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A única briga da minha vida

Gilberto Jasper

05.11.2013

A única briga da minha vida

           Nunca gostei de briga, aquelas de trocar sopapos. Desde os tempos de piá tive fama de medroso, o que nunca me incomodou. Entreveros com socos e pontapés me revoltam. Os conflitos tão frequentes nos estádios de futebol soam como selvageria pura, a mais eloquente prova de como um ser humano pode se assemelhar a um animal.
 
            Como toda regra exige uma exceção, comigo não foi diferente. Lembro com nitidez a única briga que travei na vida. Na verdade nem foi um soco. Foi um tapa desferido contra um vizinho. O nome dele é Paulo Berti. O enrosco nasceu numa simples pelada de rua. Irritado, parti pra cima da minha vítima que, pelo apelido (Paulinho) mostrava não se tratar de um brutamontes.
 
            Desferi um tapa na cabeça do desafeto, saí correndo e me escondi em casa. Sob o chuveiro, a cena não saía da minha cabeça. “Vi” e “revi” inúmeras vezes o resultado da minha fúria. Tinha 14/15 anos no máximo. Mal consegui jantar, o que chamou a atenção da família porque sempre fui bom de garfo.
 
            Atormentado pelo remorso, por volta das 22h tirei o pijama, botei um abrigo e ganhei a rua. Fui bater direto na casa do Paulinho. A mãe atendeu, bastante assustada:
            - Oi, tudo bom? Ele já está dormindo. Tu podes deixar para amanhã?
 
            Gaguejando respondi:
            - A senhora me desculpa, mas é muito urgente. Precisa ser agora!
 
            Surpresa ela sumiu entre grossas cortinas. Minutos depois apareceu minha “vítima” esfregando os olhos, cheio de sono. Quando viu que era eu, recuou:
 
            - Vai me bater de novo? - perguntou ironicamente.
 
            Fiquei ainda mais envergonhado, mas encontrei forças para dizer:
 
            - Quero te pedir desculpas. O que eu fiz não tem explicação, é uma vergonha. Tu é meu amigo. Me perdoa?
            Ele nem teve tempo de responder porque saí correndo.
 
No dia seguinte voltamos a bater bola no meio da rua, como se nada tivesse acontecido. Foi a primeira e última briga “no braço” da minha vida. 
 
           Décadas mais tarde reencontrei o Paulinho no Palácio Piratini, onde trabalhava na Assessoria de Imprensa. Ele era vereador do município de Estrela. Na semana passada vi uma foto dele no jornal de Arroio do Meio, onde é gerente do Banrisul.

Tags: Gilberto Jasper, jornalismo, Em Outras Palavras


Gilberto Jasper é jornalista. Trabalhou como repórter nos jornais O Alto Taquari (Arroio do Meio), O Informativo do Vale (Lajeado), Gazeta do Sul (Santa Cruz do Sul) e Zero Hora (Porto Alegre), além das rádios Independente (Lajeado) e Gazeta AM/FM (Santa Cruz do Sul). Como assessor de Imprensa atuou com o ex-secretário da Educação, Bernardo de Souza (Governo Simon), além do Palácio Piratini (Governos Antônio Britto e Germano Rigotto), na Presidência da Assembleia Legislativa do RS (com os deputados Paulo Odone e Frederico Antunes), na Presidência da Câmara de Vereadores de Porto Alegre (vereador Sebastião Melo) e com o deputado federal Osmar Terra. Foi assessor de Imprensa da Presidência do Tribunal de Justiça do RS. Atualmente é coordenador de Comunicação do gabinete do deputado Tiago Simon na AL-RS.

Saído no interior de uma cidadezinha do Vale do Taquari com pouco mais de 5 mil habitantes aos 17 anos me considero um privilegiado por ter feito tantas coisas, por ter conhecido inúmeros lugares interessantes e, acima de tudo, ter tido o privilégio de conviver milhares de pessoas e ter feito valiosos amigos.

Contato:
e-mail: gilbertojasper@gmail.com
Blogger: gilbertojasper.blogspot.com.br




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