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4 anos de Lava-Jato

Gilberto Jasper

13.03.2018

4 anos de Lava-Jato

A Operação Lava-Jato completa este mês quatro anos. Uma simples investigação sobre um doleiro desvendou o maior esquema de corrupção do mundo que sacudiu as estruturas da maior empresa pública do Brasil – a Petrobras. A estatal serviu de fachada para financiar campanhas eleitorais, luxos e desvios jamais vistos no Brasil. E culminou com um tsunami que soterrou os grandes partidos, com destaque para PT, PP e PMDB.

A Lava-Jato é, além disso, num marco divisório de ética, transparência e compromisso com a legalidade. É difícil prever se o representará a manutenção destes preceitos, mas ajudou a alterar o slogan que envergonha a todos os cidadãos de bem: “Brasil, o país da impunidade”.

Há ex-governadores, ministros, secretários, diretores de estatais, grandes empreiteiros e “peixes miúdos” presos há anos. Não é “somente ladrão de galinha que dorme na cadeia”. O noticiário é farto em imagens de “caciques” conduzidos pelos agentes de preto da Polícia Federal.

As manhãs nunca foram as mesmas porque o país, com frequência inédita, ainda hoje é sacudido por operações da Lava-Jato. Não há distinção de cargos, nomes, partidos ou empresas. Todos suspeitos por negócios escusos são, no mínimo, “convidados” a prestar esclarecimentos.

Curitiba e o juiz federal Sérgio Moro se transformaram na vingança daqueles que pagam impostos, trabalham com retidão e sofrem com a precariedade dos serviços públicos para atender a população mais necessitada. Filas de postos de saúde e falta de medicamentos em hospitais, escassez de emprego, estradas em péssimo estado que provocam mortes, insegurança e vários problemas que grassam no país têm, na falta de recursos, a principal causa.

A Lava-Jato já resultou na recuperação de R$ 11 bilhões. São mais de R$ 3 bilhões em bens apreendidos e quase R$ 800 milhões devolvidos aos cofres públicos. Aos olhos do mundo, somos um notório símbolo de corrupção e falta descompromisso com o dinheiro público. Para nós, atentos à cena política, temos a confirmação de que os famosos “10% por fora” são coisas do passado. Este percentual, há muito tempo, foi majorado.     

Temos muito a aprender com a Lava-Jato, além da satisfação de ver ladrões presos em celas comuns. A corrupção não vai terminar porque é inata ao ser humano. O que depende de nós é minimizar seus efeitos, através do voto consciente em outubro e, passado o pleito, fiscalizar aqueles que receberam nossa procuração. Votar, simplesmente, não resolve.


Tags: Gilberto Jasper, jornalismo, Em Outras Palavras, Giba


Gilberto Jasper é jornalista. Trabalhou como repórter nos jornais O Alto Taquari (Arroio do Meio), O Informativo do Vale (Lajeado), Gazeta do Sul (Santa Cruz do Sul) e Zero Hora (Porto Alegre), além das rádios Independente (Lajeado) e Gazeta AM/FM (Santa Cruz do Sul). Como assessor de Imprensa atuou com o ex-secretário da Educação, Bernardo de Souza (Governo Simon), além do Palácio Piratini (Governos Antônio Britto e Germano Rigotto), na Presidência da Assembleia Legislativa do RS (com os deputados Paulo Odone e Frederico Antunes), na Presidência da Câmara de Vereadores de Porto Alegre (vereador Sebastião Melo) e com o deputado federal Osmar Terra. Foi assessor de Imprensa da Presidência do Tribunal de Justiça do RS. Atualmente é coordenador de Comunicação do gabinete do deputado Tiago Simon na AL-RS.

Saído no interior de uma cidadezinha do Vale do Taquari com pouco mais de 5 mil habitantes aos 17 anos me considero um privilegiado por ter feito tantas coisas, por ter conhecido inúmeros lugares interessantes e, acima de tudo, ter tido o privilégio de conviver milhares de pessoas e ter feito valiosos amigos.

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Blogger: gilbertojasper.blogspot.com.br




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