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Colocando os Pingos nos IS

Mafalda Orlandini

11.07.2016

Colocando os Pingos nos IS

Para início de conversa, preciso informar que não tenho partido político, nem gosto de conversa fiada nem de dinheiro desonesto e fácil. Sou uma mãe de família, avó, bisavó, professora aposentada, leitora assídua, boa observadora e crítica silenciosa do que vem acontecendo no Brasil. Só quero fazer alguns comentários e registrar minha indignação de cidadã diante de absurdos que vêm há anos maltratando o país, enganando-nos descaradamente.

Hoje, dia 2 de julho, é Dia Internacional do Cooperativismo. Vou iniciar, comentando como conseguiram bombardear um plano excelente durante tantos anos. Estou de olho nele desde a década de sessenta, portanto desde o século passado. Eu era normalista e a professora mandou fazer uns trabalhos de pesquisa. Para mim foi sorteado o Cooperativismo que estava sendo proposto naquele tempo. Eu me apaixonei pelo tema e fiz um estudo aprofundado porque achava que era o “Ovo de Colombo” para os pequenos agricultores. Trabalho elogiado, nota dez, me deixou ligada para sempre no assunto e fiquei esperando um sucesso imediato, me informando sobre tudo que lhe era pertinente. Ledo engano, a decepção não demorou. E inúmeras cooperativas deram errado. Não preciso dizer os motivos: maus administradores, desvios de financiamentos, agricultores enganados, desconfiança entre os próprios cooperativados, brigas e até suicídio de algum endividado. Desvirtuaram o que deveria ser bom para todos. Muitos corrutos se aproveitaram da confiança dos que acreditaram neles. Foram necessários mais de quarenta anos para separar o “joio do trigo”. Hoje o Correio do Povo publica em destaque ISTO É UM DIAMANTE e ZH faz um suplemento dominical, enaltecendo o sistema.

Passemos a CPMF. Eu a considerava uma boa ideia. Achava até que era justo, tão pouquinho de cada um para uma causa tão justa. Mais uma falcatrua. Foi deliberadamente misturada a outros impostos e não corrigiu o caos da saúde. O Ministro da Saúde, o saudoso Adib Jatene, constatou seus desvios e, decepcionado, pediu demissão. Hoje, não sou mais tão crédula e imagino que também forrou o bolso de muitos corruptos. O povo festejou, quando, no governo Lula, ela foi extinta. Agora, os “salvadores” da Pátria estão discutindo a sua volta. Por quê? Para quê? Descobriram que ela vai acabar com o caos da saúde?

Sempre que pagava ou pago pedágio em estradas bem cuidadas, penso que é melhor pagá-lo, fazer viagens mais seguras, não ter carros e pneus destruídos e deparar com trágicos acidentes ceifando vidas pelas estradas esburacadas. Quando puderam, no Rio Grande do Sul, ou não renovaram os contratos com as Concessionárias ou romperam todos os possíveis. O Governo prometia serviços mágicos, mais baratos. Houve quem acreditasse no engodo. O resultado chegou a galope: estradas esburacadas, destruídas. Sem verba, que até eu sabia que iria faltar, as estradas estão como o Diabo quer. Hoje, o Governo está ansioso por abrir novas licitações e/ou parcerias público-privadas e buscar empresas dispostas a enfrentar o que der e vier.

Há também o controvertido “Bolsa Família”. Como era anunciado que era para acabar com a pobreza extrema no país, eu a defendia como justíssima. E eu confiei. A TV mostrava a pobreza das localidades e as crianças famintas e doentes. Havia muitas controvérsias. Também se ouvia dizer que muitos cadastros eram falsos, que não havia controle (o que foi comprovado agora), alguns queriam mesmo era uma “pensão vitalícia” da vagabundagem. No ano passado, me surpreendi com uma manchete que falava em um Prefeito do interior gaúcho que acabara com o Bolsa Família. Claro que quis saber como e por quê. Ótimo administrador, homem de visão, listou todos os beneficiários, verificou a situação de cada um, ajudou-os a se profissionalizarem e procurou emprego para cada um. Em uma cidade pequena, não deve ser tão difícil, mas deve ter pensado em fazer do Bolsa Família um meio, não um fim, ser transitória. Financiar os necessitados a se profissionalizarem, a aceitarem ajuda para sair da ignorância e da pobreza extrema pelo próprio esforço. Só devem continuar aqueles que não têm condições de sair: crianças, velhos e doentes. Aí sim. O Programa Bolsa Família terá o apoio irrestrito de todos e cumprirá gloriosamente sua missão.

Poderia ainda citar outros projetos ou planos que deram errado ou pouco resultado: Mobral, Bolsa Escola, Empréstimo Consignado, UPAS, Lei Rouanet. São boas ideias que os corruptos abocanham para forrar seus bolsos. Penso que o “capeta” inspira essas criaturas do mal que se locupletam com o dinheiro do povo e permanecem impunes O maior problema do Brasil é a impunidade, estamos cansados de saber. Para encerrar, vale uma boa notícia dessa semana: há indícios de que já está “menos pior” a situação econômica em alguns aspectos. Mais prudente é, independentemente de qualquer partido político, torcer para que comece a dar certo, pensar como bom brasileiro.

NOTA: fiz este comentário ou desabafo no dia 2 de julho. Com surpresa, deparei em ZH (dia 6) umas ideias semelhantes. O Ministro Osmar Terra anunciou que o Governo pensa em adotar programas de sucesso, entre eles, “Ensinar a Pescar”, para corrigir o que não está dando certo.


Tags: Mafalda Orlandini, crônica, colunas


Mafalda Orlandini é professora de português e literatura aposentada. Lecionou nos colégios: Nossa Senhora do Rosário (Porto Alegre), Vera Cruz (Porto Alegre), Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), E.E. Presidente Kennedy (Cachoeirinha), E.E. Santos Dumont (Porto Alegre) e no Curso Pré-Universitário (Porto Alegre) onde ministrava aulas sobre redação.

Durante muitos anos fez parte da banca de correções de redação nos vestibulares da PUC-RS.

E-mail: mafalda.orlandini@hotmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/mafalda.orlandini

 




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