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A Oração do Papa Francisco

Mafalda Orlandini

07.12.2015

A Oração do Papa Francisco

Fui educada em escolas católicas de irmãs franciscanas: Colégio Santa Clara e Nossa Senhora do Bom Conselho. Minha Licenciatura de Letras foi obtida na Pontifícia Universidade Católica. Em seguida, fui lecionar em uma escola Marista, o Colégio Nossa Senhora do Rosário. Não é preciso dizer que a oração diária foi um hábito que me acompanhou desde a infância. A oração sempre foi um compromisso comigo mesma, automático. Nunca pensei que deveria rezar por intenção de alguém, de algo específico. Costumava agradecer pela vida, por mais um dia de vida, pelas vitórias ou conquistas.

O Papa Francisco, quando esteve no Brasil, foi responsável por mudar o significado das minhas orações, por direcioná-las a quem realmente precisa de uma graça. Quando li comentários da recente visita do Sumo Pontífice ao Brasil, vi, em algum lugar, uma resposta do Papa Francisco ao questionamento de um fiel que perguntara se ele costumava rezar muito. Respondeu com a simplicidade que lhe é costumeira:

- Eu costumo rezar na intenção dos meus cinco dedos da mão. (ou mais ou menos isso)

Fiquei interessada em entender o significava aquilo que dissera. Muito simples. Ele relaciona o polegar, que é o dedo mais próximo do coração às pessoas do nosso convívio, as mais chegadas: pais, irmãos, parentes, colegas, as pessoas do nosso convívio. Podem ser até pessoas que nos incomodam, que não nos amam ou até inimigas. Mas devemos pedir para ter um convívio harmonioso.

Quando se dirige ao indicador, pensa naqueles que indicam os caminhos para nós: pais, professores, educadores, religiosos, filósofos, pensadores, exemplos de vida. Essas pessoas são responsáveis pelo caminho que trilharemos em nossas vidas. Mais que certo orar por elas. Agradecer muito.

Quando olhamos para o dedo médio, percebemos que ele se destaca pelo tamanho, é o maior de todos. Representa nosso governo: presidentes, governadores, políticos, chefes, religiosos. Todos aqueles que decidem os destinos do mundo. Pasmem, eu rezo pelos ditadores, pelos maus políticos e até pelos terroristas. Eu penso que são eles os que mais precisam de orações. Devem ser iluminados pelo Deus deles para que abandonem esse culto da morte, da intolerância e do ódio. E os ditadores, se não acreditam em Deus, que deixem, pelo menos, a bondade entrar em seus corações e desistir da ilusão que o poder dura para sempre. Sem dúvida, são os mais necessitados de preces para a paz e a justiça no planeta.

O dedo anular é a mais frágil de todos. Representa os fracos, os doentes, os explorados por trabalho escravo, pela violência, os incapazes de reagir, os que não conseguem ter um rumo na vida. E, por fim, o dedo mínimo pede orações pelos mais humildes, os mais puros, os incapazes de cometer maldades e que sempre vão em socorro do próximo. Esses dois últimos precisam de força, de apoio e merecem que rezemos por eles.

Parece que eu estou brincando. No entanto o assunto é sério. Assim faço as minhas orações com a sensação do dever cumprido. Mas não pensem que rezo muitas orações, um terço, dois terços. Não! Não estou sugerindo quantidade e sim qualidade. O que vale é a direção, a intensidade. Basta um Pai Nosso ou uma Ave Maria para cada grupo e alguns segundos pensando na salvação e a felicidade de todos. E que conquistemos um mundo de paz, de justiça e de amor.

Depois que fiz esse comentário, fiquei em dúvida se eu não sonhara e se realmente vira o que estava comentando. Como a internet sabe de quase tudo, resolvi consultá-la. E lá estava a comprovação de que minha memória está excelente e que o Papa Francisco é o melhor mestre do mundo. Eu lera, sim, a notícia. Era verdade. Como não vou perder o comentário que é, sem querer, uma paráfrase de ”Oração dos cinco dedos da mão” vai transmitir, para todos, uma lição para a vida.



Papa Francisco | Praça de S. Pedro, Vaticano, 14.12.2014 | AP Photo/Gregorio Borgia | D.R.


Tags: Mafalda Orlandini, crônica, colunas


Mafalda Orlandini é professora de português e literatura aposentada. Lecionou nos colégios: Nossa Senhora do Rosário (Porto Alegre), Vera Cruz (Porto Alegre), Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), E.E. Presidente Kennedy (Cachoeirinha), E.E. Santos Dumont (Porto Alegre) e no Curso Pré-Universitário (Porto Alegre) onde ministrava aulas sobre redação.

Durante muitos anos fez parte da banca de correções de redação nos vestibulares da PUC-RS.

E-mail: mafalda.orlandini@hotmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/mafalda.orlandini

 




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