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Pais e professores

Gilberto Jasper

06.11.2018

Pais e professores

A frequência de notícias trágicas causa a anestesia geral. Somente casos mais gravíssimos causam comoção e revolta, logo esquecida por uma nova tragédia. Perdemos a capacidade de indignação, mergulhamos em um conformismo perigoso que leva à depressão.

Nos últimos dias de pós-fúria eleitoral que assolou o país, a agressão a duas professoras em Porto Alegre causou em mim um sentimento de difícil definição. Pertenço à geração onde pais e professores eram autoridades máximas, referências, exemplos. Lembro a meus filhos que a ordem era obedecer sem contestar, cumprir sem reclamar.

Hoje, é claro, a prática educacional mudou. Há espaço para o diálogo, críticas, sugestões e troca de ideias. Tudo, porém, com base a hierarquia, onde o professor concentra a função de coordenar as atividades dentro da sala de aula, adverte, orienta.

O desrespeito nas escolas reflete o barco sem rumo em que se transformaram inúmeras famílias. Pais descomprometidos são transformados em escravos dos filhos que não têm amor e limites, fazendo o que querem. Os valores se subvertem, o caos prevalece, não há organização para enfrentar as inevitáveis crises.

Discordar de pais, professores e de chefes é aceitável, desde que haja respeito mínimo às normas de convivência. A atividade do magistério vem sendo desacreditada ao longo do tempo. Envolve péssima remuneração dos profissionais, precárias condições de trabalho (salas, equipamentos, estrutura) e se agrava com a falta de perspectivas de crescimento na profissão.

Dentro de casa é preciso – todos os dias! - enfatizar a importância do professor, enaltecer sua importância na formação das pessoas e fortalecer o respeito. O que vemos em todos os âmbitos - e não apenas em escolas de periferia - é a total subversão de valores, da hierarquia e das prioridades.

As consequências da violência contra os mestres podem se fazem notar em diversos ambientes de convivência em que o desrespeito prevalece. Dirigir-se com educação e observar a posição de mando do interlocutor é fundamental para manter as relações sociais dentro de um padrão aceitável.

A agressão a professores é a prova concreta da falência social, a comprovação de que o futuro é tenebroso. Afinal, aqueles que nos ensinam são ignorados, desrespeitados e agredidos. É difícil prever onde vamos parar.


Tags: Gilberto Jasper, jornalismo, Em Outras Palavras, coluna


Gilberto Jasper é jornalista. Trabalhou como repórter nos jornais O Alto Taquari (Arroio do Meio), O Informativo do Vale (Lajeado), Gazeta do Sul (Santa Cruz do Sul) e Zero Hora (Porto Alegre), além das rádios Independente (Lajeado) e Gazeta AM/FM (Santa Cruz do Sul). Como assessor de Imprensa atuou com o ex-secretário da Educação, Bernardo de Souza (Governo Simon), além do Palácio Piratini (Governos Antônio Britto e Germano Rigotto), na Presidência da Assembleia Legislativa do RS (com os deputados Paulo Odone e Frederico Antunes), na Presidência da Câmara de Vereadores de Porto Alegre (vereador Sebastião Melo) e com o deputado federal Osmar Terra. Foi assessor de Imprensa da Presidência do Tribunal de Justiça do RS. Atualmente é coordenador de Comunicação do gabinete do deputado Tiago Simon na AL-RS.

Saído no interior de uma cidadezinha do Vale do Taquari com pouco mais de 5 mil habitantes aos 17 anos me considero um privilegiado por ter feito tantas coisas, por ter conhecido inúmeros lugares interessantes e, acima de tudo, ter tido o privilégio de conviver milhares de pessoas e ter feito valiosos amigos.

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Blogger: gilbertojasper.blogspot.com.br




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