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Garimpando nos Jornais

Mafalda Orlandini

22.12.2014

Garimpando nos Jornais

Nesta semana, vou criticar amigavelmente as pessoas que não sabem escolher as leituras. Fico incomodada, quando dizem que não gostam de ler jornais porque só trazem tragédias, assassinatos, acidentes, fotos impressionantes, sofrimento das vítimas, etc... etc... Respondo a eles que a escolha dos textos é deles e apenas revela o lado mórbido das suas personalidades. As notícias são divulgadas pela TV, pelas emissoras de rádio como furos de reportagem no momento em que ocorrem. Cada emissora se apressa em dar o trágico, o inusitado nos mínimos detalhes em primeira mão. Os detalhes, as fotos impactantes, o sangue que escorre nas entrelinhas não despertam o meu interesse, quando chegam aos jornais. Eu garimpo nos jornais o nome de jornalistas conhecidos, de pessoas de projeção política ou cultural em textos opinativos ou satíricos, e os cronistas. Só quando consigo marcar os que me interessam, dou início à leitura selecionada. Nesta semana, resolvi comentar alguns textos cuja leitura valeu a pena.


Moisés Mendes

A escolha vai ser aleatória, casual, porque admiro dezenas de jornalistas vocacionados, colunistas e cronistas, e não vou conseguir falar sobre muitos. A crônica de Moisés Mendes, em ZH do dia 28 de novembro (Os ônibus da cidade arcaica) merece ser recomendada. A crítica que ele faz ao transporte coletivo de Porto Alegre baseia-se numa experiência pessoal. E tem mais. Foi a partir de um desafio lançado pelo saudoso ecologista José Lutzenberger enquanto conversavam no Rincão Gaia. Traz, então, à nossa lembrança esse pioneiro defensor do meio ambiente no estado. Em 1999, foi nomeado Secretário Especial do Meio Ambiente pelo então Presidente Collor de Mello. Polêmico e ferrenho em suas ideias era criticado e até ridicularizado por alguns que eram impedidos de lucrar com a degradação de recursos naturais. E como estava certo em sua luta esse cientista admirável.


Casa de José Lutzenberger no Rincão Gaia.

Conta, Moisés, detalhes de sua experiência de quatro meses e posterior desistência. Completa dizendo que o prefeito atual, ao enfrentar o cartel que já dura quase cem anos, pode nos conduzir a uma cidade civilizada. E, se o governo vencer, a cidade vai ganhar um transporte de qualidade e “vou voltar a andar de ônibus”.


A Companhia Carris Porto-alegrense, única instituição municipal a conquistar o Prêmio Nacional de Gestão Pública do Governo Federal e, em 2005, obteve o primeiro lugar na Categoria Empresa Pública Eficiente da Pesquisa TOP de MIND realizada em Porto Alegre. E agora?

Domingo, dia 30 de novembro, novamente Moisés Mendes me convidou para ler: “A turma de Lech Walesa” chamou minha atenção. Há muito tempo, não ouvira mais nada a respeito. Sabia que fora um herói da Polônia, defensor dos oprimidos, Prêmio Nobel da Paz que chegara à presidência. Lancei-me à leitura atenta porque percebi que iria conhecer os anos seguintes da vida de Walesa. Pois é. O homem tão admirado mostrou-se tirano, megalomaníaco racista, homofóbico, defensor de ideias nazistas, antissemita depois que galgou o poder. Tudo que nós, defensores da minoria, condenamos. Mais uma confirmação de que muitos ídolos têm pés de barro, que se partem aos ventos do poder.


Lech Walessa – Prêmio Nobel 1983. E depois?

Já que comentei os textos de Moisés que faz rodízio com Paulo Sant’ana, não poderia deixar de falar sobre minha curiosidade em saber, pela sua própria crônica, como ele iria reagir depois da proibição dos fumódromos. Tive que esperar até quarta. Na segunda, não comentou; a terça era de Moisés. Com uma pitadinha de malícia, ele anunciou: “Não seria mais fácil para banir para sempre o cigarro do mundo se proibissem a sua fabricação?” Dessa vez perdi a esperança de ouvi-lo gritar “PAREI” PAREI!!! num grito que se ouviria em toda a cidade. Termina sua crônica afirmando categoricamente: “Sem saúde e sem-vergonha, este é o meu destino”


Paulo Sant’Ana

Como professora de Português e Literatura aposentada (detesto essa palavra). recomendo a todos fazerem sempre a seleção de suas leituras e o aproveitamento de tempos preciosos lendo: Luiz Fernando Veríssimo, Túlio Milman, Martha Medeiros, Marcos Rolim, Paulo Brossard, e tantos outros bons jornalistas. E, por favor, afastem-se das leituras de tragédias.


Tags: Mafalda Orlandini, crônicas


Mafalda Orlandini é professora de português e literatura aposentada. Lecionou nos colégios: Nossa Senhora do Rosário (Porto Alegre), Vera Cruz (Porto Alegre), Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), E.E. Presidente Kennedy (Cachoeirinha), E.E. Santos Dumont (Porto Alegre) e no Curso Pré-Universitário (Porto Alegre) onde ministrava aulas sobre redação.

Durante muitos anos fez parte da banca de correções de redação nos vestibulares da PUC-RS.

E-mail: mafalda.orlandini@hotmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/mafalda.orlandini

 




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