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O Diário de Romeu Issa: quatro dias em solo Uruguaio

Mafalda Orlandini

05.05.2014

O Diário de Romeu Issa: quatro dias em solo Uruguaio

Há viagens e excursões, mas igual a essa não viverei jamais. Os excursionistas foram, logo após o café da manhã do dia primeiro de julho, pisar em solo uruguaio. O grupo chamava a atenção pelas jaquetas verdes, todas iguais, com o distintivo do Rosário e os uruguaios vinham gentilmente conversar e dar informações. Foi decidida uma visita à Prefeitura de Rivera e foi entregue uma flâmula do Colégio ao Prefeito que nos recebeu com grande cortesia. À tarde fizemos o mesmo, visitando a Prefeitura de Livramento. Como era uma turma de alunos, recebemos uma aula de administração municipal.

A nota triste foi dada pelo Zenor que, confirmada a fratura de quatro costelas, ouviu a valsa da despedida dos colegas com os olhos cheios de lágrimas. À noite, a Maria Zenor nos consolou, oferecendo champanhe e bombons porque estava de aniversário. Havia ainda um convite para conhecer o Liceu de Rivera. Fizemos uma alegre e proveitosa visita a um estabelecimento de ensino moderno e bem equipado. Foi uma visita meio protocolar e houve até breves discursos do Rui Paixão e do Diretor da escola.

No dia 2 de julho, bem cedo partimos em um ônibus da ONDA, para nós, naquele momento, extremamente luxuoso e confortável: poltronas reclináveis. ar condicionado e vidros ”ray-ban.” Afinal, viajáramos até de caminhão de carga e, afinal, sentíamo-nos verdadeiros turistas.


Ônibus da ONDA usado nos anos 50 no Uruguai.

Paramos em Tacuarembó para tomar um café, e saímos após alguns minutos. Andamos um pouco e percebemos a falta de um aluno. Que fazer? Vamos voltar. Enquanto ainda pensávamos, surgiu uma caminhonete com um senhor buzinando insistentemente. Era um morador da localidade que gentilmente nos entregou o Juarez. Mas o caso não terminou aí. Estávamos em solo uruguaio e já tinham comunicado aos policiais da rodovia o problema do aluno retardatário. Fomos parados duas ou três vezes tendo de informá-los de que ele já fora resgatado. O Juarez tinha que ouvir, cada vez, a vaia do grupo

Daí em diante percorremos dezenas de quilômetros por uma “carretera,” excelente, muito diferente das estradas de nosso estado, ladeada por palmeiras e outras árvores nativas da região. Paramos em Paso de los Toros para conhecer a igreja da localidade e rezar, agradecendo por termos saído ilesos do acidente. O confortável e veloz ônibus da ONDA foi engolindo quilômetros e quilômetros e fomos passando por Durazno, Sarandi, Florida, Canellones e La Paz. Às dezenove horas paramos defronte ao hotel Playa Ramires em Montevidéu.


Hotel Playa Ramirez em Montevidéu.

Aquela turminha elétrica não queria perder tempo. Após a distribuição dos dormitórios, banho e jantar, ainda foi programado um passeio à Avenida 14 de Julio considerada a mais importante da cidade e atração turística. Todos adoraram chamar a atenção pelas jaquetas verdes e serem alegremente cumprimentados.

No dia três de julho, a turma se dividiu: alguns foram visitar o Parque Rodô defronte ao nosso hotel e apreciar o maravilhoso Rio La Plata que ficava a trezentos metros do hotel. Outros, porém, optaram por um passeio ao centro da cidade.

De tarde fomos contemplados pela ONDA com um tour pela cidade. Foi a oportunidade de conhecer belíssimas praias, salientando-se a de Pocitos. Levaram-nos a conhecer monumentos famosos da cidade, entre os quais salientamos a beleza e a perfeição de “La Carreta” e “La Diligencia”. É claro que tiramos muitas fotos. Depois de apreciarmos outros pontos turísticos, fomos conhecer o Palácio Legislativo uma das maiores obras arquitetônicas da América do Sul. Contam que, naquela época, gastaram 17 milhões de pesos naquela obra que nos deixou maravilhados pela grandiosidade.


Foto minha e do Ney em frente a monumento “La Carreta” em Montevidéu.

Mesmo à noite após o jantar, a turma, incansável, ainda quis curtir a cidade. Nesta eu não fui. Ainda bem. Eles levaram um grande susto. Ao descerem do ônibus, no centro da cidade, ficaram no meio de uns manifestantes que foram dispersados com fortes jatos de água por um carro da polícia. Quando voltaram ao hotel, tinham muito assunto com os estudantes equatorianos que haviam chegado ao hotel ao entardecer.

Cada vez que consulto o diário, chego a me emocionar ao lembrar de mais um episódio dessa inesquecível excursão. Vou continuar na próxima semana relatando a viagem de Montevidéu à Buenos Aires que também é digna de nota.


Tags: Mafalda Orlandini. crônicas, textos


Mafalda Orlandini é professora de português e literatura aposentada. Lecionou nos colégios: Nossa Senhora do Rosário (Porto Alegre), Vera Cruz (Porto Alegre), Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), E.E. Presidente Kennedy (Cachoeirinha), E.E. Santos Dumont (Porto Alegre) e no Curso Pré-Universitário (Porto Alegre) onde ministrava aulas sobre redação.

Durante muitos anos fez parte da banca de correções de redação nos vestibulares da PUC-RS.

E-mail: mafalda.orlandini@hotmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/mafalda.orlandini

 




Opinião do internauta

  • Roberto Henry Ebelt (06.05.2014 | 17.41)
    Mafalda, não dá para deixar de ler os teus textos. Parabéns por mais este artigo. Estive, na semana passada, em Jaguarão e dei uma olhada no Uruguay do outro lado da ponte. Que tristeza. Río Branco estava quase igual à primeira vez que lá estive em 1949. De novo só os "duty free shops" e milhares de "turistas" brasileiros aproveitando os impostos menores do que os escorchantes (impostos) que vigoram no Brasil. Amo o Uruguay e sinto muito por ele ter estacionado nos anos 40 do século passado. Um beijo no coração.
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