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O tarado de São Paulo

Gilberto Jasper

06.09.2017

O tarado de São Paulo

O caso do homem que ejaculou no pescoço de várias mulheres dentro de ônibus em São Paulo choca, revolta e faz pensar. Os abusos cometidos no transporte coletivo são conhecidos há muito tempo, mas nunca houve uma medida efetiva para coibir esta barbaridade.

Muita gente ficou escandalizada com a notícia, veiculada em rede nacional e com repercussão em todos os veículos de comunicação. Muitos disseram considerar um absurdo a própria divulgação da insanidade. Mas é exatamente aí que se fortalece a função dos meios de comunicação: fiscalizar e trabalhar em favor da sociedade.

A retumbância do episódio provocou – finalmente! – uma tomada de atitude de diversos órgãos responsáveis pela fiscalização e punição. Solto por um magistrado sem compromisso social, o homem que cometeu o ato acabou preso. Mas isso aconteceu somente depois de reiterados atos obscenos na mesma cidade e na mesma linha de ônibus de São Paulo.

Mulheres que utilizam ônibus, trens e metrôs sofrem com tarados que se aproveitam da superlotação do péssimo sistema de transporte para saciar suas taras. Não bastasse a exploração pelo trabalho elas são obrigadas a conviver com indivíduos que sequer podem ser tachados de humanos.

O desmascaramento do tarado de São Paulo serviu para que muitas mulheres tomassem coragem para denunciar abusadores que circulam sem qualquer constrangimento para satisfazer duas doenças. Infelizmente neste mundo de tanta liberdade de expressão não faltaram vozes para tentar justificar a atitude que traumatiza, agride, ofende e constrange.

O episódio que chocou o país aconteceu numa grande metrópole, mas se repete em muitos lugares do Brasil. A impunidade – novamente ela! – não apenas aprofunda as consequências das vítimas como estimula a reiteração dos atos obscenos.  Apesar do preconceito, muitas mulheres tomam coragem para fazer boletins de ocorrências, mas raramente encontram guarida, apoio, atitude e ações que resultem na responsabilização dos maníacos que andas à solta.

Encarada com certo desdém pela opinião pública no início, a divulgação dos atos do tarado de São Paulo pode servir para a mudança de comportamento. Principalmente das autoridades que têm a obrigação de garantir a segurança dos usuários de transporte coletivo.

E que as mulheres abusadas registrem os crimes para que responsáveis sejam punidos e tirados de circulação.


Tags: Gilberto Jasper, jornalismo, Em Outras Palavras


Gilberto Jasper é jornalista. Trabalhou como repórter nos jornais O Alto Taquari (Arroio do Meio), O Informativo do Vale (Lajeado), Gazeta do Sul (Santa Cruz do Sul) e Zero Hora (Porto Alegre), além das rádios Independente (Lajeado) e Gazeta AM/FM (Santa Cruz do Sul). Como assessor de Imprensa atuou com o ex-secretário da Educação, Bernardo de Souza (Governo Simon), além do Palácio Piratini (Governos Antônio Britto e Germano Rigotto), na Presidência da Assembleia Legislativa do RS (com os deputados Paulo Odone e Frederico Antunes), na Presidência da Câmara de Vereadores de Porto Alegre (vereador Sebastião Melo) e com o deputado federal Osmar Terra. Foi assessor de Imprensa da Presidência do Tribunal de Justiça do RS. Atualmente é coordenador de Comunicação do gabinete do deputado Tiago Simon na AL-RS.

Saído no interior de uma cidadezinha do Vale do Taquari com pouco mais de 5 mil habitantes aos 17 anos me considero um privilegiado por ter feito tantas coisas, por ter conhecido inúmeros lugares interessantes e, acima de tudo, ter tido o privilégio de conviver milhares de pessoas e ter feito valiosos amigos.

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e-mail: gilbertojasper@gmail.com
Blogger: gilbertojasper.blogspot.com.br




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