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Rosane uma preciosidade

Mafalda Orlandini

04.08.2014

Rosane uma preciosidade

Na década de noventa, eu fui morar na Ângelo Crivelaro à espera que ficasse pronto um apartamento que eu comprara na planta, na Zona Sul. Minha neta Milena veio morar comigo e eu precisei de uma pessoa para serviços domésticos. O zelador indicou-me uma moça que já trabalhava em outros três apartamentos, a Rosane. Em poucas semanas, ela me conquistou pelas suas qualidades: serviços bem-feitos, pontualidade, educação, simpatia.

Um belo dia, uma vizinha veio-me aconselhar a dispensar a Rosane porque ela não era confiável, pois haviam desaparecido peças de roupa de suas filhas. Respondi, imediatamente, que não faria isso. Deveria ser um engano, porque eu já percebera, que ela era uma pessoa muito boa, honestíssima. É claro, a Rosane perdeu os outros trabalhos, já que as vizinhas acreditaram. Depois de uns dias, a Nara veio pedir desculpas, pois achara as roupinhas das filhas. Elas haviam vestido as bonecas e as colocado em uma mala. A Rosane não é rancorosa, e precisava trabalhar. Naquela época, não era fácil conseguir esse tipo de trabalho em residências. Perdoou, aceitou as desculpas, mas nunca esqueceu que eu confiara nela.


Rosane na casa do Imbé.

O apartamento levou dez anos para ficar pronto e a Rosane e eu ficamos muito amigas. Sempre pontual, vinha trabalhar uma vez por semana. Já trocávamos confidências. E, quando meu apartamento da Zona Sul ficou pronto, ofereceu-se para ajudar na mudança. Foi então que ela revelou outra especialidade: facilidade em organizar o caos das mudanças. Faz tudo com rapidez e bom humor. É uma festa vê-la em atividade. Vale por cinco ajudantes.


Eu e a Rosane

Um tempo depois, minha neta casou e ela foi organizar o apartamento dela. Passou um ano e a Milena se mudou novamente. A Rosane foi chamada. Mas a danada da minha neta não esquentava lugar e houve uma terceira vez. Só na quarta mudança é que foi para uma casa que compraram na Vila Hípica. Todas as vezes, lá ia a Rosane se multiplicar em cinco. Como havia vendido minha casa na praia, e já conhecia a presteza da Rosane, convidei-a para ajudar na desocupação do imóvel. Ela aceitou foi até a praia ajudar. O meu neto Fernando costuma dizer que pensou em mudança, chama a Rosane. Ela é imprescindível.


Eu a Milena e o Fernando.

Mas não parou por aí o hábito de “socorrer-se” com a Rosane. Estava na hora de o Pedro nascer e fui informada (conspiraram na surdina) de que ela seria a sua babá. Foram dois anos até o Pedro ir para a Escolinha e tudo voltou a ser como antes por um tempo. Em 2012, chegou o João e não existiria babá melhor para ele. Claro, me tomaram a Rosane de novo. Eu sou uma bisavó apaixonada e aprovei plenamente, porque do jeito que ela educa as crianças e o carinho com que os trata é digno de uma medalha de ouro. Os meus bisnetos são loucos por ela.


Meus netos Pedro e do João

Há vinte e cinco anos, convivemos com a Rosane. Criamos o hábito de dizer ”chama a Rosane que ela resolve”. Meus netos consideram a Rosane parte integrante da família, ela nunca falha, quando precisamos dela. No ano em que conheci a Rosane, seu filho Rafael tinha apenas um aninho. No primeiro momento, pressenti que ela seria muito especial na nossa família. Talvez fosse uma premonição para quando meus bisnetos nascessem. Durante esse tempo em que ela está conosco, a Rosane também viveu a vida familiar dela. Os filhos dela cresceram e lhe deram netos. Embora seja uma jovem vovó, vaidosa com ela própria, para nós, podemos dizer que ela é também uma babá com açúcar.


Tags: Mafalda Orlandini. crônicas, textos


Mafalda Orlandini é professora de português e literatura aposentada. Lecionou nos colégios: Nossa Senhora do Rosário (Porto Alegre), Vera Cruz (Porto Alegre), Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), E.E. Presidente Kennedy (Cachoeirinha), E.E. Santos Dumont (Porto Alegre) e no Curso Pré-Universitário (Porto Alegre) onde ministrava aulas sobre redação.

Durante muitos anos fez parte da banca de correções de redação nos vestibulares da PUC-RS.

E-mail: mafalda.orlandini@hotmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/mafalda.orlandini

 




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