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Mistérios deste país chamado Brasil

Gilberto Jasper

16.02.2015

Mistérios deste país chamado Brasil

            Ao ler as barbaridades concebidas a partir de Brasília, envolvendo deputados, senadores e aspones que gravitam em torno do poder, imagino a revolta de prefeitos de municípios pobres, repletos de problemas sociais.

            Meu pai, pelos idos de 1968, foi vereador em Arroio do Meio, no Vale do Taquari, onde nasci. Havia talvez 5 mil habitantes, a maioria da zona rural porque a produção primária era o carro-chefe da economia.

            Depois de uma campanha eleitoral disputada no melhor estilo corpo a corpo em armazéns iluminados por lampiões, o mandato do velho Giba foi marcado por profundas mudanças na rotina da nossa família. Na hora do almoço era comum a presença de uma ou duas pessoas estranhas. Quase sempre eram agricultores que sequer sabiam falar português e pediam ajuda para resolver problemas legais e burocráticos.

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            Ir à Exatoria Estadual – repartição pública responsável pelo recolhimento de impostos – para obter o talão do produtor – indispensável para a comercialização de produtos primários – era rotineiro. Havia ainda encaminhamentos de saúde (vacinas, consultas médicas, exames), até a aquisição de implementos agrícolas, roupas, presentes para netos recém nascidos e orientação para pegar o ônibus de volta para casa.

            Meu pai não recebia salário, muito menos reembolso do combustível gasto na atividade política, sequer para a manutenção do Fusca, guerreiro que percorreu picadas e grotões na conquista do mandato. A intensidade da função agravou os problemas de coluna que castigaram o velho Giba, vereador do MDB (Movimento Democrático Brasileiro, de oposição), obrigando-o a duas cirurgias.

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            Além do hábito de ajudar os necessitados, aprendi a prática de conviver com aqueles que pensam de maneira diferente. Vereadores e até o prefeito, todos da poderosa Arena (sigla da Aliança Renovadora Nacional que apoio o golpe de 1964), iam tomar chimarrão lá em casa. O objetivo era aprovar projetos, aperfeiçoar propostas e debater temas de importância para o município.

            Ao flertar com o saudosismo, acho que falta um pouco de “amadorismo”. Não defendo o exercício da função pública de maneira gratuita, mas me agride a facilidade com que recursos públicos são desviados para contas particulares. Bilhões sumiram na Petrobras, sem levantar suspeita junto aos inúmeros órgãos de fiscalização, internos e externos.

            Simultaneamente milhares de vereadores e prefeitos municípios pobres sofrem. Eles não compreendem, assim como eu, porque há necessidade de tantos intermediários entre Brasília e as prefeituras necessitadas.


Tags: Gilberto Jasper, jornalismo, Em Outras Palavras


Gilberto Jasper é jornalista. Trabalhou como repórter nos jornais O Alto Taquari (Arroio do Meio), O Informativo do Vale (Lajeado), Gazeta do Sul (Santa Cruz do Sul) e Zero Hora (Porto Alegre), além das rádios Independente (Lajeado) e Gazeta AM/FM (Santa Cruz do Sul). Como assessor de Imprensa atuou com o ex-secretário da Educação, Bernardo de Souza (Governo Simon), além do Palácio Piratini (Governos Antônio Britto e Germano Rigotto), na Presidência da Assembleia Legislativa do RS (com os deputados Paulo Odone e Frederico Antunes), na Presidência da Câmara de Vereadores de Porto Alegre (vereador Sebastião Melo) e com o deputado federal Osmar Terra. Foi assessor de Imprensa da Presidência do Tribunal de Justiça do RS. Atualmente é coordenador de Comunicação do gabinete do deputado Tiago Simon na AL-RS.

Saído no interior de uma cidadezinha do Vale do Taquari com pouco mais de 5 mil habitantes aos 17 anos me considero um privilegiado por ter feito tantas coisas, por ter conhecido inúmeros lugares interessantes e, acima de tudo, ter tido o privilégio de conviver milhares de pessoas e ter feito valiosos amigos.

Contato:
e-mail: gilbertojasper@gmail.com
Blogger: gilbertojasper.blogspot.com.br




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