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James M. Dressler

27.11.2014

PML

            Assistimos a mais uma semana de revelações escabrosas do escândalo da Petrobrás. Quando achamos que já vimos tudo, sempre há uma novidade mais incrível que a última. Agora aparece um e-mail direto do delator do “petrolão” para a então ministra Dilma, pulando toda hierarquia da estatal, alertando que as obras da Petrobrás poderiam ser paralisadas, com todas as conseqüências que isso teria. A lista de absurdos não parece ter mais limites.

            O que se percebe na linha de atuação do estado brasileiro, desde o início de sua existência até os dias de hoje, é uma vocação para criar dificuldades para vender facilidades, frase que de tão antiga, já virou um bordão para definir qual a real finalidade do nosso estado, em qualquer nível, municipal, estadual ou federal. A política no Brasil acabou virando uma busca pelo poder de controlar estas máquinas de fazer dinheiro, muito distante do que deveria ser, uma busca pelo poder de proporcionar um ambiente justo e seguro para que os cidadãos possam desenvolver todas suas potencialidades e fazer a sociedade toda progredir em direção à felicidade. Dito assim, até parece ridículo, coisa de gente ingênua ou burra. Este sentimento de que o certo parece ridículo dá bem uma dimensão do abismo moral e cultural em que vivemos.

            Se fizermos um gráfico para representar este estado de coisas em nosso país registrando a quantidade de escândalos, constataríamos que é uma curva exponencial, que lá no seu início representava a fase amadora da corrupção, do “rouba, mas faz”, para esta última década, onde chegamos na fase que eu chamo de “automação da corrupção”, onde toda tecnologia atual é posta não a serviço do cidadão, mas a serviço dos corruptos, seja para a atividade fim, que é o desvio de dinheiro, seja para atividade meio, que é enganar os cidadãos para que eles achem que tudo vai bem e continuem elegendo os mesmos políticos (mesmo que haja sinais evidentes de que as coisas não vão bem, como a inflação real muito acima da oficial).

            A conclusão a que cheguei é que, apesar de termos em torno de 30 partidos no Brasil, há um partido não-oficial que é o que realmente domina corações e mentes dos políticos, e por que não dizer, de muito dos brasileiros, afinal os políticos brasileiros não vêm de Marte. É o PML, Partido do Meu Lado, onde o que importa mesmo não é construir um país melhor e sim se dar bem não importa como. Nenhuma ética, nenhum sentimento mais nobre, é o vale-tudo de passar a perna no maior número de pessoas possíveis sem ser descoberto que importa.

            O pior de tudo é que se formos olhar jornais de cinqüenta, cem anos atrás,  veremos que muito dos problemas e vícios da nossa sociedade atual já existiam tal qual como são hoje naquela remota época. E isso não nos anima muito quanto ao que será daqui outros cem anos, já que se a coisa não mudou muito nos últimos cem, não dá para ter muita esperança. Quem lembra da época do Collor e vê os jornais de hoje entende o que estou dizendo.

            Pessoalmente, acho que o que pode mudar é o PML. quem sabe muda de nome: PIP, Partido do Interesse Próprio, ou POR, Partido Oculto da Roubalheira. Desaparecer, duvido. Ele só faz crescer.


Tags: James Dressler, coluna, artigo, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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