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O elevador do pavor

Gilberto Jasper

24.07.2017

O elevador do pavor

Quando vejo a gurizada hipnotizada pelos jogos eletrônicos, sem desviar os olhos do smartphone ou da tevê nem para comer, lembro da minha infância. É inevitável! Admito tratar-se de “coisa de velho”. As épocas são distantes, muito diferentes e não existe parâmetro de comparação. Mas voltar no tempo é uma reação instintiva.

Nasci em 1960, o que dá bem a dimensão da distância que separa as épocas. Coisa de uns 40 anos. Entre tantas brincadeiras, uma – bastante original, modéstia à parte – ficou marcada para sempre. Antes, porém, é preciso localizar no tempo e no espaço o momento em que ocorreu o episódio.

Nasci no interior de Arroio do Meio, a Pérola do Vale do Alto Taquari, à época com 5 mil habitantes. Há seis quilômetros dali localiza-se Lajeado, autointitulada A Capital do Alto Taquari, centro comercial e empresarial da região.

Lajeado também ostenta o título de primeira cidade das redondezas a possuir um edifício equipado com elevador. A notícia provocou um alvoroço geral.

Depois de alguns meses da abertura ao público, o edifício comercial se transformou em ponto turístico. Eu e minha irmã, Neusa, apelamos às primas Tânia e Mara Kirsch para viabilizar o contato com o “transporte vertical” que apavorava alguns e maravilhava outros.

Numa tarde ensolarada encontramos as primas e partimos para o moderno edifício. A primeira surpresa ocorreu ao constatar o tamanho do prédio. Não lembro quantos andares, mas era algo inusitado para nós que morávamos “no interior do interior”.

A primeira “viagem” de elevador foi marcada pelo medo

A cada ruído, desde o fechamento da porta, tudo era susto e pavor… muito pavor! Concluída a primeira chegada ao térreo tomamos gosto (e coragem!) para novas aventuras que se repetiram ao longo da tarde. Perdi a conta de quantos passeios fizemos com o primeiro elevador que conheci na minha vida.

Tudo corria bem, até que, lá pela oitava ou nova subida, o porteiro do prédio ficou indignado e disparou o botão do alarme que ficava na portaria, fazendo o veículo frear entre dois andares. A gritaria foi grande. Havia outras pessoas conosco, o que só aumentou o pavor, o choro e as lágrimas.

Depois de alguns segundos, o elevador desceu suavemente “até o chão”. Sem olhar para trás chegamos à calçada no lado oposto ao prédio.

O susto foi tão grande que por detalhe não fomos atropelados por um táxi que completou a tarde de sustos, medo e xingamentos.


Tags: Gilberto Jasper, jornalismo, Em Outras Palavras


Gilberto Jasper é jornalista. Trabalhou como repórter nos jornais O Alto Taquari (Arroio do Meio), O Informativo do Vale (Lajeado), Gazeta do Sul (Santa Cruz do Sul) e Zero Hora (Porto Alegre), além das rádios Independente (Lajeado) e Gazeta AM/FM (Santa Cruz do Sul). Como assessor de Imprensa atuou com o ex-secretário da Educação, Bernardo de Souza (Governo Simon), além do Palácio Piratini (Governos Antônio Britto e Germano Rigotto), na Presidência da Assembleia Legislativa do RS (com os deputados Paulo Odone e Frederico Antunes), na Presidência da Câmara de Vereadores de Porto Alegre (vereador Sebastião Melo) e com o deputado federal Osmar Terra. Foi assessor de Imprensa da Presidência do Tribunal de Justiça do RS. Atualmente é coordenador de Comunicação do gabinete do deputado Tiago Simon na AL-RS.

Saído no interior de uma cidadezinha do Vale do Taquari com pouco mais de 5 mil habitantes aos 17 anos me considero um privilegiado por ter feito tantas coisas, por ter conhecido inúmeros lugares interessantes e, acima de tudo, ter tido o privilégio de conviver milhares de pessoas e ter feito valiosos amigos.

Contato:
e-mail: gilbertojasper@gmail.com
Blogger: gilbertojasper.blogspot.com.br




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