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Bisavó Ledinha

Mafalda Orlandini

07.07.2014

Bisavó Ledinha

Em 1934, quando fomos morar em Cruz Alta, só o Benito e eu havíamos nascido. Mamãe estava grávida e, no dia de Santo Antônio, nasceu mais um membro da família, nossa irmã Leda. Ela nasceu em casa e eu, apesar de ter apenas quatro anos, percebi algo diferente. Lembro-me da movimentação e que minha avó Anna estava lá. Tenho também, no fundo de minha memória que ficamos ainda uns poucos meses lá e voltamos com ela ainda bebê para Roca Sales. Viajamos com outro casal, abaixo de chuva, num carro antigo que nem vidros tinha, só umas cortinas de plástico.

Como éramos mais velhos, logo tivemos a incumbência de cuidar da irmã que foi crescendo sadia e cada vez mais engraçadinha. Muito loura com os cabelos encaracolados e sempre vestida como uma princesinha. O capricho com que minha mãe cuidava dos cachinhos dela e a penteava, levava as pessoas a fazer comentários e admirá-la. O Benito e eu ficávamos orgulhosos de cuidar de uma irmã tão especial.


Ledinha em frente a nossa casa na Visconde do Rio Branco, 734, em Porto Alegre.

Os anos foram passando e cada um foi escolhendo o seu caminho. O Benito foi estudar no Colégio Rosário e foi um estudante que nunca deu problemas. Eu fui estudar no Colégio Bom Conselho. Fui uma boa aluna, destacada em Português e muito elogiada pela professora Dra. Carmem Santos. Quando a Leda, quatro anos depois, foi estudar no mesmo colégio (isso a própria Leda me disse), a professora falou que sabia estar recebendo uma ótima aluna porque ela era minha irmã. Não foi o que aconteceu e a Leda mesmo conta que ficou na famosa recuperação oral. Naquele ano, fomos veranear na praia do Cassino e meu pai a mandou via aérea para fazer a prova. O que todos fizeram igualzinho foi terminar o ginásio nos colégios escolhidos.


Leda em sua formatura do ginásio no Bom Conselho

Nossos gostos e vocações foram-se revelando diferentes. Minha irmã optou por estudar balé com a famosa Toni Petzold e eu, piano. Completei o curso no Conservatório Mozart. Sem vocação, guardei o diploma no fundo da gaveta. Era só um modismo como foi para Leda que não se tornou bailarina.

Ambas recebíamos uma mesada de quinhentos cruzeiros. Eu fazia prestações em coleções de livros e comprava poucas coisas pessoais. A Leda pegava o dinheiro e saía a comprar e só voltava quando tinha gasto tudo. Eram tecidos para fazer vestidos e outras utilidades pessoais. Ela já revelava sua tendência para trabalhar em moda.


Foto de 15 anos da Leda (1950)

Eu tive vários namorados, casei-me com um vizinho, e só dois filhos. A Leda casou-se com sua primeira paixão. Com o homem de sua vida, o Carminho, teve seis filhos e uma história que vale a pena contar.


Foto da Leda com seu lindo vestido de noiva que guarda até hoje

Quando alguém que não vê minha irmã há tempos pergunta por ela, costumo dizer que ela tem uma família VIP, um milagre da vida. Os filhos foram casando com parceiros ou parceiras que se encaixaram no estilo de vida deles. Formaram casais harmônicos, com o mesmo estilo de vida. O aniversário de oitenta anos serviu para provar a união da família e como é grande o circulo de amizades deles. É que os parentes dos parentes formaram uma legião e não poderiam esquecer alguém na lista. Então optaram por um encontro apenas dos membros diretos (ela, filhos, netos e bisnetos) em uma pousada na serra.


Foto do encontro

Enfim, a Ledinha já não é mais criança, e tem uma grande e linda família. Alguns moram no mesmo edifício, em apartamentos colados. Mesmo os que vivem mais distante conseguem participar da “comunidade”. Quando vou à casa da minha irmã, acho incrível que as portas permaneçam sempre abertas entre os apartamentos para os outros terem livre acesso a qualquer hora. No momento, estou empatada com a Leda quanto ao número de bisnetos: dois meninos na família dela e dois na minha. No entanto sei que, com uma “patota” com tanto amor para dar, muito em breve, ela me ganhará de goleada.


Tags: Mafalda Orlandimi, crônicas


Mafalda Orlandini é professora de português e literatura aposentada. Lecionou nos colégios: Nossa Senhora do Rosário (Porto Alegre), Vera Cruz (Porto Alegre), Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), E.E. Presidente Kennedy (Cachoeirinha), E.E. Santos Dumont (Porto Alegre) e no Curso Pré-Universitário (Porto Alegre) onde ministrava aulas sobre redação.

Durante muitos anos fez parte da banca de correções de redação nos vestibulares da PUC-RS.

E-mail: mafalda.orlandini@hotmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/mafalda.orlandini

 




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