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O perigo pede carona

Gilberto Jasper

14.01.2014

O perigo pede carona

Passei a maior parte da minha juventude (ok... nasci em 1960!) viajando de carona. Mochila nas costas e dedão em riste inúmeras vezes rodei pela BR-386 – então conhecida como Estrada da Produção – e pela free way, apelido da BR-290 e inaugurada em setembro de 1973. Naquele tempo era possível acolher um estranho sem sobressaltos.
            Junto ao acostamento da Avenida Castelo Branco, na saída de Porto Alegre, uma legião de cabeludos buscava motorista dotados de coração bondoso. A cada sábado era preciso acordar mais cedo para driblar a concorrência. Normalmente viajávamos em dois ou três amigos. E por incrível que jamais precisei recorrer ao ônibus para viajar.
 
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            Uma das primeiras viagens feitas “no dedão” foi num Fusca branco. Éramos três mochileiros. Ao pedir carona notei que o motorista era  educadíssimo, de fala macia, gestos delicados. Tomei a frente para me acomodar no banco de trás, junto com outro parceiro. O terceiro parceiro, felizardo por sentar ao lado do condutor, era do tipo brucutu, metido a machão e que gostava de uma briga.
            Durante todo o trajeto, cumprido em pouco mais de uma hora até o centro de Tramandaí, o motorista manteve a mão direita sobre a coxa do meu amigo sentado ao lado. Mal o carro parou na Avenida Emancipação para o caroneiro da desembarcar num pulo para fora do Fusca. O affair rodoviário rendeu um final de semana inteiro de muitas gozações... 
 
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            Em outra carona, voltando de Tramandaí – praia mais agitada da época - corremos sério risco de vida quando uma vistosa caminhonete Ford, de cabine dupla, “cantou pneu” ao parar. Imediatamente pulamos para dentro da carroceria fechada.
            Estranhei o fato de transitarmos pela chamada “estrada velha” da praia onde o sonho de Santo Antônio da Patrulha era a principal atração, ao invés de usufruir da modernidade da free way. Comentei em voz alta minha dúvida e o avô da motorista – uma loira de vinte e poucos anos – explicou:
            - A Lurdes aprendeu a dirigir há pouco tempo, não tem carteira de motorista e tem medo de ser pega pela Polícia Rodoviária.
            A viagem foi emocionante. Repleta de freadas bruscas, ultrapassagens cinematográficas e manobras bizarras que faziam a bagagem voar sobre nós. Viajei com o coração na mão e um cachorro no colo que rosnava a cada “barbeiragem”. Mas como carona é uma viagem de graça... ninguém ousou reclamar!

Tags: Gilberto Jasper, jornalismo, Em Outras Palavras


Gilberto Jasper é jornalista. Trabalhou como repórter nos jornais O Alto Taquari (Arroio do Meio), O Informativo do Vale (Lajeado), Gazeta do Sul (Santa Cruz do Sul) e Zero Hora (Porto Alegre), além das rádios Independente (Lajeado) e Gazeta AM/FM (Santa Cruz do Sul). Como assessor de Imprensa atuou com o ex-secretário da Educação, Bernardo de Souza (Governo Simon), além do Palácio Piratini (Governos Antônio Britto e Germano Rigotto), na Presidência da Assembleia Legislativa do RS (com os deputados Paulo Odone e Frederico Antunes), na Presidência da Câmara de Vereadores de Porto Alegre (vereador Sebastião Melo) e com o deputado federal Osmar Terra. Foi assessor de Imprensa da Presidência do Tribunal de Justiça do RS. Atualmente é coordenador de Comunicação do gabinete do deputado Tiago Simon na AL-RS.

Saído no interior de uma cidadezinha do Vale do Taquari com pouco mais de 5 mil habitantes aos 17 anos me considero um privilegiado por ter feito tantas coisas, por ter conhecido inúmeros lugares interessantes e, acima de tudo, ter tido o privilégio de conviver milhares de pessoas e ter feito valiosos amigos.

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e-mail: gilbertojasper@gmail.com
Blogger: gilbertojasper.blogspot.com.br




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