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Faça amor, não faça a guerra

Liene Resende

02.09.2013

Faça amor, não faça a guerra

Aqueles hippies dos anos 60 e 70, que revolucionaram a sexualidade, o papel da mulher na sociedade e as relações familiares, agora estão chegando na terceira idade. Meus colegas de ginásio estão com quase 60 anos, alguns já chegaram lá. Pergunto-me seguidamente como estarão.

Os que revolucionaram a sexualidade e que gritavam: “faça amor, não faça a guerra”, como fazem sexo hoje?  O amor ainda é livre?

Vejo os que se tornaram bem tradicionais: casados, fiéis, fazendo sexo apenas uma vez ou outra. Vejo os que iniciaram a vida tradicionalmente, mas que após algum tempo trocaram de parceiros e recomeçaram. Aliás, a maior parte de minha geração se divorciou, pelo menos uma vez.

As pesquisas dizem que mais de 50% dos casados já tiveram, pelo menos uma vez, relações extraconjugais. Acredito que esteja havendo um novo pacto entre os casais, onde a fidelidade não seja um ponto chave para o bem viver. Há inclusive os que frequentam casas de swings com seus parceiros. Pode-se fazer sexo por diversão, sem incluir um envolvimento maior.

Uma grande percentagem tem fobia ao envolvimento afetivo. Parece que algo está errado aqui. O que temem? Temem se prender e cair na armadilha do amor?  Não fazem nem amor e nem a guerra.

As que queimaram os sutiãs, que gritaram por igualdade, como estarão? Acredito que bem. Estão próximas da aposentadoria, são independentes, não baixam mais a cabeça quando estão insatisfeitas sexual ou economicamente. Exigem respeito, se não conseguem, dão as costas e vão embora. Lutam por sua felicidade, não esperam que ela seja dada pelo companheiro.

Quanto às novas relações familiares, foram consequências de inúmeras outras mudanças, vieram atrás. Junto com a revolução sexual e econômica da mulher, veio a independência em relação ao companheiro, tendo marido e mulher funções semelhantes no andamento da casa.

A sociedade toda teve que se adaptar; as creches se proliferaram; a preparação das refeições tornou-se rápida e prática, surgiram mil utilidades domésticas para ajudar.

Os homens passaram a se interessar pela culinária, tornando-se, muitas vezes, ótimos cozinheiros e as mulheres, agora também dirigem e começaram a entender de carros e mecânica. E quando fura um pneu? Chama-se o seguro.

É uma geração que não conseguiu modelos para se identificar. Os seus pais não servem mais como exemplo, tendo que ir descobrindo novos caminhos a cada passo. Isto traz, ao mesmo tempo, insegurança e legitimidade. Cada passo é próprio seu, não houve de quem copiar. Assim, esta geração continua, a cada idade se reinventando.


Tags: Liene Resende, Liene, crônica, artigo, dia a dia, filhos, militares


Liene Resende é cronista, articulista e escritora.

e-mail: lieneresende@ricardoorlandini.net




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