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Mafalda Orlandini

10.11.2014

Ares de Mudanças

A partir de fevereiro de 2013, quando os cardeais da Igreja Católica escolheram o argentino Jorge Mario Bergoglio para ser o 266º Papa da Igreja, acompanhei todas as notícias porque estava curiosa para ver se ele seria um Pontífice com os pés no século XXI. Ao ler a reportagem de ZH nesta semana, acho que estou apta a fazer uma avaliação sobre meu catolicismo morno desde 1950. Em discurso na Pontifícia Academia de Ciências, o Papa Francisco afirmou que a Teoria da Evolução e o Big Bang são reais. Acrescentou que Deus não agiu como “um mago com uma varinha mágica capaz de criar todas as coisas”.


A gargalhada do Papa Francisco.

Na mesma reportagem, há ainda a opinião de Aloísio Hartmann, mestre em Ciências da Comunicação, que faz referência ao sentido simbólico da Bíblia e não científico. E, quando vi a avaliação do cientista e cardiologista Fernando Lucchese, tomei a decisão de fazer uma análise pessoal da minha ligação com o Catolicismo. Repito aqui o que o Doutor Lucchese disse: “Estou cada vez mais encantado com esse Papa. Para mim, já é o homem do século.”


O Big Bang.

Nasci de mãe luterana, descendente de imigrantes alemães e pai católico, descendente de imigrantes italianos. Conforme o combinado entre o casal, eu e meus irmãos fomos batizados católicos e nossa educação ficou a cargo de conceituadas escolas católicas da cidade. O que aprendi até os vinte anos era que a Igreja Católica Apostólica Romana era a única verdadeira, a única de passo certo. Fiz tudo que achava que deveria fazer no tempo certo: batismo, crisma, comunhão, missa aos domingos. Cheguei aos dezenove anos e comecei a me sentir incomodada com o sacramento da confissão. Se faltasse à missa no domingo, era um pecado mortal que deveria confessar para poder comungar. Além disso, me incomodavam as perguntas que o confessor me fazia sobre possíveis intimidades com o meu noivo. Lembremos que sexo era tabu e ninguém se atrevia a falar a adolescentes sobre “aquilo”. Certa vez, foi muito questionada uma campanha do absorvente Modess que foi distribuído nas escolas. Hoje se colocam camisinhas à disposição dos alunos.


Teoria da Evolução.

Quando me casei aos vinte anos na igreja como mandava minha religião, de vestido branco, cheguei a pensar que a alvura do traje deveria estar meio respingada pelos pecados dos apertões e dos beijos do noivo. Quando voltamos da Lua de Mel, adeus missa aos domingos, pois íamos na sexta-feira para o Haras no Beco do Cego e lá não havia igreja próxima. Desde então, missas só em memória de falecidos ou em cerimônias na escola. Ficamos apenas com a tradição de jejuar na Sexta-feira Santa e as orações à noite, antes de dormir.


O Papa Francisco no Rio de Janeiro.

Como leio muito, tive contato com obras polêmicas, inclusive a vida e ideias de Lutero, vi muitos filmes, comecei a raciocinar, por em dúvida o que sempre recebera como verdade incontestável. Passei a refletir sobre a suntuosidade do Vaticano, o celibato clerical, a proibição dos divorciados à mesa da comunhão, suspeitas de pedofilia não investigadas e tantas outras coisas polêmicas que a Igreja nunca aceitou discutir.

A Igreja continuou ignorando as críticas e dedicou-se à educação e a obras sociais, o que sempre fez muito bem. Basta citar a excelência das escolas e das instituições católicas que zelam pelos pobres ou doentes. No entanto, não é de hoje que o espiritismo tem muitos adeptos entre nós. E consequência da imigração, das diversas etnias e da liberdade religiosa no Brasil, temos também uma variedade de devotos de todas as crenças. Faz algum tempo que as estatísticas apontam a diminuição dos que se declaram católicos.


Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro.

No ano passado, ocorreu no Rio de Janeiro a Jornada Mundial da Juventude. Havia certo ceticismo em relação ao seu sucesso. Quem teve o privilégio de participar afirma que a emoção foi intensa. Era contagiante a serenidade daquele homem ao se dirigir aos fiéis, aproximar-se de crianças e doentes para abençoá-los que jamais será esquecida. O próprio prefeito da cidade considerou o maior evento histórico do Rio de Janeiro.

Pelo que observo, espero “suaves mudanças” como o Papa Francisco promete. Que eu não me decepcione e o meu catolicismo passe de morno a fervente. Numa das falas dessa semana, o Pontífice pediu terra, teto e trabalho para os pobres, e acrescentou que, quando fala isso, alguns estranham e o acusam de comunista. Ele, sem dúvida, tem uma missão difícil. E eu espero que ninguém me acuse de me meter em assunto que não me diz respeito. Desculpem, mas é uma avaliação pessoal que precisava fazer.


Tags: Mafalda Orlandini, crônicas


Mafalda Orlandini é professora de português e literatura aposentada. Lecionou nos colégios: Nossa Senhora do Rosário (Porto Alegre), Vera Cruz (Porto Alegre), Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), E.E. Presidente Kennedy (Cachoeirinha), E.E. Santos Dumont (Porto Alegre) e no Curso Pré-Universitário (Porto Alegre) onde ministrava aulas sobre redação.

Durante muitos anos fez parte da banca de correções de redação nos vestibulares da PUC-RS.

E-mail: mafalda.orlandini@hotmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/mafalda.orlandini

 




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