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Telefone, arma perigosa!

Gilberto Jasper

28.01.2014

Telefone, arma perigosa!

 
            O chamado telefone fixo ainda é um instrumento fundamental para alimentar a redação de qualquer veículo de comunicação. Redes sociais, e-mail e telefone celular ainda são novidades. Mas na maioria das vezes, o leitor, ávido por sugerir uma pauta ou registrar um fato que considera anormal, recorre ao número fixo geralmente registrado em sua agenda pessoal.
            O tilintar de telefones compõe a o fundo musical destas enormes salas que reúnem repórteres, editores, colunistas e outros profissionais. Quando trabalhei na Zero Hora não existiam celulares e a internet apenas engatinhava. Por isso, as pautas eram cumpridas quase que integralmente de maneira presencial. Era olho no olho entre repórter e fonte.
 
oxoxoxoxoxoxoxo
 
            Numa ensolarada manhã de inverno atendi a uma ligação, devidamente acomodado na editoria de Geral da ZH. Do outro lado, uma voz feminina - marcada pelo forte sotaque germânico que remeteu à minha infância no Vale do Taquari - anuncia.
            - Alô, bom dia. Por favor, a Eliane Brum está? – pergunta a mulher.
            - Bom dia! Não, a Eliane não está. Ela foi para a rua e... – tentei responder, antes de ser abruptamente atropelado pela mãe da repórter do outro lado da linha.
            - Mas como que ela foi pra rua? Ela me visitou no fim de semana passado e disse que adorava trabalhar aí e que todo mundo gostava dela! E agora o senhor me diz que ela foi pra rua? O que ela aprontou? O que ela fez de errado pra ser demitida: Me diga, por favor! Sou mãe dela e tenho direito de saber! – metralhou a mulher à beira de um ataque de nervos.
 
oxoxoxoxoxoxoxo
 
            Nem tive tempo de explicar que a jornalista procurada, estava, sim, na rua, mas em cumprimento de uma pauta. Ou como dizem os leitores “estava na rua fazendo uma reportagem”. Soube meses depois, confidenciado pela própria Eliane Brum, que a mãe precisou tomar um calmante ministrado pelo marido. Ele mesmo que, com calma, pouco mais tarde, ligou para a redação da ZH para receber a verdadeira explicação sobre o ocorrido.
            Hoje, cumprindo brilhante carreira no centro do país, Eliane nem lembrava do episódio que contei através de e-mail há poucos meses, pouco antes do lançamento de seu excelente A Menina Quebrada e Outras Colunas, obra que recomendo para quem gosta de texto refinado.

Tags: Gilberto Jasper, jornalismo, Em Outras Palavras


Gilberto Jasper é jornalista. Trabalhou como repórter nos jornais O Alto Taquari (Arroio do Meio), O Informativo do Vale (Lajeado), Gazeta do Sul (Santa Cruz do Sul) e Zero Hora (Porto Alegre), além das rádios Independente (Lajeado) e Gazeta AM/FM (Santa Cruz do Sul). Como assessor de Imprensa atuou com o ex-secretário da Educação, Bernardo de Souza (Governo Simon), além do Palácio Piratini (Governos Antônio Britto e Germano Rigotto), na Presidência da Assembleia Legislativa do RS (com os deputados Paulo Odone e Frederico Antunes), na Presidência da Câmara de Vereadores de Porto Alegre (vereador Sebastião Melo) e com o deputado federal Osmar Terra. Foi assessor de Imprensa da Presidência do Tribunal de Justiça do RS. Atualmente é coordenador de Comunicação do gabinete do deputado Tiago Simon na AL-RS.

Saído no interior de uma cidadezinha do Vale do Taquari com pouco mais de 5 mil habitantes aos 17 anos me considero um privilegiado por ter feito tantas coisas, por ter conhecido inúmeros lugares interessantes e, acima de tudo, ter tido o privilégio de conviver milhares de pessoas e ter feito valiosos amigos.

Contato:
e-mail: gilbertojasper@gmail.com
Blogger: gilbertojasper.blogspot.com.br




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