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E por falar em CPMF

Mafalda Orlandini

05.10.2015

E por falar em CPMF

Em época que se volta a falar em CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) relembro coluna que escrevi em 1º de dezembro de 2014, quando da morte do ex-Ministro da Saúde, Adib Jatene.

Segue a coluna de então...

Quanto mais os anos passam, mais eu me convenço de como é importante saber ouvir, ler, e ter os olhos e os ouvidos bem abertos ao que acontece no mundo. Quando, durante vinte e cinco anos, eu trabalhava como professora pela manhã, à tarde e à noite, era uma dedicação total ao trabalho e à educação dos filhos. Hoje, penso que não era por necessidade. Deveria ser para esquecer uma precoce e dolorida viuvez. Tornou-se um vício e trabalhava até aos sábados e domingos, quando havia “um bico”, correção de redações de vestibulares ou de concursos. Havia, então, pouco tempo para dedicar-me a outros assuntos. Isso explica por que eu só ligava Adib Jatene à polêmica CPMF.

Em minha memória, a CPMF era mais um IMPOSTO criado por medida provisória no governo de Fernando Henrique Cardoso, sob a inspiração do Ministro da Saúde, então Adib Jatene. Polemizada desde o início porque todos teriam que descontar aquele percentual injusto em qualquer movimentação financeira que fizessem. Os economistas faziam contas e davam destaque ao que cada trabalhador, inclusive contando o 13º, iria perder no seu salário. Os milhões que o Governo passaria a arrecadar eram um absurdo! O meritório destino da arrecadação, que era para resolver o problema da saúde, não era colocado em destaque, porque ninguém acreditava que iria ser aplicado corretamente. Sempre contestada, durou mais ou menos doze anos e foi extinta a incrível taxa de 0,38 % de desconto das transações financeiras.


Adib Jatene

Eu julgava que Adib Jatene era apenas um Ministro da Saúde, criador da CPMF de parcos resultados e nada mais. Quando ele faleceu e começaram a fazer reportagens sobre ele, eu compreendi que estava mal informada. Como agora tenho todo o tempo do mundo, além de ler jornais, comecei a pesquisar na minha grande amiga atual, a internet. Bastou entrar no Google para saber que ele foi incrível cirurgião torácico, professor universitário, até inventor e cientista. Participou da equipe do Doutor Euryclides Zerbini (que realizou o primeiro transplante de coração no Brasil) desde que cursava o quarto ano do Curso de Medicina. Em 1957, montou seu o primeiro modelo de coração artificial, que, atualmente, salva vidas.


O coração artificial de Adib Jatene

Resolvi ir até à África e verificar quantos anos se passaram para começarem a fazer transplantes no Brasil depois de o cirurgião cardíaco Christiaan Barnard fazer o polêmico primeiro, em 1967. Outros transplantes eram feitos, mas o do coração foi muito criticado porque há crenças religiosas que defendem que a alma humana está alojada ali. Apenas seis meses depois do Doutor Barnard, o Doutor Zerbini realizava o primeiro e corajoso transplante do Brasil. Os pacientes sobreviviam pouco tempo por causa da rejeição. Só com a descoberta da ciclosporina, em 1984, os transplantes passaram a ter sucesso.


Doutor Euryclides de Jesus Zerbini.

Bem, eu estava pesquisando, procurando corrigir meu conceito sobre o Doutor Adib, quando, no dia 19 de dezembro, em ZH, encontrei um texto redigido por dois admiráveis cirurgiões e cientistas de Porto Alegre: Doutor Ivo Nesralla e Fernando Lucchese. Era tudo o que eu queria: ”Jatene: o guerreiro descansou”.

Esse texto fechou a minha pesquisa com “chave de ouro”. Agora sei que o Doutor Jatene construiu uma reputação internacional e suas técnicas cirúrgicas são conhecidas, como cirurgias de Jatene. Aliás, a conclusão a que cheguei estava no texto de Zh com todas as letras:... “entendeu que, em nosso pais, saúde sem financiamento não existe. Propôs então o imposto do cheque (CPMF) que teria permitido até hoje a cobertura da saúde ideal para nossa população se não tivesse sido desviada para outras finalidades”.


Incor em São Paulo.

Foi construtor e inspirador do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia e o Incor-SP. Foi também diretor do Hospital do Coração em São Paulo. Estimulou a criação do Instituto de Cardiologia do RS. Além disso, como excepcional mestre, ensinou suas técnicas a inúmeros médicos e deixou dois filhos excelentes cardiologistas que, com os alunos do pai ilustre, continuarão salvando vidas em seu nome. Entregou de bandeja a solução dos problemas da saúde ao Governo que não soube aplicar o que tinha em mãos. Sim, a saúde do Brasil tem jeito porque tem médicos e cientistas excepcionais lutando por ela e se surgirem mais guerreiros como o Doutor Adib Jatene


Tags: Mafalda Orlandini, crônicas


Mafalda Orlandini é professora de português e literatura aposentada. Lecionou nos colégios: Nossa Senhora do Rosário (Porto Alegre), Vera Cruz (Porto Alegre), Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), E.E. Presidente Kennedy (Cachoeirinha), E.E. Santos Dumont (Porto Alegre) e no Curso Pré-Universitário (Porto Alegre) onde ministrava aulas sobre redação.

Durante muitos anos fez parte da banca de correções de redação nos vestibulares da PUC-RS.

E-mail: mafalda.orlandini@hotmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/mafalda.orlandini

 




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