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Uma Visita Utópica

Mafalda Orlandini

25.08.2014

Uma Visita Utópica

Esta coluna de hoje é uma mensagem para aqueles que estão desanimados e não acreditam mais em recuperação. Todos que me conhecem sabem que, há três anos, havia perdido as esperanças de me livrar de uma série de doenças e costumava brincar que já havia comprado minha passagem para o andar de cima. Cansada de sofrer com as aspirações frequentes por causa da pneumonia, com visão dupla, quase sem ver nada, sem poder articular palavras, pedia que me deixassem em paz. Só permiti que me colocassem a sonda para me alimentar por insistência médica, da família e da fonoaudióloga.

Saí do hospital com vinte quilos a menos e daí começou a primeira parte da luta. Para evitar a síndrome da abstinência, a fono veio, durante quatro meses, me dar uma refeição oral por dia. Pude afinal me livrar da sonda e comecei a torcer para chegar a ver meu segundo bisneto nascer. No mês passado, tive a alegria de ver o João assoprando as velinhas do seu segundo aniversário


Meus bisnetos João e Pedro assoprando as velinhas.

Meu neto Fernando, (Keko ) meu secretário VIP, vinha tentando comprar um apartamento modesto para não pagar mais aluguel. Era o sonho da casa própria de qualquer brasileiro. Claro que, como boa avó, eu o incentivei. Ainda brinquei que iria garantir a “quentinha”, se fosse preciso. Ele se esforçou. Puxou daqui e dali, arrumou um colega para compartilhar, conseguiu um financiamento da CAIXA. Faz um ano e meio que conquistou seu objetivo


Foto do interior do ap do Keko

Foi necessário adequar o imóvel às suas posses. Não há elevador nem box para carro. Para o carro, alugou um estacionamento ao lado, mas, como eu não tinha condições de subir escadas, uso um andador, eu só conseguia ver o seu “lar” por fotos. Às vezes, ele insistia carinhosamente e me perguntava quando é que eu iria visitá-lo.

Há dois meses, perguntei para a fisioterapeuta se não poderíamos treinar na escada. Ela respondeu, como é seu costume, Mafaldinha, só depende de ti. Começamos com três degraus e descendo de costas, eu apoiada nos corrimões. Em quinze dias, já subia dez, parava na metade do andar seguinte, sentava em um banquinho para descansar e começava a descer normalmente. O entusiasmo foi generoso e, depois de mais uns dias, foi marcada a data tão ansiosamente esperada.


Eu, o Keko e o Marcelo junto ao console e espelho que foram da bisavó Alzira.

Na hora combinada, lá fomos nós; a Ju, a Maíres, o Keko, o Marcelo e eu. Era uma alegre caravana. Cada um fez o que foi combinado: a Ju me deu apoio com um braço, porque só há corrimão de um lado, O Keko ficou às minhas costas como garantia na subida e à frente na descida. O Marcelo buscou um banquinho para eu descansar no caminho. A Maíres carregou o andador até lá em cima. Os que passavam por nós na escada olhavam curiosos aquela procissão. Enfim, chegamos sãos e salvos. Não foi tão difícil assim. Devia ser a minha adrenalina. Enfim, pude conhecer o tão sonhado apartamento e constatar que é bem pequenino, mas se torna grande porque foi decorado com capricho. Foram valorizadas peças que foram da família, até da bisavó e adquiridos móveis de muito bom gosto.


Keko, eu, Marcelo, Maíres e Ju.

Conversamos cordialmente por umas duas horas. Tomei o mais “gostoso cafezinho” da vida e, para completar, um excelente doce de arroz de leite. Alguns devem pensar que subir uma escada não é coisa de muita importância, entretanto, para quem, no ano passado, estava em uma cadeira de rodas é muito emocionante, é uma vitória. Essa empreitada só foi possível devido à solidariedade de pessoas que sabem amar e respeitar os desejos das pessoas que precisam de incentivo e carinho. Para encerrar vale lembrar o que diz a sabedoria popular: querer é poder.


Tags: Mafalda Orlandini, crônicas


Mafalda Orlandini é professora de português e literatura aposentada. Lecionou nos colégios: Nossa Senhora do Rosário (Porto Alegre), Vera Cruz (Porto Alegre), Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), E.E. Presidente Kennedy (Cachoeirinha), E.E. Santos Dumont (Porto Alegre) e no Curso Pré-Universitário (Porto Alegre) onde ministrava aulas sobre redação.

Durante muitos anos fez parte da banca de correções de redação nos vestibulares da PUC-RS.

E-mail: mafalda.orlandini@hotmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/mafalda.orlandini

 




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