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Surpresas do Face

Mafalda Orlandini

13.07.2015

Surpresas do Face

Eu me sentiria fora do contexto atual, se não usasse o computador e se não navegasse nas redes sociais. Uso com moderação o Face, mas não gosto de tudo que as pessoas postam. É fácil enumerar muitas coisas que me incomodam demais: grosserias, ofensas pessoais, homofobia, racismo, palavras chulas ou publicações eróticas. Penso também que publicar muitos detalhes sobre a vida particular é perigoso. As pessoas ficam expostas aos malfeitores.

 Por outro lado, o Face tem-me dado imenso prazer ao reencontrar amigos e parentes com os quais tenha perdido o contato. O exemplo mais recente é o de Cristiano que vim a descobrir que é neto de uma prima, minha maior amiga da infância e da adolescência, a Therezinha. De repente, lá estava um e-mail com sete fotografias, algumas inéditas (como diz a Globo) que eu mesma tirei com o meu “caixãozinho preto” da Agfa, minha primeira máquina de fotografar. Desafiava-me a descobrir quem eram as pessoas das fotos. Pelo sobrenome, Herrmann, pude reconstituir a família e acertei na mosca: era neto do Lauro e da Therezinha


Foto de casamento do Lauro e da Therezinha no final dos anos 40.

Como o Cristiano tem muito gosto de saber sobre seus ascendentes, penso que vai curtir saber detalhes da vida da vó Therezinha. Vou relembrar, com muito gosto, alguns momentos daquele tempo. Eu costumava passar parte das minhas férias do Colégio com minha avó paterna. Claro, eu me encontrava todos os dias com a prima preferida, minha maior amiga, e pedia à vovó para me deixar passar uns dias na casa da tia Celina e do tio Alfredo. Eu adorava. Eu e a prima, conversávamos até dormir já deitadas na cama. Os colchões eram de palha de milho que a tia Celina mesmo os fazia. Era feito de sacos vazios de farinha ou arroz emendados e tinham um buraco no meio que servia para colocar as palhas e, na hora de dormir, a tia mexia nelas para nos acomodarmos melhor.


Foto dessa época com outros primos.

A casa dos meus tios era na beira do Taquari e eles plantavam na barranca do rio. Colhiam um milho muito gostoso para cozinhar e a tia também cortava pedaços de cana de açúcar para chuparmos. Acho que também havia bananas e outras frutas colhidas nos pés. Havia um forno de tijolos perto da casa onde eram assados pães à moda alemã (os da vovó Ana eram tipo italiano) e batatas doces. Credo que saudades quando me lembro como aqueles dias eram esperados e curtidos!!! O passeio de caíque foi numa dessas ocasiões.



Eu adoro essas fotos:

Os Schmitz fizeram umas economias e construíram uma boa casa de material na parte mais central de Roca Sales, mais perto da casa da vovó Carolina. Lá não havia mais a plantação e aquela vida tão simples, foi diferente e já éramos adolescentes. A tia ganhava um dinheirinho bom fazendo flores e coroas. Vivia sempre fazendo arranjos florais para ter um bom estoque quando falecia alguém e confeccionar rapidamente as coroas. Nessa casa, eu fui menos vezes e não guardo tantos detalhes da infância.

Costumávamos, a Therezinha e eu, trocar frequentes cartas que eu não sei onde foram parar. Acho que as escondi tanto dos bisbilhoteiros que acabei perdendo-as. Não queria que alguém lesse nossos segredinhos. Naquele tempo, era tudo muito censurado sobre sexo. E nós éramos crianças curiosas que não eram autorizadas a fazer perguntas aos mais velhos. Eu me lembro que uma queria contar para a outra quando ficasse “mocinha”. Não podíamos escrever a palavra “menstruação”, então combinamos desenhar uma estrelinha no canto direito da carta. Funcionou.

Também fui passar uns dias com o casal, quando moraram em Arroio do Meio. A Therezinha matou uma galinha para um almoço. Eu fiquei impressionada com as habilidades dela, principalmente em separar as partes da ave. Eu era incapaz de fazer aquilo Também ganhei duas fotos da Rejane que estava com seis meses.


Rejane aos seis meses.

Os anos passaram e, aqui em Porto Alegre, a gente se via raramente. As últimas fotos que tirei com as primas foram no casamento da neta da tia Aracy no final do século passado (risos).


Foto do casamento da neta da tia Aracy: da esquerda para a direita: Diva, Loni (a anfitriã), Mafalda, Therezinha e Leda.

Quanto às fotos que o Cristiano mandou, guardo-as com carinho. A que estou de braço com a Therezinha é de um passeio para compras na Rua da Praia. Cada vez que me deparo com as outras fotos, lembro quem estava comigo: Osmar Conte, Humberto Orlandini, o nome da loura não sei, Lauro e Therezinha. Aquele passeio de caíque foi o único que dei em minha vida. Ainda bem que levei minha maquininha para registrar essa lembrança linda que meus queridos primos me proporcionaram.

Onde estão todos? Muitas saudades!!!


Tags: Mafalda Orlandini. crônicas, textos


Mafalda Orlandini é professora de português e literatura aposentada. Lecionou nos colégios: Nossa Senhora do Rosário (Porto Alegre), Vera Cruz (Porto Alegre), Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), E.E. Presidente Kennedy (Cachoeirinha), E.E. Santos Dumont (Porto Alegre) e no Curso Pré-Universitário (Porto Alegre) onde ministrava aulas sobre redação.

Durante muitos anos fez parte da banca de correções de redação nos vestibulares da PUC-RS.

E-mail: mafalda.orlandini@hotmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/mafalda.orlandini

 




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