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Meus Pedacinhos do Céu

Mafalda Orlandini

09.10.2017

Meus Pedacinhos do Céu

Tenho minhas dificuldades da velhice, mas faço o possível para vencê-las da melhor maneira possível. Há poucos dias, consegui, com bons resultados, enfrentar uma cirurgia de catarata. Claro. Passei um pequeno susto, pois, excepcionalmente, minha pressão subiu. A anestesista ameaçou suspender o procedimento, mas, com uma dose de remédios, a intervenção pode ser realizada com êxito.

Vieram, então, as consequências. Aliás, tudo tem seu lado bom e o seu lado ruim. Depois de uns dias, ao me olhar no espelho, descobri que meus olhos continuam bem verdinhos como eram. Que bom!!! Eu não conseguia vê-los de óculos e nem sem eles, já que minha visão estava péssima. Após a alta, foi a espera dos óculos. Mais quinze dias.

Então foi a vez de me olhar com atenção no espelho. Quanta ruga, meu Deus!!!  Esse foi o ônus de enxergar melhor. A solução foi passar pelos espelhos sem olhar e curtir tudo de bom que havia conquistado. Posso ler meus jornais dispensando a lupa, ver a TV mais colorida, usar meu computador por mais tempo sem ficar cansada. Não me ardem mais os olhos pelo esforço. Enfim, tudo de bom. Eu não seria tão “fora da casinha” que pensasse em estar como uma estrela de TV que está sempre novinha em folha, reformadíssima. Cadê o dinheiro da professora para isso? Deixa para lá essas vaidades terrenas.

Mas existem muitos outros pedacinhos do céu. Na semana passada, fui agraciada com um presente muito especial: minha neta me trouxe a ecografia em que já se percebe o sexo do bebê. O Felipe vai formar um trio com o Pedro e o João. Esses três queridos capetinhas vão formar o “trio maravilha” dos meus bisnetos.

No mês passado, recebi outra alegria. O meu neto mais moço, de 12 anos, fez parte do grupo dos campeões gaúchos de handball do Colégio Farroupilha. Foi muito bom ver a alegria dele e a maneira como ele se orgulha de praticar esse esporte. Até já contei esse feito.

Tenho dois filhos e cinco netos. Não há dia em que um não venha almoçar comigo ou me telefone para saber se estou bem. Minha maior riqueza é a maneira como me tratam. Não sei dizer se é como avó, mãe, irmã ou amiga. Acho que, para eles, sou uma mistura de tudo. Nossos “papos” são gostosos e abordam qualquer assunto: família, política, futebol, sexo, amor, música, gastronomia, mais tudo que interesse no momento. Não há fronteiras entre as gerações. Há divergências, diferenças, mas tudo acaba em risadas, em beijinho, beijinho e até a próxima. Moramos em bairros diferentes, mas continuamos sendo uma família.

Para muitos pode parecer uma vida comum, sem grandes emoções. Mas para mim, cada visita dos familiares e amigos, cada notícia de um sucesso obtido por eles são meus pedacinhos do céu, formam meu terço com pedras de brilhante que eu posso curtir, quando faço minhas orações por eles. Não preciso de mais nada. Que todos os dias tragam as mesmas emoções e que eu possa agregar-lhe mais continhas imaginárias, embora um terço tenha seu formato tradicional.


Tags: Mafalda Orlandini, crônica


Mafalda Orlandini é professora de português e literatura aposentada. Lecionou nos colégios: Nossa Senhora do Rosário (Porto Alegre), Vera Cruz (Porto Alegre), Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), E.E. Presidente Kennedy (Cachoeirinha), E.E. Santos Dumont (Porto Alegre) e no Curso Pré-Universitário (Porto Alegre) onde ministrava aulas sobre redação.

Durante muitos anos fez parte da banca de correções de redação nos vestibulares da PUC-RS.

E-mail: mafalda.orlandini@hotmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/mafalda.orlandini

 




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