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Estamos vivendo demais?

Mafalda Orlandini

31.07.2017

Estamos vivendo demais?

Sou uma leitora compulsiva de jornais e acompanho pela internet e TV o que acontece no Brasil e no mundo. Graças aos céus, o Alzheimer não me pegou. Isso significa que tenho lucidez e que, aos oitenta e sete anos, posso avaliar a importância das tão discutidas reformas. Acompanho com mais interesse a que atingirá a Previdenciária e que irá decidir o futuro dos meus descendentes. E fico incomodada, quando culpam os longevos e os aposentados do déficit dela e não abordam desvios e atos irregulares que a deixam claudicante.


Eu, meus netos Ricardo Júnior e Fernando, meu bisneto Pedro, minha neta Milena, minha nora Iane, meu filho Ricardo e meu bisneto João.

Sou devoradora de crônicas. Um dos meus preferidos é J. J. Camargo, cirurgião toráxico e diretor presidente do Centro de Transplantes da Santa Casa, suas crônicas são sempre uma lição de vida. Quero me referir a uma, muito especial, de fevereiro deste ano: O ESTORVO. Refere-se a um comentário que ouviu de Madre Tereza de Calcutá sobre velhinhos abandonados em clínicas, às vezes, até com todo conforto, mas foram esquecidos pelo desamor de seus descendentes.

Desde então, comecei a fazer comparações com minha velhice. Moro em meu próprio apartamento, com duas acompanhantes especializadas em cuidar de idosos. Administro e pago minhas contas sem entrar no vermelho, tenho o plano de saúde IPE que tem coberto minhas necessidades médicas e hospitalares. É claro que trabalhei muito na vida (até os oitenta anos ) e contribuí honestamente para a Previdência. Tudo isso para dizer que não sou um ESTORVO. Sou dona do próprio nariz.


Meu filho Riicardo, meus bisnetos João e Pedro com seu pai Ricardo Mattos, e atrás, em pé, meus netos Ricardo Júnior e Fernando.

Agora vem minha maior riqueza, aquela de que os velhinhos do doutor Camargo fala: não têm carinho, respeito nem gratidão de seus familiares. Tenho para dar e vender. Os netos, os filhos, a irmã, não passam um dia sem marcar presença. Vão ao supermercado para mim, fazem as compras que solicito, me acompanham aos bancos e aos médicos quando necessário. Não existe festa familiar de que eu não participe. Dedicam-me atenção e carinho especiais. Escutam-me e me olham com atenção. Digo-lhes que o abraço não é só dois tapinhas convencionais nas costas, mas é olhar a pessoa e rodeá-la com os braços, atestando seu carinho. Valeu a educação que lhes dei. Missão cumprida. Por que não podemos viver mais? Existem outros velhinhos felizes que ainda não cansaram de viver.


Eu, com minha neta Milena e meus bisnetos Pedro e João.


Tags: Mafalda Orlandini, crônica


Mafalda Orlandini é professora de português e literatura aposentada. Lecionou nos colégios: Nossa Senhora do Rosário (Porto Alegre), Vera Cruz (Porto Alegre), Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), E.E. Presidente Kennedy (Cachoeirinha), E.E. Santos Dumont (Porto Alegre) e no Curso Pré-Universitário (Porto Alegre) onde ministrava aulas sobre redação.

Durante muitos anos fez parte da banca de correções de redação nos vestibulares da PUC-RS.

E-mail: mafalda.orlandini@hotmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/mafalda.orlandini

 




Opinião do internauta

  • SUSI OBAL (31.07.2017 | 13.31)
    Prezada Senhora Mafalda, eu gostaria de parabenizá-la por sua cultura e seu interesse em assuntos do momento e seu depoimento sobre sua família. Eu estou com 83 anos, concordo com a senhora que a família é a nossa riqueza. Tenho dois filhos, 4 netos e um bisneto. Continuo trabalhando, ministro cursos de etiqueta empresarial, social e outros, adoro o que faço. Gostaria de enviar-lhe um abraço carinhoso. Sou amiga e fã do seu filho Ricardo de longa data. Um abraço ! Susi Obal
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