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Força Comunitária da Vila Assunção

Mafalda Orlandini

22.09.2014

Força Comunitária da Vila Assunção

Não poderia relatar meu tempo de Magistério em Cachoeirinha, sem falar no professor Anayrto, um colega muito especial e amigo daqueles anos. Fiquei em dúvida ao escrever o sobrenome dele. Não lembrava se Delatorre era junto ou separado e com um ou dois “eles”. Fui pesquisar no Google. Encontrei a forma correta e muito mais. Deparei com o registro da festa de comemoração dos 25 anos em que ele foi Diretor do Calábria e compreendi por que ele ficou apenas um ano na direção do Santos Dumont. Cumpriu a tarefa para a qual fora solicitado, esperar a nomeação de uma nova direção, e voltou ao Calábria onde era insubstituível. A admiração que eu tinha por ele foi reforçada. Tanto é que transcrevi uma frase de sua autoria que revela exatamente seu pensamento e por que foi tão bom tê-lo como diretor: ”Muito mais importante que um grupo de pessoas ou equipe deve ser a harmonização e a sintonia desses atores, pois é impossível pensar no atendimento à criança e ao adolescente ignorando-se essa forma de trabalho.”

Foi por isso que minha transferência para Porto Alegre foi tão simples. Era o ano de 1978, e continuei com as mesmas tarefas do Polivalente: coordenação de turno. Além disso, passei a fazer substituições dos professores que faltavam ou que entravam em licença. Chegou a nova diretora, a professora Nilva e o professor Anayrto, cumprida sua missão, foi embora;. Não levou muito tempo e assumi a vice-direção na qual permaneci por muitos anos. Foi um período de muito trabalho, alegrias, e novas amizades Eu, que adorava festas e eventos, era sempre convidada pelos colegas e participava quando podia.


Fim de semana no Hotel Laghetto em Gramado

Ao coletar dados sobre o professor Anayrto, acabei-me interessando em conhecer mais sobre a escola em que trabalhei tantos anos. Descobri o motivo de a comunidade ser tão levada em consideração quando o corpo discente planejava as atividades do colégio. Eu ouvia sempre: será que a comunidade vai aprovar? Claro, a escola foi resultado do esforço da comunidade, de pessoas do bairro que sentiram a falta de uma escola para seus filhos. A SEC, no momento, não dispunha de verbas para tal. Líderes comunitários fizeram reuniões e decidiram angariar fundos. Com o apoio da diretora do Grupo Escolar General Cândido Rondon, Vitalina Corso Santana, fizeram uma lista de eventos que a comunidade costumava fazer: churrascos, mocotós, festas juninas, a mais bela prenda, campanha do vidro, rifas, reuniões dançantes, chás. O entusiasmo era tal que, para apressar o início da obra, houve doações em dinheiro, até comissão das vendas de títulos do Sava Club. O esforço e a cooperação de todos foi espontâneo e, em pouco tempo, deu para iniciar a construção do colégio. Apenas a mão de obra foi fornecida pela SEC. Inacreditável. Antes de um ano, havia quatro salas e dois banheiros prontos. Imediatamente, as matrículas abertas para mais ou menos 180 alunos novos.


Este churrasco em um sítio, não fez parte dos eventos beneficentes. Foi só diversão do corpo docente regado a cerveja e a caipirinha de maracujá.

O hábito de fazer eventos para angariar fundos continuou durante a época que estive lá. O mocotó, dos meses mais frios do ano, era conhecido e apreciado. Quando havia mocotó o convite era vendido antecipadamente, e, perto do meio dia, havia fila para apanhar as reservas. Uma vez, houve um problema e o mocotó aferventou durante a noite. Ao amanhecer, as serventes chamaram as professoras encarregadas que saíram desesperadas a comprar novos ingredientes e improvisar para atender os fregueses habituais. A professora Diná Ferreira e a Sirlei Kern é que sabem melhor como resolveram essa pendenga. Dessa vez, o mocotó atrasou e deu prejuízo, mas a clientela não chegou a saber da correria. A Vila Assunção, onde se localiza o Santos Dumont, é um exemplo da força de uma comunidade. Tenho orgulho de ter trabalhado em um escola construída por pais que lutaram para fazer um admirável trabalho pela educação das crianças da Zona Sul.


Tags: Mafalda Orlandini, crônicas


Mafalda Orlandini é professora de português e literatura aposentada. Lecionou nos colégios: Nossa Senhora do Rosário (Porto Alegre), Vera Cruz (Porto Alegre), Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), E.E. Presidente Kennedy (Cachoeirinha), E.E. Santos Dumont (Porto Alegre) e no Curso Pré-Universitário (Porto Alegre) onde ministrava aulas sobre redação.

Durante muitos anos fez parte da banca de correções de redação nos vestibulares da PUC-RS.

E-mail: mafalda.orlandini@hotmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/mafalda.orlandini

 




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