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Turbilhão de Emoções

Gilberto Jasper

11.11.2014

Turbilhão de Emoções

Como todo colorado, meu domingo foi de estupefação. Afinal, os três pontos do Gre-Nal estavam antecipadamente contabilizados, embora se admitisse um empate para ficar na frente do coirmão. A avalanche tricolor, porém, soterrou nosso sonho de Libertadores. Como previ numa roda de chope, o Inter deve mesmo ficar entre o sexto e o oitavo lugar. 

Democracia pressupõe respeito às escolhas. A premissa garantiu uma alegria memorável em meio ao turbilhão depressivo pós-jogo. Aos seis anos, minha filha, Laura, hoje com 20 anos, assumiu seus pendores tricolores. Desde então, a decisão gera acaloradas discussões em dias de clássico lá em casa, onde o coloradismo impera absoluto.

Sócia do Grêmio, Laura jamais experimentou tamanha euforia como no domingo. Como faço nas vitórias comandadas por D'Alessandro – quando joga ao invés de vociferar dentro do campo –, fiquei diante da TV até a madrugada para assistir a todos os programas esportivos, rever os gols, conferir a inesquecível euforia da nação tricolor. Tudo isso ao lado da minha filha.

Aos 54 anos, aprendi que futebol é business que envolve bilhões para pagar salários irreais a jogadores medíocres. Há décadas deixei de brigar com confrades rivais às segundas-feiras ou de tocar flauta nos derrotados. Saudosismo? Não. Os ensinamentos do velho Giba, falecido aos 52 anos, mostram que "conviver com os diferentes" nos poupa de sofrimentos, frustrações e evita o extermínio de preciosas amizades. Inclusive no futebol.

Domingo por coincidência, antes do histórico 4 a 1, comprei uma camiseta retrô do Grêmio para a Laura que me acompanhava ao supermercado. 
— Pode usar no jogo, mas não me sacaneia! — brinquei.
Lembrei do episódio enquanto assistíamos ao Bate-Bola da TVCOM, e ao rir da loucura incontida do Peninha Bueno no Extraordinários no Sport TV.

Foi uma dolorosa goleada. Mas já na quarta-feira, diante do freguês tricolor treinado por Muricy Ramalho, tudo será passado. Eu não suportava mais ver minha filha chegar amargurada do estádio, esmagada pela frustração impingida pelo time do coração.

A mensalidade tricolor, debitada religiosamente em minha conta do Banrisul, não rende juros. Mas o investimento gerou enorme felicidade e um momento inesquecível ao lado da Laura, que demorou a dormir no domingo à noite. Turbilhão de emoções que só o futebol pode proporcionar.
 

(Esse texto foi publicado no espaço "De fora da área", do jornal Zero Hora, no dia 11 de novembro de 2014)


Tags: Gilberto Jasper, jornalismo, Em Outras Palavras


Gilberto Jasper é jornalista. Trabalhou como repórter nos jornais O Alto Taquari (Arroio do Meio), O Informativo do Vale (Lajeado), Gazeta do Sul (Santa Cruz do Sul) e Zero Hora (Porto Alegre), além das rádios Independente (Lajeado) e Gazeta AM/FM (Santa Cruz do Sul). Como assessor de Imprensa atuou com o ex-secretário da Educação, Bernardo de Souza (Governo Simon), além do Palácio Piratini (Governos Antônio Britto e Germano Rigotto), na Presidência da Assembleia Legislativa do RS (com os deputados Paulo Odone e Frederico Antunes), na Presidência da Câmara de Vereadores de Porto Alegre (vereador Sebastião Melo) e com o deputado federal Osmar Terra. Foi assessor de Imprensa da Presidência do Tribunal de Justiça do RS. Atualmente é coordenador de Comunicação do gabinete do deputado Tiago Simon na AL-RS.

Saído no interior de uma cidadezinha do Vale do Taquari com pouco mais de 5 mil habitantes aos 17 anos me considero um privilegiado por ter feito tantas coisas, por ter conhecido inúmeros lugares interessantes e, acima de tudo, ter tido o privilégio de conviver milhares de pessoas e ter feito valiosos amigos.

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