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Rodízio de Supervovós

Mafalda Orlandini

01.09.2014

Rodízio de Supervovós

Desde que minha neta Milena casou, há mais ou menos dez anos, eu me acostumei a morar sozinha. Dirigia meu carro, ia até o Imbé quando desejava, fazia minhas compras, pagava minhas contas, não perdia festas de amigos e parentes. E até ainda trabalhava corrigindo redações para um cursinho. Quando fiz oitenta, pensei que era uma boa hora de não trabalhar mais e aproveitar a aposentadoria. Durou pouco mais de um ano, porque estava escrito no livro da minha vida que iria haver uma tempestade. Meus filhos perceberam que eu não poderia mais morar sozinha e contrataram acompanhantes, que eu apelidei de a “Equipe das Sete Mulheres”. Aliás, foram maravilhosas e eu vou agradecer para sempre o carinho com que me trataram durante a recuperação


Rosimai Campos, cuidadora que teve que abandonar
o trabalho para cuidar da sua filha, neta da Jane.

O tempo não para e as pessoas têm que cuidar de seus problemas pessoais. Também não é fácil ficar acompanhando uma pessoa dia e noite por muito tempo sem poder dar uma saidinha sequer. A Rosi foi a primeira a sair para se dedicar à filha pequena  Ficou a mãe dela, a vó Jane que tem quarenta e nove anos e mais meia dúzia de netos. Pudera, teve a primeira filha aos quinze anos.


Os netos da Jane

No lugar da Rose, foi contratada a Glória, técnica em enfermagem aposentada que tem três lindos netos. Ela acabou de tirar férias porque já faz mais um ano que ela está aqui. Passou cinquenta dias em Chicago, nos Estados Unidos, pois sua única filha mora lá. Foi matar as saudades dos seus lindos netos gêmeos, Enzo e Sophia. A outra neta, a Stéfanie, mora aqui e estuda na PUC


Genro, filha e os três netos da Glória.

A Jane precisou fazer uma cirurgia do braço e entrou em licença de saúde no dia dois de agosto. Convidou para substituí-la uma amiga, a Maíris. Ela tem só quarenta e três anos e quatro netos. Sua filha mais velha engravidou aos quatorze anos.


Neto da Maíris com sua filha Gabriella.

A Rosane, que também é uma jovem avó, foi cuidar do sogro e da sogra que estão doentes, Enquanto isso, ela colocou no seu lugar uma amiga de confiança. a Rejane. A primeira coisa que ela fez foi mostrar o celular com a foto de sua netinha, orgulho da vovó. Outro dia, A Rejane não pode vir porque estava gripada e a Glória conseguiu a faxineira dela para mim. Ela me falou, ao chegar, que, se fosse um dia antes, não poderia porque tinha assumido o compromisso de cuidar da neta.

Foi então que me dei conta de que gravitam em torno de mim seis avós. Elas sabem que não podem me deixar sozinha. Responsáveis que são, elas mesmas resolvem o que seria meu problema. Colocam outra vovó no seu lugar.


Vovó Maíris e suas duas filhas: Karol (esq.) que já tem quatro filhos, e Thamiris (dir.).

Todas as minhas supervovós acompanharam as mudanças contemporâneas. São vaidosas, roupas modernas, cabelos e maquiagem discretas, unhas e pele cuidadas, tingem os cabelos. Nada de coques de vovós ou roupas discretas. Elas têm celulares cheios de fotos, usam o face, são pessoas que amam a família que têm, assumem os netos para as filhas poderem trabalhar e estudar, são do bem. Como temos tecnologia e assuntos comuns, fazemos confidências, contamos piadas, vemos novelas, lemos o Correio do Povo e Zero Hora, discutimos política, enfim, formamos uma grande família, diferente, é claro, mas uma família alegre e descontraída. As vovós-ternurinha me assumiram como assumiram os  seus netos.


Tags: Mafalda Orlandini, crônicas


Mafalda Orlandini é professora de português e literatura aposentada. Lecionou nos colégios: Nossa Senhora do Rosário (Porto Alegre), Vera Cruz (Porto Alegre), Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), E.E. Presidente Kennedy (Cachoeirinha), E.E. Santos Dumont (Porto Alegre) e no Curso Pré-Universitário (Porto Alegre) onde ministrava aulas sobre redação.

Durante muitos anos fez parte da banca de correções de redação nos vestibulares da PUC-RS.

E-mail: mafalda.orlandini@hotmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/mafalda.orlandini

 




Opinião do internauta

  • Roberto Henry Ebelt (02.09.2014 | 12.44)
    Querida Mafalda, Não posso deixar de me preocupar com a existência de jovens mães na fase da adolescência. Isto não me parece algo que leve ao fortalecimento da instituição tão importante que é a família. Afinal, casar na adolescência é coisa do século 19, para não dizer da idade da pedra. Grande abraço.
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