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A Cunhada Giselda

Mafalda Orlandini

02.03.2015

A Cunhada Giselda

Na caixa dourada do século passado, encontrei uma carta da minha cunhada Giselda. A data é de 6 de agosto de 1958, portanto anterior à da minha irmã que é de outubro de 1959. A diferença de um ano e pouco não as fez muito diferentes. Falam das filhas que estão lindas, gordinhas, safadas, dando muito trabalho.  A Giselda agradece por um telegrama que enviamos pelo aniversário do casamento do casal e conta que ganhou o presente que tanto queria, uma aliança de brilhantes. Diz também que “dona Alzira” manda agradecer, pois também recebeu o telegrama de felicitações.

É uma carta meio protocolar, característica daquele tempo. Começa com: “Estimada cunhada e sobrinhos”. Pede notícias de todos, Ney, Oscar, Ricardo e informa como cada familiar seu está de saúde.


Foto do Oscar e do Ricardo, quando voltei a POA, clicada pelo Ênio Rossi.

Depois parte para notícias em geral, bem como deve ter aprendido nas aulas de Português do Colégio Bom Conselho. A missiva tem hoje para nós dois valores. Um sentimental e outro como um documento. É o modelo de uma carta que não traz nenhuma fofoca ou lamentação, só dá informações de tudo e que nos leva de volta no tempo.

O assunto passa a ser as crianças que eram a alegria da família. A Leda, as filhas e o “esposo” vão bem. “A Alzirinha cada vez mais levada, a Liane está muito gorducha e querida, ela é muito alegre, sempre rindo, uma criança muito boa”.


Mais uma foto clicada pelo Ênio Rossi, Ana Virginia, Oscar, Ricardo e Liane.

Quando fala nas crianças, aproveita para anunciar o nascimento de mais uma sobrinha, filha da Núncia: uma “guria”, um amor, bem morena. Se não me falha a memória, deve ser Laura. A única nota triste de sua carta é a doença do Eládio. Diz que deu um susto, mas já está melhor. Sabemos que foi uma melhora temporária. Saudades.

Termina a carta, demonstrando todo amor dos dois, Benito e Giselda, pela Ana Virgínia. Vale a pena ler. “Mafalda, tu não imaginas como a Aninha esta querida, cada vez mais arteira, parece um papagaio para falar, o Benito cada vez mais louco pela filha, ela é muito carinhosa tanto para o pai como para a mãe que tudo fazemos para ela”. (Palavra de tia: ela é papagaio até hoje)


Mais uma do Ênio Rossi: Ana Virginia, Oscar, Loni Maria, Alzira, Ricardo e Liane.

Termino meu comentário de hoje, afirmando que essas cartas me dão uma sensação muito especial por tê-las conservado. É, contudo, uma sessão de nostalgia. Lembramos pessoas que passaram por nossas vidas, que se foram, mas marcaram sua passagem por carinho e amor. Por isso são recordações que, embora tragam muitas saudades, nos confortam e revivem tudo de bom que nos deixaram. Quero fazer uma recomendação de pessoa madura: guardem com carinho e respeito. Um dia vão dar-lhes o devido valor.


Tags: Mafalda Orlandini, crônica


Mafalda Orlandini é professora de português e literatura aposentada. Lecionou nos colégios: Nossa Senhora do Rosário (Porto Alegre), Vera Cruz (Porto Alegre), Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), E.E. Presidente Kennedy (Cachoeirinha), E.E. Santos Dumont (Porto Alegre) e no Curso Pré-Universitário (Porto Alegre) onde ministrava aulas sobre redação.

Durante muitos anos fez parte da banca de correções de redação nos vestibulares da PUC-RS.

E-mail: mafalda.orlandini@hotmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/mafalda.orlandini

 




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