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Momento crítico

Gilberto Jasper

16.08.2017

Momento crítico

“Mais de 90% dos eleitores não se veem representados por políticos”. A manchete do Jornal do Comércio da última segunda-feira não surpreende, mas preocupa. Os dados resultam da pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos, acrescentando que apenas 6% dos eleitores se sentem representados pelos políticos em quem já votaram.

É o fundo do poço da credibilidade da classe política. A generalização sempre é um exercício de equívocos, já que todas possuem os bons e os maus. O noticiário diário, porém, tem sido pródigo na revelação de práticas condenáveis de quem detêm procuração para fazer o melhor. Por nós – cidadãos, pelo Estado e país, através do mandato.

Os prejuízos diante de tamanho desconsolo com a política são enormes, acarretando sérias desconfianças, inclusive em relação à democracia. A pesquisa revela ainda que 38% consideram que é o melhor regime, mas 47% discordam. Num país onde a ditadura provocou tantos estragos e vítimas este dado é preocupante.

A democracia, com todas as deformações, ainda é o melhor sistema. Graças à liberdade que alicerça seus princípios temos acesso a informação, matéria-prima da livre manifestação de opinião. Do contrário, jamais saberíamos da existência do Mensalão e dos roubos contra a Petrobras desvendados pela Operação Lava Jato.

Os dados do Instituto Ipsos trazem outras revelações: 81% dos entrevistados manifestaram concordância com a afirmação de que o problema do país não é o partido A ou B, mas o sistema político. Isto, talvez, seja consequência da infinidade de agremiações envolvidas nas inúmeras falcatruas perpetradas com recursos públicos. É dinheiro meu, seu, nosso, angariado através da cobrança de pesados e injustos tributos.

Voltando ao ponto de partida, onde 90% dos eleitores não se veem representados, resta um “mea culpados dos que votam e também daqueles que propugnam pelo voto nulo ou branco. A profunda crise – econômica e ética – que assola o Brasil obriga uma tomada de posição. Àqueles que veem no voto uma arma democrática para modificações de mudança é hora de cobrar postura de seus representantes. E isso se dá através da participação ativa no mandato, acompanhando votações e opiniões dos parlamentares escolhidos.

É difícil mudar a opinião de quem prefere se abster ou anular o voto. É uma opção prevista na democracia. Independente da postura, o momento é de comprometimentos. Se todos ignorarem a situação teremos o agravamento da situação do Brasil, colocando em risco o futuro das próximas gerações.


Tags: Gilberto Jasper, jornalismo, Em Outras Palavras


Gilberto Jasper é jornalista. Trabalhou como repórter nos jornais O Alto Taquari (Arroio do Meio), O Informativo do Vale (Lajeado), Gazeta do Sul (Santa Cruz do Sul) e Zero Hora (Porto Alegre), além das rádios Independente (Lajeado) e Gazeta AM/FM (Santa Cruz do Sul). Como assessor de Imprensa atuou com o ex-secretário da Educação, Bernardo de Souza (Governo Simon), além do Palácio Piratini (Governos Antônio Britto e Germano Rigotto), na Presidência da Assembleia Legislativa do RS (com os deputados Paulo Odone e Frederico Antunes), na Presidência da Câmara de Vereadores de Porto Alegre (vereador Sebastião Melo) e com o deputado federal Osmar Terra. Foi assessor de Imprensa da Presidência do Tribunal de Justiça do RS. Atualmente é coordenador de Comunicação do gabinete do deputado Tiago Simon na AL-RS.

Saído no interior de uma cidadezinha do Vale do Taquari com pouco mais de 5 mil habitantes aos 17 anos me considero um privilegiado por ter feito tantas coisas, por ter conhecido inúmeros lugares interessantes e, acima de tudo, ter tido o privilégio de conviver milhares de pessoas e ter feito valiosos amigos.

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e-mail: gilbertojasper@gmail.com
Blogger: gilbertojasper.blogspot.com.br




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