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65 anos

Gilberto Jasper

27.08.2017

65 anos

Não passa uma semana sem uma briga lá em casa. Em termos de família, os leitores irão convir, é algo normal. Sim, muito normal porque atrás dos belos ditados e comerciais de margarida da tevê – falando de casa, filho, marido/esposa, compartilhamento de bons momentos - existe a realidade. E o dia a dia sob o mesmo teto é um festival de broncas, risadas, contratempos, lágrimas e, se tudo der certo, conciliação.

A peleia é garantida repito que pretendo viver até os 65 anos. Nem mais, nem menos. Minha mulher invoca nossos dois filhos que ainda são jovens, que sou responsável por eles, pela casa, pelas contas... blá, blá, blá. Ouço, mas os argumentos dela não me sensibilizam.

Até os 65 anos – ou seja, daqui a oito Natais – espero ter saúde e disposição para cumprir sozinho coisas básicas do ser humano: acordar, tomar banho, fazer a barba, ler jornal, caminhar, ir ao banheiro, me alimentar, entre outras atividades normais de uma pessoa com razoável saúde.

Repito à família que não suportaria ter as fraldas trocadas pelos meus filhos, numa insuportável inversão de tarefas que eu cumpria quando eles eram bebês. Também detestaria me privar das gostosuras diárias como chocolate, bergamota, churrasco, queijo, pizza, pastel, salamito, entre outras. Também não quero ser privado de cerveja, uma taça de um cabernet ou de uma caipirinha.

Esta história de “melhor idade”, já escrevei aqui, é uma sacanagem consagrado por farmácia e laboratórios, e também por clinicas geriátricas, lugar em que odiaria morar. Já pensou encarar todos os dias uma geladeira com cadeado e sem as garrafinhas verdes de Heineken, suadas de tão geladas, sem poder tomar?

Admiro aqueles que enfrentam a velhice com resiliência. É um neologismo que significa sobreviver diante de reveses ou mudanças drásticas de vida. Já enfrentei muitas alterações na vida, mas apesar da minha assumida ansiedade, “sosseguei o facho” preferindo um estilo de menos enfrentamento, mais contemplação. Tarefa – confesso –difícil de cumprir.

Uso medicamentos para hipertensão, alergias (temporariamente... espero) e colesterol. Tão cedo não pretendo ampliar meu arsenal a ponto de usar duas malas em viagens – uma para roupas/calçados, outra para acomodar as drogas de uso contínuo.

Se tudo der certo, você, amigo leitor, terá “somente” oito anos de textos chatos e repetitivos de narrativas sobre filhos, família, doenças e outras mesmices. Qualidade de vida é uma obsessão da qual não abro... até os 65 anos!


Tags: Gilberto Jasper, jornalismo, Em Outras Palavras


Gilberto Jasper é jornalista. Trabalhou como repórter nos jornais O Alto Taquari (Arroio do Meio), O Informativo do Vale (Lajeado), Gazeta do Sul (Santa Cruz do Sul) e Zero Hora (Porto Alegre), além das rádios Independente (Lajeado) e Gazeta AM/FM (Santa Cruz do Sul). Como assessor de Imprensa atuou com o ex-secretário da Educação, Bernardo de Souza (Governo Simon), além do Palácio Piratini (Governos Antônio Britto e Germano Rigotto), na Presidência da Assembleia Legislativa do RS (com os deputados Paulo Odone e Frederico Antunes), na Presidência da Câmara de Vereadores de Porto Alegre (vereador Sebastião Melo) e com o deputado federal Osmar Terra. Foi assessor de Imprensa da Presidência do Tribunal de Justiça do RS. Atualmente é coordenador de Comunicação do gabinete do deputado Tiago Simon na AL-RS.

Saído no interior de uma cidadezinha do Vale do Taquari com pouco mais de 5 mil habitantes aos 17 anos me considero um privilegiado por ter feito tantas coisas, por ter conhecido inúmeros lugares interessantes e, acima de tudo, ter tido o privilégio de conviver milhares de pessoas e ter feito valiosos amigos.

Contato:
e-mail: gilbertojasper@gmail.com
Blogger: gilbertojasper.blogspot.com.br




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