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Do arame ao notebook, o mecânico ainda é

Gilberto Jasper

18.03.2014

Do arame ao notebook, o mecânico ainda é "o cara”

     Esta semana levei meu carro a uma revenda autorizada para a revisão dos 20 mil km. Entreguei uma lista de serviços. O principal problema era o alto consumo. Apesar de tratar-se de possuir câmbio automático, o veículo gastava muito combustível. O supervisor da oficina me olhou com ar blasé e resmungou:
            - Vou ver se tem uma atualização do software para resolver o seu problema.
            Indo para o trabalho de táxi, pensei no que o cara tinha dito. Sou do tempo em que se comprava um Fusca e no porta-luvas havia um pedaço de arame e uma chave de fenda para não ficar a pé.
 
                                               oxoxoxoxoxoxoxoxoxoxo
 
           
         Hoje a tecnologia embarcada nos veículos desafia a imaginação. A velha oficina mecânica de operários de macacão com assoalho manchado de óleo é passado. Lembro do mecânico logo que comprei o primeiro carro, um Fusca 1300 azul, ano 1968. Era um senhor com setenta e poucos anos, metódico, sempre pronto a ajudar.
            De estopa na mão, macacão azul marinho e chinelos de dedo, bastava estacionar que ele vinha ao meu encontro para ouvir as queixas.
            - O carro tá falhando. Pode dar uma olhada? – perguntava.
            Ele, então, me pedia para ligar o motor. Agachado, encostava o ouvido no capô traseiro por menos de um minuto. Aí mandava desligar o carro, botava a mão no meu ombro, suspirava e repetia com o inconfundível sotaque germânico:
            - O problema do “motôa” é simples: é “carburatôa” ou “distribuitôa” – referindo-se aos problemas do motor que seriam carburador ou distribuidor.
                                              
                                               oxoxoxoxoxoxoxoxoxoxo
           
            Já em Porto Alegre, lembro de um profissional que lecionava mecânica para adolescentes carentes. Era organizado, metódico, prolixo. Era preciso muita paciência na hora de retirar o veículo da oficina. Seu Hélio explicava em detalhes cada defeito, a respectiva solução adotada e os motivos para a  troca de cada peça. Eu, leigo total, não via a hora de sair dali.
            Hoje meu mecânico atual é um especialista para qualquer problema. É um grande amigo da família. Henry Grimaldi é, além de um excelente mecânico, um homem educado, bem informado fala sobre qualquer assunto. Trabalha na Avenida Plínio Brasil Milano, defronte a Igreja Auxiliadora. E já me salvou de muitas enrascadas. De bateria arriada à pane total de motor.
            - Não ser preocupe. Vou aí, na sua casa, e se precisar trago o carro aqui pra oficina – repete com voz típica de um profissional de mão cheia.
            Desde o arame com chave de fenda até o laptop, o mecânico continua peça fundamental. A tecnologia evolui. Mas o relacionamento humano ainda é o grande diferencial.

Tags: Gilberto Jasper, jornalismo, Em Outras Palavras


Gilberto Jasper é jornalista. Trabalhou como repórter nos jornais O Alto Taquari (Arroio do Meio), O Informativo do Vale (Lajeado), Gazeta do Sul (Santa Cruz do Sul) e Zero Hora (Porto Alegre), além das rádios Independente (Lajeado) e Gazeta AM/FM (Santa Cruz do Sul). Como assessor de Imprensa atuou com o ex-secretário da Educação, Bernardo de Souza (Governo Simon), além do Palácio Piratini (Governos Antônio Britto e Germano Rigotto), na Presidência da Assembleia Legislativa do RS (com os deputados Paulo Odone e Frederico Antunes), na Presidência da Câmara de Vereadores de Porto Alegre (vereador Sebastião Melo) e com o deputado federal Osmar Terra. Foi assessor de Imprensa da Presidência do Tribunal de Justiça do RS. Atualmente é coordenador de Comunicação do gabinete do deputado Tiago Simon na AL-RS.

Saído no interior de uma cidadezinha do Vale do Taquari com pouco mais de 5 mil habitantes aos 17 anos me considero um privilegiado por ter feito tantas coisas, por ter conhecido inúmeros lugares interessantes e, acima de tudo, ter tido o privilégio de conviver milhares de pessoas e ter feito valiosos amigos.

Contato:
e-mail: gilbertojasper@gmail.com
Blogger: gilbertojasper.blogspot.com.br




Opinião do internauta

  • rudy lang (20.03.2014 | 11.47)
    Caro colega, O seu carro é flex-fuel, bi-combustível ou "funciona com etanol e gasolina ou os dois misturados? Se for, desista de economizar combustível. É fisicamente impossível compatibilizar gasolina e etanol em um mesmo motor, pois as taxas de compressão para cada um desses combustíveis são incompatíveis. Não há software que consiga mudar as taxas de compressão de um motor. No RS, o combustível é GASOLINA. Evite coquetéis. Confirme com o Sr. Hélio.
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