fora aluno do meu marido e participara dessa excursão. Melhor ainda, fizera um diário minucioso de cada local visitado, acrescido da data, dia, hora e  até minuto. Sempre achei que fazer um diário, fazer anotações diárias, é cansativo e desinteressante. Nesse caso foi diferente. Sempre o Romeu tinha algo inusitado para contar. Deu-nos uma cópia datilografada em que registrou os mínimos detalhes e têm o mérito de avivar lembranças que, hoje, cinquenta e sete anos depois, seriam difíceis de lembrar com clareza. Os próximos capítulos dessa “aventura” serão baseados no Diário de Romeu Issa.


Tags: Mafalda Orlandini. crônicas, textos


Mafalda Orlandini é professora de português e literatura aposentada. Lecionou nos colégios: Nossa Senhora do Rosário (Porto Alegre), Vera Cruz (Porto Alegre), Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), E.E. Presidente Kennedy (Cachoeirinha), E.E. Santos Dumont (Porto Alegre) e no Curso Pré-Universitário (Porto Alegre) onde ministrava aulas sobre redação.

Durante muitos anos fez parte da banca de correções de redação nos vestibulares da PUC-RS.

E-mail: mafalda.orlandini@hotmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/mafalda.orlandini

 




Opinião do internauta

  • Roberto Henry Ebelt (28.04.2014 | 20.32)
    Este artigo é uma agradável viagem aos anos cinquenta. Naquela época era possível viajar por terra, pelas via férreas, do Rio de Janeiro até Buenos Aires. Em Livramento os passageiros tinham que ir de táxi (?) ou a pé da estação ferroviária até a estação de Rivera para continuar a viagem de trem até Montevidéu. Uma aventura. A BR 290 ? Acho que nem existia em 1957.
  • Resposta do Colunista:

    O "Diário de Romeu Issa"está me fazendo reviver essa incrível viagem. Está sendo muito bom porque confirma lembranças um pouco difusas. Gostaria de saber do Romeu.. Vou continuar a exploração desse documento. Obrigada pelo comentário. Abraços.

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