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Minha mãe é um monstro!

Gilberto Jasper

21.01.2014

Minha mãe é um monstro!

 
            Ao vislumbrar o contingente feminino que lotava o shopping às vésperas do Natal concluí que quase todas são loiras e têm cabelos impecavelmente lisos. Depois, ao almoçar num tradicional restaurante de Porto Alegre, vi um casal na terceira idade. Ela usava um cabelo alto, com ar antigo, típico dos anos 60, quando também se usava “coque” no alto da cabeça.
            Estas observações me remeteram a 1965 quando eu tinha cinco anos. Uma tia distante possuía um “instituto” – denominação de salão de beleza naquela época – em Teutônia, então distrito de Estrela, no Vale do Taquari. Meus pais gostavam de visitar aqueles parentes que raramente vinham a nossa casa.
 
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            Numa tarde de sábado de inverno, quando o salão estava vazio, a tia resolveu dar um trato no cabelo da minha mãe que raramente se utilizava destes luxos femininos. Saí para brincar com os primos porque o ruído do secador de cabelo se assemelhava a uma turbina de jato. Sem falar do indisfarçável perfume de laquê e de outros produtos “top de linha” da época.
            Ao retornar ao salão vislumbrei uma cena que jamais sairá da minha retina. Minha tia havia “desfiado” o cabelo da dona Gerti Jasper. Ela parecia um monstro vindo de outra galáxia ou um personagem saído dos filmes de ficção científica de orçamento barato. Eu estava chocado, mas as duas riam em voz alta, ignorando meu pavor.
 
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            Apesar dos meus reiterados apelos, minha tia manuseava com destreza uma escova, tornando ainda mais dantesca aquela figura que, somente pelas roupas parecia a minha mãe. Indignado com o descaso da dupla, chorei a plenos pulmões e me atirei no chão.
           - O que aconteceu? Tu caiu? Te machucou? – perguntou a tia que finalmente descobrira minha existência.
            Chorando freneticamente só tive forças para dizer:
            - Eu quero a minha mãe de volta! Cadê a minha mãe? O que tu fez com ela?

            Nenhum documento me convenceria de que “aquilo” era a minha mãe. Foi preciso que o cabelo “voltasse ao normal” – comprometendo o “penteado” idealizado por elas – para que eu parasse de chorar e finalmente pudesse vislumbrar a a minha mãe novamente. O caso, é claro, entrou para o folclore da família...


Tags: Gilberto Jasper, jornalismo, Em Outras Palavras


Gilberto Jasper é jornalista. Trabalhou como repórter nos jornais O Alto Taquari (Arroio do Meio), O Informativo do Vale (Lajeado), Gazeta do Sul (Santa Cruz do Sul) e Zero Hora (Porto Alegre), além das rádios Independente (Lajeado) e Gazeta AM/FM (Santa Cruz do Sul). Como assessor de Imprensa atuou com o ex-secretário da Educação, Bernardo de Souza (Governo Simon), além do Palácio Piratini (Governos Antônio Britto e Germano Rigotto), na Presidência da Assembleia Legislativa do RS (com os deputados Paulo Odone e Frederico Antunes), na Presidência da Câmara de Vereadores de Porto Alegre (vereador Sebastião Melo) e com o deputado federal Osmar Terra. Foi assessor de Imprensa da Presidência do Tribunal de Justiça do RS. Atualmente é coordenador de Comunicação do gabinete do deputado Tiago Simon na AL-RS.

Saído no interior de uma cidadezinha do Vale do Taquari com pouco mais de 5 mil habitantes aos 17 anos me considero um privilegiado por ter feito tantas coisas, por ter conhecido inúmeros lugares interessantes e, acima de tudo, ter tido o privilégio de conviver milhares de pessoas e ter feito valiosos amigos.

Contato:
e-mail: gilbertojasper@gmail.com
Blogger: gilbertojasper.blogspot.com.br




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