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O Magistério em Cachoeirinha

Mafalda Orlandini

15.09.2014

O Magistério em Cachoeirinha

Fui trabalhar em Cachoeirinha em 1969, na Escola Estadual Rodrigues Alves. Foi lá que se formou o meu mais assíduo e querido grupo de caroneiras: Maria Tereza, Sara, Pernambuco, Denise, Ivone e outras colegas. Durou até que a SEC escolheu a nossa escola para fazer um curso de preparação para o Sistema Polivalente. A ideia era colocar as disciplinas profissionais (três ou quatro) no currículo. Permaneceriam as tradicionais, mas ministradas por uma nova filosofia. Não havia escolha, era uma convocação. Todos os professores deveriam fazer a reciclagem.


Encontro Núcleo Base de Multiplicadores de Currículo do Ensino de 1º Grau.
XIº Delegacia de Educação. Porto Alegre 21 a 26/02/1972.
Apareço ao centro na terceira fileira.fundo

Terminado o treinamento, deveríamos todos assinar um contrato e passar a lecionar no Polivalente. Alguns, apesar de dobrar o salário, se negaram a mudar a situação funcional e assinar o que parecia inseguro. Os que aceitaram foram transferidos para a Escola Polivalente Presidente Kenedy e os outros, inclusive eu, ficamos no Rodrigues Alves. Eu continuei com minha regência de classe e assessorando a Direção da escola. Parecia que tudo voltara ao normal, mas trocaram a direção e eu não me senti à vontade com a nova e pedi para ir para o Polivalente.


A Prenda do ano na Escola Estadual Rodrigues Alves.

No início, eu era como um pássaro fora do ninho. Como eu não aceitara assinar aquele bendito contrato, ficara fora do planejamento das escolas polivalentes. Não me deram regência de classe e eu acabei ficando na coordenação do turno da noite. Não podia ter sido melhor. Tive, então, o  privilégio de trabalhar com um profissional excepcional, o professor Anayrto Ramon Delatorre, que se tornou um grande amigo. Sempre sereno, simpático, nunca alterava sua voz, fazia seu trabalho com alegria e competência. Eu lecionava todas as manhãs no Rosário e ficava das 19 às 22 horas no Polivalente. Apesar de um trabalho intenso, foi uma época de satisfação profissional. Eu adorava lecionar no Rosário e a coordenação do Polivalente com o Professor Anayrto era uma benção. A turma do Polivalente era muito divertida e eu não perdia festa. Faziam teatro, reuniões dançantes, almoços, jantares e eu participava de tudo.


Espetáculo com alunos "Emília no País da Gramática".
Da esquerda para a direita: Gaby (D. Benta), Alice (D. Sintaxe)
Ana Rita (Sr. Adjetivo), Prof. Mafalda, Lisiani (Emília)
Tatiana (Narizinho) e Leandro (Substantivo).

Alguns anos se passaram e o único senão era o frio do inverno. À noite, quando o sol se punha, o frio era intenso e úmido, porque o Polivalente foi construído em cima de um terreno pantanoso. E nem sempre eu tinha companhia para voltar comigo. A última, a Ivone Schmidt, se apaixonou por Cachoeirinha, juntou um dinheirinho, conseguiu um financiamento e foi morar perto do colégio. Certa ocasião, na Free Way, um carro com dois homens passava me ultrapassando e trancando a passagem. Outra ocasião, fui seguida por um jovem até minha casa. Quando desci e fechei a garagem, que era fora do prédio, ele insistiu que passasse para o carro dele. Certa noite, comentei com o professor que estava com medo de voltar às 11 horas pela Free Way deserta e estava pensando em transferência. Ele me falou que estava, temporariamente, na direção de uma escola na Vila Assunção e precisava de uma pessoa como eu para ajudá-lo na coordenação de turno. Ora, um convite tão especial, vir com o professor Anayrto para a Vila Assunção perto de meus netos, era um presente.


A última festa em Cachoeirinha. Estou bem no centro.

Voltei muitas vezes às festas em Cachoeirinha. A Ivone sempre se encarregava de me transmitir o convite. Como o tempo não para, Cachoeirinha também passou, mas ficou marcada por boas e alegres lembranças. Em 1978, cheguei à Escola Estadual Santos Dumont como coordenadora do turno da tarde assessorando o professor Anayrto. Era a hora certa de vir e ficar mais próxima dos meus netos. Pude acompanhá-los crescendo e estudando na escola em que eu era vice-diretora. Foi a atitude mais perfeita, mais abençoada que tomei em minha vida. Meus netos, meus companheiros, meus amigos que o digam.


Tags: Mafalda Orlandini, crônicas


Mafalda Orlandini é professora de português e literatura aposentada. Lecionou nos colégios: Nossa Senhora do Rosário (Porto Alegre), Vera Cruz (Porto Alegre), Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), E.E. Presidente Kennedy (Cachoeirinha), E.E. Santos Dumont (Porto Alegre) e no Curso Pré-Universitário (Porto Alegre) onde ministrava aulas sobre redação.

Durante muitos anos fez parte da banca de correções de redação nos vestibulares da PUC-RS.

E-mail: mafalda.orlandini@hotmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/mafalda.orlandini

 




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