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Mais Casarão

Mafalda Orlandini

15.10.2018

Mais Casarão

Continuando: a sala que era antes uma biblioteca foi transformada em um gabinete para o papai. Não me lembro bem como era, mas acredito que trouxemos o gabinete da outra casa. Eram móveis feitos pelo Dariano, uma empresa de móveis diversificados, a mesma que executou os do dormitório de meus pais e aquele que ganhei de presente de casamento e tenho até hoje. Ao lado da porta da biblioteca, havia uma pequena sacada que abria para a Vinte e Quatro de Outubro. Ainda no amplo hall de entrada, surgia suntuosa e grande porta branca da sala de festas do palacete da família Orlandini.


Foto do Console diante do qual, eu e minha irmã, tiramos fotos de casamento. Ele ficava na parede ao lado das portas de entrada. Nesta foto minha irmã Leda no dia de seu casamento.

Essa sala era um luxo só. As paredes eram revestidas de um papel importado (ainda não havia nacional) meio aveludado, os móveis eram estilo neoclássico (Luís XV ou XVl): sofá, quatro poltronas, bancos com tela dourada e uma mesa com tampo de mármore rosado. Essa mesa tem história. Em cima dela, minha irmã e eu, assinamos as nossas certidões de casamento. O Oscar, quando tinha dois ou três anos, adorava colocar seus brinquedos sobre uma tela que, a dez centímetros do chão, unia os quatro pés da mesa. Era seu lugar preferido para brincar.


Foto do recanto no dia de meu casamento com o Ney.

Havia um recanto com os banquinhos dourados junto a uma coluna do mesmo mármore do tampo da mesa principal. Ali havia uma das cortinas feitas pela Casa Kluwe. Aliás, a casa toda, com exceção do dormitório da Leda, foi cortinada por técnicos dessa casa que era a mais famosa na época. Minha mãe não deixava por menos. Não sobrava nenhuma janela despida. Essa sala está hoje na residência da Cristina, viúva do meu irmão Lourenço. Impecável, restaurada, inclusive com o lindo lustre original que imita aqueles dos antigos teatros. Apenas o console, douradíssimo, está enfeitando minha sala principal.

Destaco a descrição dessa sala que entrou na negociação dos imóveis porque ela é o símbolo do status que vivemos naquela época. Não éramos de famílias tradicionais, mas fomos aceitos na alta sociedade da época pelo poder da situação econômica. Frequentávamos, então, os clubes mais tradicionais: Leopoldina Juvenil e Clube do Comércio.

No final da década de 50, os filhos do casal Orlandini já haviam casado. Residiam em outros bairros mais populares. Outra geração se formara. O Casarão foi negociado e meus pais foram morar em um apartamento na Avenida Independência. As reuniões familiares passaram a ser aos domingos no Haras Realce em Belém Novo.

No entanto ainda não terminei o que tenho para contar daquele e tempo tão feliz. Estou adorando reviver aquela década de nossas vidas. Até mais


Tags: Mafalda Orlandini, crônica, colunas


Mafalda Orlandini é professora de português e literatura aposentada. Lecionou nos colégios: Nossa Senhora do Rosário (Porto Alegre), Vera Cruz (Porto Alegre), Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), E.E. Presidente Kennedy (Cachoeirinha), E.E. Santos Dumont (Porto Alegre) e no Curso Pré-Universitário (Porto Alegre) onde ministrava aulas sobre redação.

Durante muitos anos fez parte da banca de correções de redação nos vestibulares da PUC-RS.

E-mail: mafalda.orlandini@hotmail.com

Facebook: http://www.facebook.com/mafalda.orlandini

 




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