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Uma quase tragédia de verão

Gilberto Jasper

24.01.2015

Uma quase tragédia de verão

            Nos tempos de piá verão era sinônimo de longos dias de sol em Tramandaí, onde meu avô materno, Bruno Kirst, mantinha um enorme chalé de madeira. Meu pai, Gilberto Jasper, veraneou lá a vida toda. Chegou, inclusive, a comprar uma casa na chamada zona nova, perto da avenida de acesso à cidade, onde ironicamente faleceu de maneira precoce aos 52 anos.
            A rotina praiana nunca mudava. Previa que depois de descarregar a bagagem meu pai zarpava faceiro até uma fruteira localizada defronte ao Supermercado Real, hoje Nacional, na Avenida Emancipação.
Pêssego, melancia, uva, banana, ameixa e tudo mais que estivesse á mostra era comprado com sofreguidão. Mais ansioso que o normal, certo dia o velho Giba resolveu levar para casa um vistoso cacho de banana caturra. Ele nem ligou para o fato das frutas estarem completamente verdes. Para acelerar o amadurecimento das bananas o cacho foi envolvido em folhas de jornal e guardado na garagem, nos fundos do terreno.
oxoxoxoxoxoxoxoxo
            A verdadeira orgia de frutas era uma prática tradicional ao longo da temporada de veraneio. O consumo de melancia era cercado de um ritual imposto à gurizada. Mistura com outras frutas, com suco de uva e leite entre outros, era vedada na hora, tornando o fruto carnudo uma espécie de maldição.
            Depois da grande compra de frutas daquele ano, a empregada doméstica que viera conosco do interior d0e Arroio do Meio – onde morávamos – passou mal, estava pálida. Tinha, também, fortes dores estomacais, além de apresentar a boca arroxeada e repuxada.
            Por sugestão da minha mãe, dona Gerti, levamos a doméstica ao pronto socorro do Hospital Mário Totta. Depois de examinar o abdômen, o plantonista ficou impressionado,
            - A barriga dela parece uma pedra! O que ela andou comendo? – indagou.                                                         
oxoxoxoxoxoxoxoxo
Minha mãe listou os alimentos servidos nos últimos dias, o que não trouxe indícios suficientes para um diagnóstico. Ninguém, lá em casa, acusara qualquer tipo de problema.
            Encurva de tanta dor, a serviçal murmurou:
            - Eu comi aquela fruta que tá lá na garagem. Achei meio dura, mas como eu nunca tinha comido, achei que era normal. Só tirei o jornal e engoli quase tudo inteiro porque não conseguia mastigar...
            Imediatamente foi feita uma lavagem intestinal. Depois de dois dias de repouso, tudo voltou ao normal. Por isso, meus amigos, convém jamais consumir frutas desconhecidas. Principalmente quando não estão maduras...

Tags: Gilberto Jasper, jornalismo, Em Outras Palavras


Gilberto Jasper é jornalista. Trabalhou como repórter nos jornais O Alto Taquari (Arroio do Meio), O Informativo do Vale (Lajeado), Gazeta do Sul (Santa Cruz do Sul) e Zero Hora (Porto Alegre), além das rádios Independente (Lajeado) e Gazeta AM/FM (Santa Cruz do Sul). Como assessor de Imprensa atuou com o ex-secretário da Educação, Bernardo de Souza (Governo Simon), além do Palácio Piratini (Governos Antônio Britto e Germano Rigotto), na Presidência da Assembleia Legislativa do RS (com os deputados Paulo Odone e Frederico Antunes), na Presidência da Câmara de Vereadores de Porto Alegre (vereador Sebastião Melo) e com o deputado federal Osmar Terra. Foi assessor de Imprensa da Presidência do Tribunal de Justiça do RS. Atualmente é coordenador de Comunicação do gabinete do deputado Tiago Simon na AL-RS.

Saído no interior de uma cidadezinha do Vale do Taquari com pouco mais de 5 mil habitantes aos 17 anos me considero um privilegiado por ter feito tantas coisas, por ter conhecido inúmeros lugares interessantes e, acima de tudo, ter tido o privilégio de conviver milhares de pessoas e ter feito valiosos amigos.

Contato:
e-mail: gilbertojasper@gmail.com
Blogger: gilbertojasper.blogspot.com.br




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